Cinema e Séries

Daniele Suzuki dirige filme sobre crianças refugiadas: 'Vontade de diminuir a fome e a dor'

'Posso dizer que estou na melhor fase da minha vida', diz a atriz

Danni Suzuki durante a produção do documentário "S.Ó.S" sobre crianças refugiadas
Danni Suzuki durante a produção do documentário "S.Ó.S" sobre crianças refugiadas - Divulgação

Cris Veronez
Rio de Janeiro

A atriz e apresentadora Daniele Suzuki, 41, está cheia de novos projetos. Acaba de escrever uma série para a TV, um livro com o filho, Kauai, começa a trabalhar no cinema americano e retoma agora os trabalhos como diretora do documentário “S.Ó.S”, sobre crianças refugiadas, que ainda está em fase de produção.

"Quero concluí-lo por acreditar na importância desse despertar do amor aos refugiados", afirma. Danni já tinha envolvimento com o tema há algum tempo e o documentário foi a forma que encontrou de atuar na causa –tema, aliás, da próxima novela das 18h, "Órfãos da Terra", da Globo.

“A situação de refúgio hoje é alarmante na maior parte do mundo e, também, no Brasil. Viajei para Oriente Médio para entender como estavam lidando lá e quais os tipos de projetos poderiam ser aplicados aqui”, conta Danni.

Ela relembra um momento marcante que viveu durante as gravações de “S.Ó.S”: "Entrar em uma cidade construída apenas para crianças órfãs me doeu. Eram mil crianças que perderam suas famílias ou qualquer referência de vizinhos e parentes na fronteira da Síria com a Turquia".

A atriz é integrante da ONG Aldeias Infantis, no Rio, que acolhe famílias refugiadas no Brasil e as ajudar a se adaptar a uma nova vida. "Estamos montando uma creche no espaço das Aldeias para que as mães que estão tendo novas oportunidades possam conseguir trabalhar. Lá, precisamos ainda de tudo: ajuda para pagar os funcionários que cuidarão das crianças, mobílias, eletrodomésticos, comida, fraldas."

Em meio a tanta miséria humana, a artista afirma que passou a valorizar ainda mais o que tem e que busca aglutinar as experiências de maneira a potencializar suas ações em solidariedade ao outro. 

Cada novo aprendizado de Danni Suzuki é compartilhado com filho Kauai, de sete anos, fruto do relacionamento com o ex-marido, o empresário Fábio Novaes. "Somos muito grudados. Ele é um parceirão. Conversamos muito sobre tudo. Ele gosta de fazer muitas perguntas, brincamos muito juntos. Kauai é muito especial e tem uma compreensão mágica sobre a vida."

Para dar conta de uma rotina cheia de trabalhos, projetos, filho e outros integrantes da família para cuidar e amar, a atriz afirma que zela por sua saúde física e emocional. E revela também que não está mais namorando o ator Fernando Roncato, com quem assumiu compromisso em junho de 2017.

"Se não cuidar de si, uma hora dá um piripaque, né? [risos] Nesse momento, estou solteira, surfando muito e dedicada a capoeira e ioga. Voltei a ser vegetariana e tenho curtido ficar em casa escrevendo e ilustrando. Tenho meditado por volta de uma hora todos os dias. Nunca me senti tão forte, leve e decidida do que quero. Posso dizer que estou na melhor fase da minha vida!"

 

Confira o bate-papo da atriz e apresentadora na íntegra.

F5 - Como surgiu a ideia de fazer o documentário?
Danni Suzuki - Surgiu decorrente de meu envolvimento com a causa e minha busca de entender como eu poderia contribuir. A situação de refúgio hoje é alarmante na maior parte do mundo e, também, no Brasil. Viajei para o Oriente Médio para entender como estavam lidando lá com a situação e quais os tipos de projetos poderiam ser aplicados aqui. Entendi que fazendo o documentário era uma forma de despertar as pessoas para a situação e, principalmente, para o que acontece com as crianças dentro desse trágico cenário, e compreender a importância de socorrer toda uma geração abandonada na dor. 

Coração de mãe deve ficar em apertado ao ver a situação de crianças refugiadas?
Não só de uma mãe, mas de todos que se aproximam dessa realidade e se permitem ver o quanto é devastadora a disputa por poder e dinheiro. Como nossa fraqueza e ausência de responsabilidade perante a essa injustiça com crianças se torna também cruel. 

Como foi o dia em que você pisou pela primeira vez em um campo de refugiados?
Eu estava preparada para ver o que vi, e acho até que fui poupada de coisas piores. Pisar em um campo de refúgio só me deu mais forças para olhar por aquelas crianças que lá vivem e que precisam se reerguer. Esse tipo de experiência nos faz valorizar ainda mais o que temos e acaba se tornando uma oportunidade para sermos pessoas melhores e mais ativas a agir em nome do outro. 

Você se envolveu pessoalmente com alguma história a ponto de ter dificuldade de ir embora?
A vontade que dá é de trazer todos com você, de diminuir a fome e a dor dos que estão doentes e não têm para onde ir. São muitas crianças e me entristece pensar que elas logo crescerão e muitas não terão aprendido o sentimento de ter uma vida em paz com amor e oportunidades. 

Pode eleger um momento especialmente marcante que viveu por causa do documentário?
Entrar em uma cidade construída apenas para crianças órfãos me doeu. Eram mil crianças que perderam suas famílias ou qualquer referência de vizinhos ou parentes na fronteira da Síria com a Turquia. Quanto mais aprendo ali, mais sinto que nada sei sobre o ser humano. Soube que uma das crianças que entrevistei morreu. E hoje olhar para ela enquanto edito o material me faz me esforçar para não pensar em quantas mais perderemos para focar nas que vão conseguir crescer e ter alguma chance. 

Em quais países o documentário já rodou e qual o retorno que você já teve? 
Apenas Turquia, Líbano e fronteira da Síria. Ainda preciso voltar lá e ir para África e Ásia. Um primeiro momento em cada lugar acaba sendo ainda um reconhecimento de território. Dei uma pausa no documentário porque estava escrevendo uma série de dramaturgia. 

Tendo vivido experiências in loco, como avalia as informações que o público brasileiro tem acesso? 
As pessoas sabem superficialmente o que se passa e parecem não se importar por não se identificarem com o problema. O fato é que poucas pessoas estão despertas a entender que o equilíbrio que buscamos para a nossa própria vida, também provém da dedicação ao próximo, especialmente das crianças. 

Quais são os principais desafios para a conclusão do documentário?
Quero concluir o documentário por acreditar na importância desse despertar da humanidade em amor aos refugiados. E quero ajudar a ONG Aldeias Infantis, que tem feito um lindo trabalho acolhendo famílias refugiadas aqui no Brasil e as têm capacitado para se restabelecerem e se adaptarem a uma nova vida. Estamos montando uma creche no Rio de Janeiro, no espaço das Aldeias, para que as mães que estão tendo novas oportunidades possam trabalhar. Lá precisamos ainda de tudo: ajuda em recursos para pagar os funcionários que cuidarão das crianças, ajuda com mobílias, eletrodomésticos, comida, fraldas... Essa oportunidade de unir ideias e sentimentos em imagens, comunicando o que a alma quer dizer. 

Você compartilha as experiências deste projeto com Kauai?
Sempre. Eu faço questão de compartilhar com ele cada aprendizado e de aprender também com ele. 

Vocês são companheiros. Quais valores você busca ensiná-lo?
Somos muito grudados. Ele é um parceirão. Conversamos muito sobre tudo, ele gosta de fazer muitas perguntas, brincamos muito juntos. Kauai é muito especial e tem uma compreensão mágica sobre a vida. Estamos sempre fazendo passeios juntos na natureza e novos amigos. Assim como eu, ele adora conversar com todo mundo e viajar muito.

Soube que ele já fala inglês fluente. É mesmo?
Sim. Desde pequeno coloco os desenhos e filmes em inglês para ele assistir. Como crianças gostam de assistir várias vezes à mesma coisa, ele acabou memorizando com facilidade. Minha irmã também mora nos Estados Unidos, então, os primos dele são americanos e isso ajuda bastante também.

Você está se preparando para morar em Los Angeles? 
Estamos aguardando a documentação sair de vez para fazer base lá. A mudança de governo nos Estados Unidos e a nova política de Trump [Donald, presidente americano] deixou o processo um pouco mais lento, mas logo estaremos lá. Para a gente não muda tanto, porque continuo trabalhando aqui também. Como estamos sempre indo e vindo, não faz diferença. Sempre acreditei que nossa casa é dentro da gente. 

Quais são os seus trabalhos atuais, no Brasil e no exterior?
Acabei de escrever com Kauai um livro infantil. Também escrevi uma série, que está em negociações aqui [Brasil] e que pretendo dirigir [tanto o livro como a série ainda não têm título nem previsão de publicação]. Tenho o documentário para terminar e, para isso, preciso viajar bastante. Estou com o mercado aberto no cinema americano fazendo minhas primeiras audições. Tudo está fluindo bem e em equilíbrio. Agora é plantar. 

Pensa em voltar para TV como atriz ou como apresentadora? 
Sim. Estou aberta a trabalhar como atriz tanto no Brasil quanto no exterior. Apresentar também é algo que me engrandece a alma. Esse ano abro meu canal no YouTube, que estou preparando com muito amor e consciência. Será um canal inspirador para aproximar as crianças de seus pais e os pais de suas crianças. 

Como você faz para conseguir manter corpo e mente sãos?
Se não cuidar de si, uma hora dá um piripaque, né? [risos]. Nesse momento, estou solteira, surfando muito e dedicada a capoeira e yoga. Voltei a ser vegetariana e tenho curtido ficar em casa, escrevendo e ilustrando. Tenho meditado por volta de uma hora todos os dias. Nunca me senti tão forte, leve e decidida do que quero. Posso dizer que estou na melhor fase da minha vida! 

Que balanço pessoal e profissional você faz de 2018?
Um ano de muito aprendizado, descobertas e de profundo amor com a vida. Agora me preparo para voar.

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