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Sam Richardson, de 'Veep', revela ansiedade e contusões em seu 1º filme de ação

Ator passou por imprevistos durante gravações de 'A Guerra do Amanhã'

Ator Sam Richardson

Ator Sam Richardson NYT

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Kyle Buchanan
The New York Times

​O cartaz do novo filme de ficção científica de Chris Pratt, “A Guerra do Amanhã”, pode causar espanto: ei, ali por sobre o ombro musculoso de Pratt, aquele cara não é Richard Splett, de “Veep”, com a metralhadora na mão?

Para Sam Richardson, que interpretava o hilariantemente sonso Richard na série cômica premiada com o Emmy, “A Guerra do Amanhã”, que estreou este mês na Amazon, representou um desafio considerável. No papel de Charlie, um personagem secundário doce que termina convocado para lutar em uma guerra futurista, Richardson teria de correr, se esquivar de tiros e explodir alienígenas criados por computação gráfica. “Veep” com certeza exigia muita agilidade verbal, mas encarar uma frota inteira de monstros espaciais requereria um conjunto bem diferente de talentos.

Embora Charlie deva parecer um tanto despreparado, em um ambiente perigoso como o do filme, Richardson, natural de Detroit e egresso do grupo de comédia Second City, queria garantir que seria capaz de encarar qualquer coisa que seu primeiro filme de ação atirasse em sua direção. Mas não demorou muito para que o ator descobrisse que heroísmo tem seu custo, em termos de visitas ao hospital. Abaixo, trechos editados de nossa conversa.

Conte-me como você se preparou para “A Guerra do Amanhã”?
Eu cresci assistindo a filmes de ação, e se você tivesse me perguntado o que eu queria ser quando crescesse, aos seis anos de idade, minha resposta teria sido “um astro de ação como Jean-Claude Van Damme”. Quando apareceu a oportunidade e me mandaram o roteiro, a ideia de fazer um filme de ação já era atraente o bastante para mim. Eu disse para mim mesmo que precisava me condicionar, para fazer a coisa do jeito certo. E por isso comecei a trabalhar com um treinador na academia, mas tenho pés que ficam naturalmente virados para fora, e no meio de um agachamento com pesos, ajustei a posição dos pés e estourei o menisco do joelho esquerdo.

Oh, não! Você se recuperou bem?
Eu fiz uma cirurgia no joelho, mas mesmo assim disse para mim mesmo que estaria preparado. Costumo me curar rapidamente de qualquer problema, o que é uma sorte para mim. Cheguei de volta ao estúdio, e fomos fazer uma cena em que corremos pelas ruas de Atlanta, em plena velocidade, e os outros caras estavam correndo muito mais rápido. E eu disse para mim mesmo que conseguiria acompanhá-los, mas estava carregando uma mochila pesada, e um monte de equipamento, e usando botas de selva, que não são boas para andar na cidade. E aí, pop.

Você estourou alguma outra coisa?
Tive um problema de tendão. Tivemos de parar, e eu fui examinado pelo médico; comecei a me recuperar lentamente, voltando à forma. Talvez três semanas mais tarde eu tinha me recuperado a ponto de poder voltar a correr, e começamos a filmar a mesma cena, algumas tomadas adiante. Eu estava correndo e ouvi um “pop” na outra perna.

Sam! Não!
E eu dei um grito: “Que inferno!” Nós paramos e percebemos que aquilo era mesmo um problema. Eles chamaram um supermédico que trabalha com o pessoal da WWE e com atletas, e ele meio que me ajustou, me condicionou. Em pouco tempo, eu estava pronto para voltar. Ele mudou minha maneira de andar, e eu achei aquilo incrivelmente útil. Há médicos que conhecem fisiologia, você acredita?

Deixando de lado as lesões, a preparação para um filme assim deve ser complicada. A premissa de “A Guerra do Amanhã” é a de que muita gente comum é convocada para combater e, se você se condicionar demais, contraria a ideia do filme.
Exatamente. Você não quer ficar conhecido como “Sam Richardson, o cara gordo naquele filme”, mas também não quer ser um Adônis, porque o papel não é esse. A ideia é de que ele seja um cara comum lançado em uma situação para a qual aquelas pessoas estão completamente despreparadas. Eu precisava encontrar um equilíbrio entre continuar parecido comigo mas estar em forma fisicamente. E você nem percebe quando perde a forma. Aos 20 anos, eu pensava comigo mesmo que era capaz de dar um mortal de costas, e ter barriga de tanquinho. Agora, ainda sou capaz de tentar dar um mortal de costas, mas depois entro em coma.

Você treinou muito com armas?
Fizemos duas semanas de treinamento militar sério com armas e treinamento tático, trabalhando com consultores que eram ex-soldados e nos ensinaram a usar as armas, e sobre a maneira pela qual uma equipe de soldados entra em um espaço, e verifica os cantos. Foi incrivelmente útil para mim, porque meu personagem é o contrário daquilo, e foi bom ser informado sobre aquelas coisas para saber o que não fazer. Não sou o herói do filme, aquele que diz “vamos jogar mais um camarão na Barbie”. Eu sou o cara que diz: “Camarão? Garanta que foi cozinhado há pouco tempo”.

Você vem de projetos nos quais o diálogo dominava. Como é fazer um filme em que dias inteiros passam sem que você diga uma palavra, e só corre e atira?
Acho que a escala daquilo tudo era suficiente para me fazer ter humildade e não pensar que eu deveria ter um diálogo ali. Há coisas demais acontecendo. No estúdio, eu estava sempre pensando “uau, esse é um estúdio de cinema real. Um edifício bombardeado, com destroços e escombros pelo chão”. Mas se você pega alguma coisa, é feita de espuma! Eu sou muito fã desse tipo de coisa, e a experiência de fazer um trabalho assim me impressionou demais, a ponto de nunca me levar a questionar por que eu estava lá. Bem, talvez quando me machuquei. Mas em todas as outras vezes, eu só pensava que “isso é muito cool”.

Em “A Guerra do Amanhã” e no novo thriller cômico “Werewolves Within”, onde você interpreta um guarda florestal muito gentil chamado Finn, você está explorando versões diferentes de caras legais arremessados a circunstâncias extremas.
Acho que existe um espectro, nessa descrição de “cara legal”. É como no caso de um vilão, em que você pode ir de uma Karen na mercearia a Thanos estalando os dedos e destruindo metade do mundo. Há um grande espaço entre essas duas coisas. No caso de Finn, eu o comparo ao personagem de Jason Bateman em “Arrested Development”, uma série na qual ele está cercado das pessoas mais loucas, mas também é um sujeito extremamente engraçado sem se esforçar muito. Ele é o mais centrado de todos, mas está chegando a um entendimento sobre o que significa ser um cara legal: será que é preciso deixar de ser legal para viver em comunidade?

Como foi ver Julia Louis-Dreyfus, sua colega de elenco em “Veep”, entrar para o Universo Cinematográfico Marvel com uma participação em “O Falcão e o Soldado Invernal”?
Eu dei um pulo! Para começar, sou muito fã da Marvel. Quando fiz a operação no joelho, foi na noite de estreia de “Vingadores: Ultimato”, e eu me convenci de que precisava ir. Fui ao cinema de muletas, e chapado de remédios contra a dor. E o filme me fez pular da cadeira, apesar do joelho estourado. Eu gosto demais do universo Marvel e, por isso, depois de evitar “spoilers”, e de ver Julia na tela, fiquei muito feliz: “Foi só para mim!” Perdi a respiração, fiquei empolgado. Mandei uma mensagem de texto para ela, dizendo, “oh, Julia, não consigo acreditar”. E ela respondeu “é, foi difícil manter aquilo em segredo por tanto tempo”.

Você recentemente sugeriu um papel de personagem de quadrinhos que gostaria de interpretar –Beast, de “X Men”—, e muitos fãs curtiram a ideia, e a esperança deles é de que Kevin Feige, o chefe do estúdio Marvel, o escale para o papel. Você já falou com ele?
Fiquei meio nervoso com aquilo, pensando no que aconteceria se, depois de eu dizer aquilo, a Marvel reagisse afirmando que “de jeito nenhum, não é você que nos diz o que fazer”. Eu fui a uma reunião na Marvel anos atrás, e estava falando de como gosto do personagem Falcão, e acho que o cara com quem conversei entendeu que eu estava sugerindo que eles demitissem Anthony Mackie e me contratassem. Ele disse: “Anthony faz um ótimo trabalho, você sabe”. E eu respondi: “Sim, concordo!” Mas não, nunca conversei com a Marvel sobre qualquer coisa assim. Espero que meu telefone toque um dia e eu ouça, “ei, aqui é Feige. Quero me encontrar com você no meu esconderijo secreto!"

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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