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Lana Condor diz por que Lara Jean de 'Para Todos os Garotos 3' é a sua preferida

Atriz é uma das poucas de origem asiática a estrelar comédia romântica

Lana Condor, NYT

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Nancy Coleman
The New York Times

Os dois primeiros filmes da trilogia "Para Todos os Garotos que Já Amei", da Netflix, ticaram todos os itens na lista de ingredientes das comédias românticas e dramas sentimentais adolescentes: o garoto da casa ao lado, o garoto condenado a ficar na ponta perdedora de um triângulo amoroso, e, acima de tudo, o garoto que ajuda a garota a montar uma trama sobre um falso namoro que, inevitavelmente, se torna não tão falso assim.

Por isso, quando chegou a hora de filmar o episódio final da trilogia, a atriz Lana Condor, que interpreta Lara Jean, a menina que ocupa posição central nessa história toda, estava pronta para uma mudança de ritmo: "O filme se chama ‘Para Todos os Garotos”, disse Condor, 23, em entrevista por Zoom. "E a história sempre foi sobre os garotos, desde o primeiro dia. Nós estávamos cientes isso."

"Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre", que estreou dia 12 de fevereiro, deixa de lado o Team Josh, o Team John Ambrose e o Team Peter, e acompanha o Team Lara Jean. A protagonista se vê diante de decisões importantes para sua vida, com a aproximação da graduação no segundo grau.

Ela mudou muito, depois de começar como uma menina romântica e ingênua que confessa seus sentimentos em longas cartas de amor, mas não os coloca em prática, um hábito que dispara a trama do primeiro filme, quando as cartas terminam enviadas aos destinatários sem que ela queira.

Muita coisa mudou também para Condor. Ela se tornou uma estrela da noite para o dia, com o primeiro filme da trilogia, em 2018, e, depois de "Para Todos os Garotos", ela já assinou para estrelar e trabalhar como produtora executiva em uma nova série cômica para a Netflix.

Mas primeiro, depois de diversos anos de trabalho frenético, o foco para a atriz é se acomodar em sua casa nova em Seattle, em companhia do namorado, o ator Anthony De La Torre, e de sua cadela, Emmy.

Enquanto se prepara para se despedir da personagem que definiu sua carreira até agora, Condor falou sobre a experiência de ser uma das poucas atrizes americanas de origem asiática a estrelar uma comédia romântica, e sobre os motivos para que a Lara Jean de "Para Todos os Garotos: Agora e Para Sempre" seja sua favorita.

Confira trechos editados da conversa.

A esta altura do ano passado, você presenteou os fãs, no Paris Theater de Nova York com uma sessão surpresa do segundo filme da trilogia –uma experiência que parece completamente alienígena agora. Qual é sua sensação ao recordar aquele momento?
Foi um momento realmente emotivo, e fiquei tão feliz que mal conseguia me mexer. Investi muito de mim nesses filmes, porque eu os amo. E eles também mudaram minha vida. Mas, pensando em retrospecto, àquela altura eu já estava no fim das minhas forças, porque rodei os filmes um atrás do outro e, entre as filmagens, fiz diversas viagens de divulgação. Gostaria de ter aproveitado mais aquele momento, de ter estado mais presente.

Como foi fazer esse último filme, para você?
Lembro-me de pensar: "Como é que eu cheguei aqui?" Queria, acima de tudo, terminar de uma maneira que me deixasse superorgulhosa de Lara Jean. Por isso eu estava determinada, e conversava frequentemente com o diretor, os produtores e os roteiristas, dizendo que “vocês têm de mostrá-la entrando no mundo como uma jovem que, pela primeira vez, coloca a si mesma em primeiro lugar”.
Foi uma experiência insana, muito emocional, porque esses últimos anos viram os maiores altos e baixos da minha vida. [Ela disse que se sentiu completamente esgotada depois do primeiro filme.] Amo os filmes, os amigos que fiz ao rodá-los, a história –adoro o esquema de cores dos filmes, o rosa e o salmão.
Assim, por saber que essa seria a última vez que eu estaria naquele quarto, a última vez que eu estaria na escola, em todos aqueles lugares em que passei tanto tempo nos três últimos anos, tive momentos de emoção. Vou sentir muita falta de tudo aquilo.

Como foi filmar na Coreia do Sul?
Nós viajamos para lá durante a temporada de tufões. E eu fiquei resmungando comigo mesma: "Quem teve essa ideia?" Mas foi maravilhoso. Nós estávamos filmando só coisas turísticas, e assim terminamos filmando em todas as locações que visitaríamos normalmente como turistas. Encontrávamos pessoas nas ruas, e as pessoas entravam direto na tomada enquanto estávamos rodando, e diziam coisas como "oi, amei seu filme!" E nós respondíamos que “pois é, agora você está nele”.

Como você se sentiu com relação à maneira pela qual a história de Lara Jean termina?
​Uma coisa de que me orgulho bastante é que ela jamais perde seus pequenos costumes e manias, e a personalidade dela não muda. É difícil evitar esse tipo de mudança, quando você está no segundo grau. Sim, a Lara Jean que vemos no terceiro filme é uma Lara Jean madura, e diferente, no sentido de agora ter experiência de vida, mas ela em última análise jamais abriu mão das coisas que a fazem ser quem ela é.

Você pôde ficar com alguma das roupas do filme?
Se pude ficar com alguma das roupas? Não. Mas roubei algumas das roupas? Sim. Passamos horas e horas trabalhando com cada figurino, até deixá-lo perfeito, porque aprendemos, no primeiro filme, que meninas iam às lojas para comprar modelos iguaizinhos.
No terceiro filme, temos um uniforme de boliche copiado de "O Grande Lebowski", e fiquei com ele. Tenho uma caixa de chapéu, que não é uma roupa, mas não quis sair do set sem ela. Tenho uma jaqueta de seda azul, que ela usa em uma cena com Peter [no primeiro filme], quando ela está falando sobre pessoas irem embora –"quanto mais gente você permite que entre em sua vida, mais gente poderá abandoná-lo". Adoro aquela cena. Fiquei com um par de jeans, o que não é nada demais, mas encontrar um par de jeans realmente bem ajustado é difícil.

Os filmes se baseiam em livros de Jenny Han, e é divertido tentar detectar as participações dela em cada filme. Como foi seu relacionamento com ela nesses últimos anos?
Ela se tornou como uma irmã para mim. Falamos ao telefone por horas e horas. Quando começamos a conversar, anos atrás, ela disse que “quero você como Lana e que, como uma jovem atriz de origem asiática, você tenha as mesmas oportunidades que Jennifer Lawrence teve como Katniss ou Kristen Stewart teve como Bella em ‘Crepúsculo’”. E isso foi antes ainda de sabermos que faríamos três filmes. Ninguém tinha dito qualquer coisa de parecido para mim, até lá, especialmente como atriz de origem asiática –foi até difícil de acreditar.

O aspecto da representação era uma preocupação para você, durante a rodagem dos filmes? Foi algo que significou uma pressão adicional?
Li o livro imediatamente antes da audição, e foi então que cheguei à conclusão de que aquele era um papel que eu precisava conseguir. Porque falava de uma menina americana de origem asiática se apaixonando, e aquilo era algo que todos precisávamos ver. Mas quando estávamos fazendo os filmes, a sensação era quase como a de que eu realmente era Lana.
Porque, por fim, os filmes falam sobre uma jovem que se apaixona, e mostram que todo mundo pode se apaixonar. Ou seja, a questão estava em meu pensamento, sim, mas também não estava. Porque não caminho pela minha vida pensando em “Lana, a asiática, vai à loja, Lana, a asiática, vai apanhar comida, Lana, a asiática, vai levar o cachorro para passear”.

Chegamos ao fim do que Jenny Han escreveu sobre Lara Jean. Mas você antevê uma situação na qual possamos ver uma nova parte dessa história se desenrolando, ou na qual você possa voltar a interpretar a personagem?
O melhor é nunca dizer “nunca”. Mas o terceiro filme é o fim, até onde sei. Não tenho outras informações. Seria interessante ver Lara e Peter com seus 20 e tantos anos. Os dois foram à universidade, e eu gostaria de vê-los em seus trabalhos. Tenho um sonho de que Lara Jean trabalharia com algo relacionado à literatura, não sei, em Nova York, escrevendo, vivendo a vida. Porque meu sentimento pessoal é de que os dois vão tentar fazer o relacionamento funcionar na universidade, mas vão ter de se afastar antes que estejam prontos para enfim se reunirem.
Mas tenho certeza de que os dois vão terminar casados, de que os dois serão felizes para sempre. Só acho que ambos precisem crescer como indivíduos, primeiro. E depois disso eu adoraria ver o reencontro deles –ela estaria em um café, escrevendo um artigo para o jornal no qual trabalha, e ele a encontraria por acaso; os dois se reveriam de maneira nova, agora que estão mais velhos e se desenvolveram mais. Seria muito bacana. Se acontecer, não esqueça que fui eu quem falou disso primeiro.

Tradução de Paulo Migliacci

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