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'Califado' destrincha como extremistas cooptam membros para o terrorismo

Série da Netflix também aborda as consequências ruins das fake news

Cena da série "Califado" da Netflix
Cena da série "Califado" da Netflix - Divulgação/Netflix
São Paulo

Pervin se mudou para a Síria com o instável marido Husam, para o companheiro engrossar as fileiras do Estado Islâmico e contribuir em um atentado terrorista na Suécia, país de origem de sua esposa. A fé que os levou até a cidade de Raqqa, no entanto, não contagia mais Pervin, que tenta de toda maneira voltar à Suécia e levar consigo a filha, ainda de colo, gerada em meio ao caos e à violência.

Esta é a dinâmica de um dos núcleos da série "Califado", da Netflix, que entrou no catálogo do serviço de streaming em março e ainda não gerou a repercussão merecida —ao menos no Brasil—, embora se trate de uma obra viciante e bem produzida.

Pervin e Husam interpretam jovens de ascendência árabe que cresceram no país nórdico e, por falta de discernimento e senso crítico, acabam convencidos por recrutadores do Estado Islâmico a participar de uma jihad (guerra santa) transfigurada ideologicamente para a defesa de interesses machistas, misóginos e xenofóbicos dos extremistas.

No início da trama, uma amiga de Pervin entrega a ela um celular antes de ser levada por membros do grupo. Isso é determinante para que a jovem consiga entrar em contato com uma professora que conhece na Suécia, para quem pede ajuda.

A educadora faz a ponte entre Pervin e Fátima, uma policial com contatos que podem ajudar a jovem a fugir da Síria. Para que isso ocorra, porém, a agente exige informações sobre um atentado planejado pelo Estado Islâmico. Por ser casada com um dos envolvidos no plano terrorista, Pervin assume o risco de repassar o que consegue à policial.

Um simples telefonema pode colocar a vida de Pervin em risco caso ela seja flagrada com o aparelho, contribuindo à escalada de tensão. Outro núcleo da série é composto por adolescentes, entre eles Sulle, filha de sírios residentes no subúrbio de Estocolmo.

Vivendo uma série de descobertas comuns à idade, a adolescente se torna alvo fácil para rápida e eficiente lavagem cerebral —feita na base de fake news (notícias falsas). Aos poucos, as personagens vão se entrelaçando.

Califado destrincha o modo como os extremistas cooptam membros para seu projeto de terror, travestido de religião, em um dos países europeus que mais recebeu refugiados durante a guerra da Síria, iniciada em março de 2011 e ainda em andamento.

​A série também explora como a falta de filtro para fake news, por exemplo, pode transformar o comportamento de algumas pessoas, colocando-as em situações de risco e por vezes irreparáveis.

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