Cinema e Séries

'Game of Thrones': será que um dos maiores sucessos da TV arruinou seu final?

O episódio mais recente mostrou as forças sitiadas da humanidade em vias de extinção

O ator Peter Dinklage, o Tyrion, na oitava temporada de 'Game of Thrones'
Lorde Varys (Conleth Hill), Dany (Emilia Clarke) e Sor Jorah (Iain Glen) na oitava temporada de 'Game of Thrones' - Divulgação
 
Descrição de chapéu BBC News Brasil

AVISO: ESSE TEXTO CONTÉM SPOILERS.

"O inverno está chegando" era um refrão contínuo para os fãs de "Game of Thrones" —eles foram lembrados várias vezes da ameaça do norte gelado desde que a série de TV, considerada um dos maiores sucessos de todos os tempos, começou em 2011.

Essa foi a ideia central dos livros que inspiraram a série, "As Crônicas de Gelo e Fogo", uma luta titânica entre os vivos e os mortos, a luz e a escuridão.

Bom, no terceiro episódio da temporada final, ele —o inverno— finalmente chegou, sob a forma de uma batalha épica com o mal encarnado na figura do Rei da Noite (imagine uma versão de gelo do Darth Maul, da série "Star Wars"), de seus subalternos Caminhantes Brancos e de infindáveis hordas de zumbis.

E a batalha acabou sendo... não tão mal

O Rei da Noite pode ter conseguido ressuscitar os mortos, transformar um dragão cuspidor de fogo em cuspidor de gelo e derrubar uma parede de 200 metros de altura que existia há milênios, mas não resistiu às habilidades de um único —e evidentemente altamente treinado— assassino com a faca.

E a série ainda tem três episódios pela frente.

Ao encenar a batalha existencial entre o bem e o mal cedo demais e matar o principal vilão desse jeito, teriam os dois homens por trás da atração, David Benioff e D. B. Weiss, arruinado o final de um dos programas mais assistidos da história da televisão?

O GELO ENCONTRA O FOGO —E DERRETE

O episódio mais recente —intitulado "A Longa Noite"— mostrou as forças sitiadas da humanidade em vias de extinção, cercada no castelo de Winterfell pelas forças mágicas do Rei da Noite, um exército incontável de mortos-vivos.

Mas quando tudo parecia perdido para a turma dos vivos, a heroína Arya Stark saiu da escuridão para matar o Rei da Noite —apresentado como a maior ameaça da humanidade desde a quarta temporada

O feito de Arya nos privou de um personagem importante e, para muitos fãs, destruiu toda a razão de ser da série de TV e dos livros —a luta cataclísmica entre o gelo e o fogo.

Nós nem sequer conseguimos ver o Rei da Noite sacar sua temível arma —uma espada que carregava presa às costas.

POR QUE TÃO SURPREENDENTE?

"Game of Thrones" já era famosa por matar, sem cerimônia, alguns de seus personagens principais. No final da primeira temporada, por exemplo, o herói —modelo de virtude (e fatalmente estúpido)— Ned Stark, foi sumariamente eliminado por um carrasco.

Mas o Rei da Noite foi o vilão máximo. Nós aprendemos a temê-lo e a temer a chegada do longo inverno que ele representava. Repetidas vezes, os personagens mais sábios da série nos lembraram de que coisas triviais da humanidade realmente não tinham importância diante da luta por sobrevivência que ele traria.

Várias linhas da trama giravam em torno disso —tudo na Muralha e mais ao Norte, toda a vida de Bran, tudo o que Melisandre, a Sacerdotisa Vermelha do Senhor da Luz, disse— tudo foi desenhado para nos lembrar de como esse cara era poderoso.

Desde a primeira cena da série, na primeira temporada, quando um White Walker corta a cabeça de um humano, ficamos sabendo que o inimigo é maior do que nós, mais malvado do que nós, e que está vindo atrás da gente.

Agora o Rei da Noite está morto, seu exército se desintegrou e ainda temos três episódios inteiros pela frente. Agora só resta decidir quem vai sentar e ficar se cortando nas farpas do Trono de Ferro por cerca de cinco anos, na melhor das hipóteses, até ser morto pelo próximo regicida.

PONTOS A RESOLVER

Mas ainda há muitos pontos a resolver, e ainda temos um vilão muito mais humano na figura da rainha Cersei Lannister, uma espécie de Lady Macbeth da saga.

Ela e seu irmão-amante, Jaime —com quem vinha mantendo uma relação incestuosa— certamente devem ter um acerto de contas, depois de ele tê-la abandonado e revelado os planos dela a seus adversários em Winterfell. E nessa história de acerto ainda pode entrar o outro irmão deles, Tyrion Lannister —de quem Cersei quer se vingar por ele ter matado o pai deles com uma besta.

Tyrion está sendo caçado por seu antigo guarda-costas, Bronn, armado com a mesma besta que o anão usou para matar o pai, Tywin. É como nos mostra o manual de Chekhov —o escritor russo disse que se você disser no primeiro capítulo que há um rifle pendurado na parede, no segundo ou terceiro capítulo ele deve ser usado. E essa besta nos foi mostrada de maneira bem explícita.

"Game of Thrones" ainda não disparou esse dardo.

E ainda há outras tramas individuais para nos atormentar —uma luta em família que poderíamos esperar é entre o renegado Sandor Clegane, o Cão de Caça, e seu irmão morto-vivo, A Montanha, que queimou metade do rosto de Clegane na infância.

E, por fim, Jon Snow e sua amante, e possivelmente tia, Daenerys Targaryen devem decidir se vão continuar como casal —os Targaryan não têm nenhum tabu em relação a incesto— ou lutar para ver quem é o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro.

A canção de gelo e fogo pode ter acabado, mas a guerra dos tronos ainda segue bem viva.

BBC News Brasil
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