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Atriz de 'Ginny e Georgia' diz que criar adolescente dá mais medo que cenas de terror

Brianne Howey avalia referências usadas na série da Netflix

Antonia Gentry e Brianne Howey na série 'Ginny e Georgia'

Antonia Gentry e Brianne Howey na série 'Ginny e Georgia' Divulgação/Netflix

São Paulo

"Somos tipo as 'Gilmore Girls', só que com seios maiores." É assim que a personagem Georgia define a relação com a filha, Ginny, no primeiro episódio de "Ginny e Georgia". A série, que estreou no final de fevereiro na Netflix, vem figurando na lista de mais vistas da plataforma desde então.

Para quem acompanhava a série que foi ao ar entre 2000 e 2007, algumas semelhanças de fato aparecem na tela. Afinal, trata-se de uma mãe jovem às voltas com a educação da filha adolescente. Porém, os bate-papos existenciais aqui dão lugar aos ensinamentos, nem sempre moralmente corretos, de quem aprendeu com a vida.

"Eu assisti 'Gilmore Girls' na adolescência", afirma Brianne Howey, 31, a Georgia, em entrevista ao F5. "Eu cresci com uma mãe super-jovem, então sempre nos comparávamos a elas. Eu amo os paralelos entre 'Ginny e Georgia' e 'Gilmore Girls', mas acho que rapidamente o público será capaz de ver que a mensagem e o tom são diferentes e que Ginny e Georgia têm um pouco mais de pimenta."

Howey diz que está surpresa com a repercussão que a produção teve em diversos países. "Definitivamente superou todas as nossas expectativas", afirma. "Sabíamos que 'Ginny e Georgia' encontraria um público, mas não sei se esperávamos que fosse tão grande. Não poderíamos estar mais felizes. É reconfortante saber que esses personagens e essa história estão alcançando as pessoas."

Na trama, Georgia é uma mulher que vive mudando de cidade para fugir de problemas do passado –ela sempre deixa alguns trambiques e mortes suspeitas por onde passa. Até chegar à cidade de Wellsbury, onde finca raízes com os filhos.

"Georgia gosta de pensar que está pronta para se estabelecer em algum lugar", avalia a atriz. "Ela quer mais do que tudo que esse novo estilo de vida funcione. Mas, conhecendo Georgia, acho que ela sempre tem alguns outros planos por garantia. Ela está sempre alguns passos à frente. Deve ser exaustivo fazer isso o tempo todo. Ela está sempre muito ligada."

Com uma lábia digna de nota, ela vai cativando a todos por onde passa. E, claro, usa isso a seu favor sempre que pode. "O mais interessante de Georgia é que ela usa o charme dela como distração", explica. "É um dos métodos que ela tem para manter as pessoas distraídas do que realmente está acontecendo. Ela chama a atenção para algo para que as pessoas não prestem atenção em outra coisa. É tipo um truque de mágica."

Apesar de ter participado de séries de terror como "O Exorcista" (2016-2018) e "The Passage" (2019), Howey diz que nada a preparou para lidar com a maternidade na ficção. "Acho que criar uma adolescente foi mais assustador do que qualquer outra coisa", diz, aos risos.

"A série faz um ótimo trabalho em retratar a sociedade e os adolescentes de agora", avalia. "Tem muita verdade no que eles passam, mas algumas situações acabam sendo também um pouco opressoras. É muito mais difícil para os adolescentes crescerem na era das mídias sociais. Isso não era tão comum quando eu era adolescente. Tenho muita empatia por eles, mas tenho muito mais empatia pelos pais de adolescentes (risos)."

Ela considera que as diversas citações sobre cultura pop (além de "Gilmore Girls", são citados filmes como "Uma Linda Mulher" e séries como "Friends") ajudam a fazer da série algo para toda a família. "Isso foi definitivamente muito intencional por parte dos criadores", entrega.

"Georgia teve uma criação não convencional, então muito do que ela aprendeu sobre ser adulta e sobre relacionamentos foi assistindo TV", explica. "Acho que é por isso que Georgia faz tantas referências. Isso foi o que formou a Georgia sobre o que era a vida e, de certa forma, esses foram seus professores."

Com 31 anos e sem filhos, a atriz conta que buscou inspiração para viver uma mãe, por menos convencional que ela fosse, dentro da própria casa. "Tenho quatro irmãos mais novos e uma irmã com quem tenho uma diferença de idade de 15 anos", revela. "Quando eu tinha 30 anos, ela tinha 15", diz, lembrando que essa é exatamente a idade das personagens.

Inclusive, foi a irmã que a ajudou a conseguir o papel. "Eu a fiz ler as cenas das audições comigo, para que eu pudesse realmente sentir o que era lidar com alguém de 15 anos e fazer tudo da forma mais autêntica possível", diz. "Durante todo o processo de filmagem, pensava nos meus irmãos o tempo todo. Isso definitivamente tornou tudo mais fácil porque eu os amo mais do que tudo."

Com Antonia Gentry, que faz o papel de Ginny, a conexão foi imediata. "Não tivemos muito tempo, fui selecionada por último e entrei pouco antes de as filmagens começarem", lembra. "De certa forma, isso nos permitiu acelerar a nossa amizade e a nossa química, porque estávamos vivendo todas essas emoções malucas juntas."

"Tivemos que fazer testes juntas, nos mudamos para Toronto [onde foram as gravações], fizemos todas as leituras de roteiro e testes de tela", enumera. "Durante essas experiências, tínhamos que confiar uma na outra e assumir riscos juntas. Isso definitivamente nos uniu."

Sobre a jovem, ela é só elogios. "Tive muita sorte", conta. "Ela é tão jovem e incrivelmente talentosa. Trabalhar com ela é muito tranquilo e, como pessoa, ela é gentil, engraçada, doce e real. Foi muito fácil. Eu amo tanto ela. Ela é muito fácil de amar."

"Ginny e Georgia" - 1ª temporada

  • Onde Netflix
  • Classificação 16 anos
  • Elenco Brianne Howey, Antonia Gentry e Diesel La Torraca
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