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Zapping - Cristina Padiglione

Eriberto Leão comemora personagens antagônicos na TV e no cinema

No ar em 'Além da Ilusão', ator estrela 'Maior que o Mundo', filme que estreia em agosto

Eriberto Leão, ator
Eriberto Leão em cena no filme 'Maior que o Mundo' - Flávia Montenegro/Divulgação
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No ar em "Além da Ilusão", novela das seis da Globo, Eriberto Leão estrela "Maior que o Mundo", filme que chega aos cinemas no dia 18 de agosto. No longa-metragem, o ator interpreta Kbeto, um escritor em crise criativa e moral. Enquanto busca inspiração para um novo romance, ele abastece sua vida com sexo, drogas e rock and roll, até que encontra uma saída em um diário jogado em uma caçamba de lixo, que pode ser (ou não) a resolução dos seus problemas.

O filme foi rodado em São Paulo e homenageia o cinema marginal, especialmente o da chamada Boca de Lixo. "Eu amei fazer o filme! Eu sou muito fã da contracultura. Não só fã, eu me considero um artista contracultural também", atesta o ator.

"Meu espetáculo sobre o Jim Morrinson, The Doors, mostra claramente isso. E a gente teve uma trajetória, graças a Deus, muito bem-sucedida, viajando três anos pelo Brasil todo. Inclusive estivemos em São Paulo e recebemos uma crítica maravilhosa do Nelson de Sá", lembra.

Eriberto sublinha que descobriu a literatura, a poesia e a própria filosofia que o acompanham até hoje "através do movimento contracultural". "São os meus mestres: Na poesia posso citar William Blake; na literatura o Kerouac, claro com o seu 'On the Road'; na filosofia posso citar Nietzsche, que é um pai da contracultura também; a pornopopéia do nosso Reinaldo Moraes, que escreveu o 'Maior Que o Mundo', então imagina minha emoção sendo chamado para este filme, sendo fã do Reinaldo."

"Na música", segue Eriberto, "não preciso dizer, todo movimento do rock é um movimento contracutural. Então poder viver um personagem que transita nesse universo contracultural pra mim foi absolutamente maravilhoso, gratificante, e o resultado não poderia ser melhor. A gente tem um elenco fantástico, uma história fantástica, uma direção fantástica, uma direção de fotografia fantástica e uma produção fantástica. Fomos muito felizes fazendo este filme e é uma comedia muito diferente de todas as comedias que nós já vimos no Brasil."

LUGARES POR ONDE ANDEI

Eriberto Leão ressalta ainda que o filme trafega justamente por cenários que ele, criado em São Paulo, tão bem domina. "Eu considero que é uma comedia muito singular, é um filme muito singular. Eu não me lembro de ter visto um filme que tratasse dessas questões e que tivesse o tempo cômico da maneira como nós temos nesse filme Os temas e todas estrutura não só narrativa, mas estética, então a gente vai adentrar no universo do Baixo Augusta de São Paulo com uma verdade muito grande."

"Eu sou paulista, eu vivi minha juventude no Baixo Augusta, estudei no Dante Alighieri, fiz FAAP, fiz USP, sou um paulistano da gema e toda essa região que a gente retrata no filme era a região onde eu morava. Eu morei na rua Haddock Lobo durante muito tempo, perto de onde eu estudava, e era onde eu e meus amigos frequentávamos. Então é muito verdadeiro pra mim, muito autentico e é uma homenagem a todos esses ícones contraculturais que adentraram nesse universo do sexo, drogas e Rock and Roll para atingir uma espécie de iluminação criativa."

Há um preço que se paga por isso, lembra o ator. "Isso fica bem claro no filme também. Há uma dor inerente desse personagem, há consequências dessa vida que ele escolhe pra ele e o filme retrata tudo isso de uma forma muito assertiva. Eu estou muito feliz com o filme, o trailer é arrebatador."

Já na novela "Além da Ilusão", Leônidas é um personagem totalmente diferente. Diametralmente oposto ao KBeto de "Maior Que O Mundo". Leônidas é altruísta, generoso, idealista, coisa que o KBeto não é de maneira nenhuma. "O KBeto escreve porque ele precisa escrever, porque ele precisa realizar, porque ele tem um ego gigantesco. Já o Leônidas quase não tem um ego, ele trabalha muito o ego."

"Ele entregou a vida dele para cuidar de uma pessoa com problemas psiquiátricos. Ele se ia se formar em medicina, e por conta de uma traição do pai, ele abandona tudo, ele vira um 'On the Road', e nesse lugar eles são parecidos, porque também considero o Leônidas como alguém que quebrou, que rompeu com o sistema, assim como o KBeto, ele vira um 'On The Road' de fato, enquanto o KBeto permanece em São Paulo, no mesmo lugar de sempre, nos mesmos bares. O KBeto vai no mesmo bar há anos."

Na novela, Leônidas rompe, sai a cavalo e encontra essa família nessa fazenda. "E passa a cuidar desse personagem que é Dr. Matias, brilhantemente feito pelo Antonio Calloni e ali ele tem o seu ideal todo colocado em prática. Ele cuida, ele trata, e vai ter um encontro lindo futuramente (acho que entre os dias 28/29 de julho) com a Nise da Silveira que é um encontro entre televisão e cinema", celebra.

"Eu gosto de sincronicidades porque a Glória [Pires] fez a Nise no cinema brilhantemente e ela volta com a Nise nessa participação na novela, onde ela contracena com meu personagem, Leônidas, e com o personagem do Calloni, o Dr. Matias, e é um encontro cinema/televisão que é esse lugar".

Sobre a novela, ele complementa: "Nosso filme vem logo após a novela. É uma novela que fomos muito felizes também, que eu sou muito grato por ter estado nela (nós terminamos as gravações no sábado passado) e ela vai sair do ar dia 19/20 de agosto. O Leônidas tem uma trajetória, uma jornada de herói muito bela."

"Ele vai encontrar a felicidade depois de trilhar por um caminho de abnegação, um caminho em que ele esquece de si mesmo. Ele vive como peão na fazenda, sendo que é um homem rico. Ele tem um pai muito rico que é um grande psiquiatra, é diretor de uma clinica psiquiátrica, e o Leônidas nega tudo isso. Ele não quer o dinheiro, ele quer o status. O KBeto quer o dinheiro, quer o status, quer o sucesso, então são personagens muito antagônicos."

"O Leônidas almeja um grande amor na vida dele. Foi por causa da traição do pai dele que fica, que se casa com a sua noiva, que ele rompe com tudo. O Leônidas é um homem muito emotivo, um grande romântico, então ele acredita no amor e ele encontra esse amor com a Heloisa, personagem também vivida brilhantemente pela Paloma Duarte, e serão felizes. E o KBeto não, ele tem váias parceiras, ele não acredita nesse amor romântico....eles são realmente diametralmente opostos", finaliza.

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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