De faixa a coroa

Suzy Rêgo relembra fase em que quase foi eleita Miss Brasil: 'Encorajou a buscar meus sonhos'

Atriz ficou em segundo lugar em duas competições em 1984

A atriz Suzy Rêgo
A atriz Suzy Rêgo - Instagram/suzyrego

Pouca gente sabe, mas um dos grandes impulsos da carreira de Suzy Rêgo, 52, foi um concurso de miss. A atriz, que tornou-se modelo profissional ainda pré-adolescente, completa agora 35 anos desde que foi Miss Pernambuco e representou seu estado no Miss Brasil 1984.

"Fiz parte da histórica competição de 1984, na qual as representantes viajaram sozinhas e dividiram os quartos com outras concorrentes. Essa autonomia uniu muito as candidatas, que eram 27 jovens animadas e felizes que viveram uma experiência marcante num concurso belíssimo. Minha colega foi a Miss Paraná, Marizabel Domingues, que é minha amiga até hoje", relembra ela em conversa com o F5.

A atriz era estudante de cursinho pré-vestibular e funcionária de uma loja de artigos esportivos em um shopping do Recife (PE) quando a oportunidade de competir bateu à sua porta. Dois estilistas famosos da cidade a viram e decidiram chamá-la para representar a Ilha de Itamaracá no estadual. Corajosa, ela topou o convite que a levou mais longe do que imaginava.

"Meus pais me emanciparam aos 17 anos pois, desde sempre, me educaram e incentivaram na direção da responsabilidade e autonomia. Entre meus erros e acertos, foram super apoiadores e incentivadores. Essa bagagem me fortaleceu e me encorajou a buscar meus sonhos e encarar os desafios e desapontamentos como aprendizados. E assim prossigo. Confiante", diz.

 

Carismática e bastante elogiada pelos críticos da época, foi por pouco que Rêgo não se tornou Miss Brasil. Ela foi vice campeã duas vezes em 1984, tanto na etapa nacional do Miss Universo quanto na do Miss Mundo.

À época, ambos os concursos eram realizados pelo SBT e, nas duas ocasiões, ela perdeu por apenas um ponto. Na primeira, em junho, quem ganhou foi a paulista Ana Elisa Flores e na segunda, que contou com dez candidatas convidadas, foi a gaúcha Adriana Alves de Oliveira.

Como a pernambucana diz que prefere sempre ver o "copo meio cheio", o que na época poderia ter parecido uma derrota dupla, tornou-se uma grande vitória. "Sempre otimista, para mim a vitória vai além da colocação em competições. Eu trabalhei bastante após ambos os concursos e sou grata a isso."

"Conheci diferentes culturas, assinei bons contratos, proporcionei momentos mágicos para meus familiares, me diverti e pude fazer escolhas enriquecedoras a partir dos desdobramentos das duas competições. Fui grata e o universo me concedeu grandes conquistas", completa.

35 ANOS DEPOIS

Rêgo considera que, em 35 anos, a principal mudança do mundo dos concursos foi a voz que a miss adquiriu com o advento da exposição online. "A internet mudou o universo e, para os concursos, foi enriquecedor. Atualmente as candidatas mais esclarecidas, engajadas e ativistas têm voz. Belíssimas sempre, mas também influenciadoras, elas conseguiram ressignificar os critérios de merecimento dos títulos."

Para ela, o futuro dos concursos de miss dependem, e muito, das próprias misses. Rêgo diz acreditar que uma mudança de posicionamento da mulher pode trazer evolução no ramo. "O mundo miss conquistará um novo topo desde que misses empoderadas e ativistas atualizem os concursos. Com isso elas podem ampliar as possibilidades de critérios de pontuação, praticar solidariedade e sororidade, e incentivar meninas para que cultura, arte, cidadania e esportes sejam mais relevantes que a perfeição física."

A atriz vê com bons olhos as vitórias de duas mulheres negras nos dois maiores concursos internacionais de 2019 –representadas pela sul-africana Zozibini Tunzi, no Miss Universo, e pela jamaicana Toni-Ann Singh, no Miss Mundo

Ela enxerga no fato um caminho para inspiração e desenvolvimento de mulheres na liderança. "Elas são maravilhosas, talentosas e merecedoras. Que todas as etnias se exponham, que todas as belezas se expressem! Que os concursos sejam inspiradores para jovens no mundo inteiro e que possibilitem às candidatas uma formação educacional de qualidade. Que tenhamos misses no poder público, nos cargos de chefia, nas embaixadas e consulados, e também nas presidências de seus países", conclui a artista.

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil e Miss Universo. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias, como a da Fox.

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