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Disney censura afeto entre personagens do mesmo sexo em filmes Pixar, dizem funcionários

Carta diz que discurso do CEO Bob Chapek tem sido diferente da experiência real

Bob Chapek, presidente da Walt Disney Parks and Resorts, na cerimônia de 10º aniversário da Hong Kong Disneyland em Hong Kong, China
Bob Chapek, presidente da Walt Disney Parks and Resorts, na cerimônia de 10º aniversário da Hong Kong Disneyland em Hong Kong, China - Tyrone Siu/Reuters
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São Paulo

Funcionários do estúdio da Pixar alegam que executivos da Disney exigiram cortes de "quase todos os momentos de afeto abertamente gay" em suas produções. Segundo uma carta atribuída aos "funcionários LGBTQIA+ da Pixar e seus aliados", obtida pela revista norte-americana Variety, "tanto as equipes criativas quanto a liderança executiva da Pixar" têm optado por esses cortes.

A afirmação é parte de uma carta de resposta ao memorando enviado aos funcionários da Disney pelo CEO Bob Chapek na segunda-feira (7), sobre sua posição em relação à legislação recentemente aprovada na Flórida, conhecida como projeto de lei "Don’t Say Gay". No memorando, Chapek afirma que o "maior impacto" que a empresa pode causar "na criação de um mundo mais inclusivo" é através do "conteúdo inspirador que produzimos".

De acordo com a carta dos funcionários da Pixar, essa afirmação está em desacordo com a experiência que eles têm vivenciado, e as tentativas de tentar criar conteúdos que envolvem afeto entre personagens do mesmo sexo –algo já aprovado pelos executivos da Disney.

"Nós da Pixar testemunhamos pessoalmente belas histórias, cheias de personagens diversos, voltando com críticas corporativas da Disney que reduzem a migalhas o que elas eram antes", afirma a carta. "Mesmo que a criação de conteúdo LGBTQIA+ fosse a resposta para corrigir a legislação discriminatória no mundo, estamos sendo impedidos de criá-lo."

A carta dos funcionários também exige que a Disney retire o apoio financeiro de todas as legislaturas que apoiaram o projeto de lei "Don’t Say Gay" e que "tome uma posição pública decisiva" contra a legislação e projetos semelhantes em outras partes do país.

Nesta quarta-feira (9), Chapek falou publicamente pela primeira vez sobre a oposição da Disney ao projeto de lei "Don’t Say Gay" durante a reunião de acionistas da empresa, depois de enfrentar críticas generalizadas por sua forma de lidar com a questão. Ele anunciou que a empresa doaria US$ 5 milhões (cerca de R$ 25 milhões) para a Campanha de Direitos Humanos e outras organizações de direitos LGBTQ, e disse que se reunirá com o governador da Flórida, Ron DeSantis, para discutir as "preocupações" da Disney com a legislação.

Até o momento, a Pixar incluiu apenas alguns personagens LGBTQ em seus longas-metragens, como no filme "Dois Irmãos" (2020), em que apresenta uma policial ciclope chamada Spectre, dublada por Lena Waithe. A sexualidade da personagem só é reconhecida por um pormenor em uma fala, quando Spectre diz: "Não é fácil ser um novo pai –a filha da minha namorada me fez arrancar os cabelos". Mas, ainda assim, o filme foi proibido no Kuwait, Omã, Catar e Arábia Saudita devido à cena.

Em 2020, a Pixar lançou o curta-metragem "Out", no Disney Plus, sobre um homem gay que reluta para se assumir para seus pais. Bastante criticada no passado pela falta de personagens LGBTQI+ em suas produções, a Disney também já exibiu uma cena de beijo entre dois soldados em "Star Wars: Episódio IX" (2019) e apresentou o personagem LeFou como gay na versão de 2017 de "A Bela e a Fera".

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