Bate-Papo na Web

Racismo algorítmico escancara preconceitos da sociedade

Solução passa por contratação de mão de obra diversa em todos os níveis

Manifestantes participam de marcha em memória a George Floyd, em Minneapolis
Manifestantes participam de marcha em memória a George Floyd, em Minneapolis - Kerem Yucel - 23.mai.21/AFP
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Nessa semana fez um ano que um policial branco pressionou o pescoço de George Floyd com o joelho, por 9 minutos e 29 segundos, até matá-lo. As imagens desse assassinato brutal de um homem negro dos EUA, gravadas por um celular, viralizaram e incendiaram o mundo, que explodiu em protestos contra o racismo.

O racismo estrutural, demonstrado por índices de desigualdade em todas as áreas, como renda, educação, saúde e emprego, e também pelo número absurdo de vítimas negras de homicídio e de violência policial, é um fato —não é questão de opinião.

No mundo virtual, reflexo do mundo real, não poderia ser diferente. Nossa sociedade está cada vez mais permeada por tecnologias que usam algoritmos, que decidem o que vamos ver nas nossas redes sociais e sugerem filmes para assistir ou itens para comprar, por exemplo.

Acontece que esses algoritmos não brotam do além, são criados por seres humanos —geralmente homens, brancos, ricos, do mundo ocidental—, que trazem consigo, mesmo que não intencionalmente, os preconceitos em que estão imersos. Essa é a causa do chamado racismo algorítmico.

O que é isso? Assista a este vídeo de 2009 para ter um bom exemplo. Nele, o recurso que acompanha o movimento de rosto em um computador simplesmente não consegue reconhecer um homem negro.

Ou a este em que uma saboneteira automática não identifica a pele negra.

E existem muitos mais casos assombrosos: filtros de “embelezamento” que clareiam a pele e afinam o nariz; buscas por “cabelo feio” que trazem imagens de cabelo afro, ou por “mulher bonita” que mostram muito mais mulheres brancas de cabelo liso; sistemas de reconhecimento em que mulheres negras são confundidas com homens; e por aí vai.

Qual a solução? Investimento em educação tecnológica para pessoas de todas as cores e gêneros; contratação dessa mão de obra diversa por empresas de tecnologia em todos os níveis, incluindo os de tomada de decisão; e regulamentação, com leis e instrumentos efetivos de combate ao racismo algorítmico. Além de muita pressão social.

Mas nem tudo são notícias negativas: no Twitter, houve um crescimento de 781% no volume de conversas sobre racismo de dezembro de 2018 a novembro de 2020. No Brasil, a hashtag #VidasNegrasImportam teve mais de dois milhões de menções no ano passado. A sociedade está acordando, evoluindo.

As últimas palavras de George Floyd —"Não consigo respirar"— ainda ecoam. Cada vez mais não se admite que os negros continuem sendo sufocados.

Bate-Papo na Web

Alessandra Kormann é jornalista, tradutora e roteirista. Trabalhou sete anos na Folha.
Desde 2005, é colunista do Show!, do jornal Agora.

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem