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Edson Celulari diz que Festival do Rio é ato de resistência: 'Não podemos parar'

Evento está em sua 21ª edição e vai até o dia 19 de dezembro

Edson Celulari chega ao velório do diretor e ator Jorge Fernando
Edson Celulari comparece a Festival do Rio - Webert Belicio/AgNews
 
Rio de Janeiro

O Festival do Rio teve início na noite desta segunda (9) com a exibição do filme “Adoráveis Mulheres”, de Greta Gerwig, no Cine Odeon, no centro da capital fluminense. Atores, diretores e produtores celebraram a realização do evento, que segue até o dia 19 e só não foi cancelado porque conseguiu verba por meio de um financiamento coletivo.

"O cinema é uma expressão importante para a cidade e o festival mostrou isso. Conseguimos, num gesto de resistência, fazer com que ele acontecesse. Tem que ser assim. Vivemos um quadro tenebroso, mas não podemos parar", disse o ator Edson Celulari, 61.

O veterano esteve presente na cerimônia de abertura do evento ao lado da esposa, Karin Roepke, 37, com quem pretende fazer mais um projeto audiovisual para 2020. "O Miguel Falabella, 63, também estará junto, mas não posso dar mais detalhes", afirmou.

O casal já trabalhou junto em dois curtas: “Cinzas” (2017), protagonizado por Roepke e dirigido por Celulari, e “Europa” (previsão de estreia em 2020), em que atuam juntos e cuja direção também é assinada por Celulari.​

“Os curtas têm um espaço muito particular, não existe muito espaço comercial, mas vamos fazer circuito internacional e partir para um longa”, revela o veterano.

Os atores também confirmaram um novo projeto pessoal, ainda sem data certa. Eles querem engravidar. Celulari já é pai de Enzo, 22, e Sophia, 16, do antigo casamento com a atriz Cláudia Raia, 52.

A atriz Mariana Nunes, 39, também prestigiou o primeiro dia de festival. Ela atua em dois filmes da programação: “Pureza” (Renato Barbieri) e “M8 – Quando a morte socorre a vida” (Jeferson De).

“Em ‘Pureza’ serei Elenice, uma auditora fiscal do trabalho que ajuda Pureza (Dira Paes) que teve seu filho capturado pelo mercado de trabalho escravo. Em ‘M8’ sou Cida, a mãe de Maurício um jovem universitário cotista que entra para a faculdade de medicina. Ele vê que todos os cadáveres das aulas de anatomia são negros e a maioria dos alunos são brancos. É fantástico”, conta a atriz.

Com os cabelos platinados para uma personagem sobre a qual faz suspense, Nunes diz que as dificuldades com a verba para levantar o festival após o cancelamento dos patrocínios da Petrobrás e do BNDES só fortaleceu os ânimos da classe artística.

“Parece que dá mais vontade ainda de fazer cinema e de resistir. Eles estão tentando, mas não vão nos parar. Não sei como será ano que vem, mas temos algumas produções em andamento. Mesmo com pouco dinheiro, continuaremos fazendo. A existência do festival neste ano é uma prova disso”, afirma.

Sem citar o montante, a atriz Nathalia Dill , 33, revela ter contribuído com a vaquinha que bancou o festival.“Estou muito feliz de participar da abertura do festival. É importante estarmos aqui e mostrarmos que os cariocas são unidos não só para o Carnaval, mas para a arte também”, diz.

Pai de Camila Pitanga, o ator Antonio Pitanga, 80, exaltou a importância da cultura para a democracia do país. “Nossa cultura está sendo avacalhada, levada para a vala. A cultura é um dos bens mais valiosos de qualquer civilização. Foi através dela que nasceu a democracia na Grécia Antiga. É o instrumento socializador democrático. Essa vitrine do festival não tem preço. Essa galera luta para que esse festival exista mesmo nos momentos mais sombrios que estamos vivendo.”

Otimista, a diretora-executiva do Festival do Rio, Walkíria Barbosa, disse que sempre acreditou que o festival se manteria vivo.

"Minha história sempre foi de luta pela democracia, pela liberdade de expressão, e principalmente pela inteligência. Acredito que o Brasil tem tudo para ser uma das maiores potências na produção de conteúdo audiovisual. Ninguém pode nos impedir de ocupar nosso lugar no mundo”, pontuou.

A atriz Mariana Ximenes, 38, que comandou a cerimônia, declarou aberta a temporada para os cinéfilos do Rio de Janeiro: “Mais uma vez, atrizes, atores, roteiristas, diretores e talentos do mundo inteiro vão provar que não há obstáculo que impeça a mente humana de criar coisas memoráveis”.

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