Colo de Mãe
Descrição de chapéu Agora

Nem pandemia nem lockdown, a palavra do ano de 2020 é mãe

Não há dúvidas que, no home office e com aula online, "mãe, mãe, mamãe" foi o que mais ouvimos

Mãe, uma palavra que, na boca de um filho, fica ainda menor: “Mã”, mamãe, mãezinha - Stock/Reprodução
Agora

O dicionário Oxford desistiu de definir uma única palavra para o “sui generis” ano de 2020. O Merriam-Webster escolheu a palavra “pandemia” e o dicionário Collins elegeu “lockdown”.

A equipe do Oxford não se arriscou em definir uma única palavra dado o fato de que o ano de 2020, com a pandemia de coronavírus no mundo, é totalmente diferente de tudo o que já vivemos na modernidade. Há uma grande dificuldade em encontrar somente uma palavra que o defina. E nós entendemos.

É um momento histórico. E é difícil viver neste momento histórico, como atestam os memes e o nosso cansaço diário. No entanto, eu, como mãe de duas, confinada, em home office e professora de aula online sem diploma, decidi que vou eleger a palavra “mãe” como a do ano de 2020.

Aqui, na minha casa, como em muitos lares, mãe foi a palavra mais ouvida. “Mãe, tô com fome.” “Mãe, tô cansada.” “Mãe, tô com medo.” “Mãe, posso dormir com você?” “Mãe, você pode dormir comigo?” “Mãe, quando é que você vai voltar para o trabalho?”, pergunta a filha adolescente.

“Mãe, você nunca mais vai voltar para o trabalho, né?”, suplica a filha caçula. Eu já ouvi até um “mãe, você pode pedir para o meu pai me ajudar na aula online?”

Recentemente, a “mãe” precede perguntas como: “Quando vou poder ver meus amigos?” ou “Todos teremos que tomar a vacina?”

Mãe é a palavra que cura tudo, que resolve boa parte dos problemas. Deveria ser escolhida como palavra do século. Aliás, palavra de toda uma existência humana.

Só quem é mãe sabe o quanto é gostoso ouvir o filho balbuciar o primeiro “mamã” da existência. Depois, passa a ser desesperador o quanto eles nos chamam. Mas é recompensador quando você ouve sua filha dizer ao telefone: “vou perguntar para minha mãe”.

Todas nós já dissemos, em algum momento da vida, que se ganhássemos dinheiro a cada palavra mãe pronunciada por um filho, estaríamos ricas. Meu irmão, na infância, costumava chamar minha mãe e, quando ela perguntava porque estava sendo chamada ele dizia: “não é por nada, não. Só queria saber se você estava aí”. Às vezes, ela ria. Em outras, queria pegá-lo.

Minha mãe usou a palavra “mãe” por pouco tempo, pois ficou órfã ainda muito pequena. Seu pai casou-se novamente, mas a nova “mãe” não queria ser chamada assim e ficou sendo só a madrasta mesmo. Eu tenho duas enteadas, que também não me chamam de mãe. Elas têm a mãe delas e nos respeitamos muito.

Eu, uma apaixonada por palavras, gosto de “mãe” sendo pronunciada o tempo todo em minha casa. É exaustivo, mas, mesmo no vocativo (mãe, me ajuda!), eu me sinto como sujeita da frase. E aprecio os tantos sentidos que "mãe" tem na boca de um filho.​

Colo de Mãe

Cristiane Gercina, 41, é mãe de Luiza, 13, e Laura, 8. É apaixonada pelas filhas e por literatura. Graduada e pós-graduada pela Unesp, é coordenadora-assistente de Grana do jornal Agora, empresa do Grupo Folha. Quer ver o desenho do seu filho publicado na coluna? Envie-o para o e-mail colodemae@grupofolha.com.br com nome completo e idade da criança, nome e celular do responsável.

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