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Celebridades

Rodrigo Simas se funde com Hamlet em peça com nudez e questionamentos

Ator vive sete personagens diferentes em 'Prazer, Hamlet', sua estreia em monólogos

Rodrigo Simas na peça 'Prazer, Hamlet' Ronaldo Gutierrez/Divulgação

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São Paulo

Ser ou não ser, eis a questão. A frase mais famosa de Shakespeare parece se encaixar no momento que vive Rodrigo Simas, 30. Mais conhecido pelos papéis de galã jovem em novelas da Globo, ele encarna seu maior desafio nos palcos com a peça "Prazer, Hamlet", dirigida por Ciro Barcelos, 69.

"Sem sombra de dúvidas, é uma forma de apresentar um Rodrigo mais maduro", diz o ator ao F5. "E também uma consequência do meu amadurecimento. É um primeiro passo, pessoal e artisticamente falando, que estou muito feliz de estar dando."

"Querendo ou não, a gente vai envelhecendo, né?", comenta. "Tem uma hora que a gente não é mais garotão. Não que eu esteja me sentindo velho, mas é aquela coisa... Não tenho mais 20 anos, então não tem mais desculpas. A idade vem com o peso das escolhas. A gente deixa de ser tão inconsequente."

Após uma rápida passagem por São José dos Campos (interior de SP), a peça chegou à capital paulista na última sexta-feira (7). O texto original foi escrito por Barcelos, misturando passagens da obra do bardo britânico ao qual o título faz referência com o drama de um ator que está prestes a estrear no papel do atormentado príncipe dinamarquês.

Trata-se de um monólogo, em que Simas vai se desdobrando em sete personalidades. Além do Hamlet clássico e do ator que o interpreta, também se destaca Hamlixo, espécie de alter ego contemporâneo do personagem. É este último quem instiga questionamentos como se o príncipe de fato amava Ofélia.

"É uma interação cênica entre esses personagens", antecipa o ator. "Eu entro no palco e não saio mais. Troco de roupa em cena e tenho todas essas mudanças na frente da plateia."

Apesar de ter o texto como aliado, ele avalia que essa é uma peça em que o movimento também é a estrela. "Não é um teatro verborrágico, tem muito de teatro físico e gestual, algo que eu amo", diz. "O Ciro já trabalhou com a Pina Bausch, tem um background muito potente nesse sentido. Acho também que eu ter feito capoeira desde novo me deu essa consciência corporal, que é onde eu me encontro."

Sobre o fato de, pela primeira vez, encarar sozinho o público, ele afirma que ainda não consegue mensurar o que significa essa incumbência. "Nunca imaginei fazer um monólogo tão cedo, sabe?", afirma. "Eu tinha uma ideia de que era me dar muita importância. Precisa ter muita coragem para assumir essa responsabilidade."

Para que isso pudesse acontecer, alguns fatores confluíram. Primeiro, o convite de Barcelos, que é amigo de sua família há tempos —Rodrigo Simas é filho dos atores Beto Simas e Ana Sang, além de irmão dos também colegas de ofício Bruno Gissoni e Felipe Simas. Os dois se cruzaram quando o ator participou do Dança dos Famosos, em 2012, do qual o diretor foi jurado, mas a vontade de trabalharem juntos só se concretizaria uma década depois.

O que também contribuiu para que ele tivesse a disponibilidade necessária para encarar o processo foi o fato de, assim como vem ocorrendo com a maior parte do elenco da Globo, ele não ter mais um contrato fixo com a emissora. "Como eu emendava um trabalho atrás do outro na TV, era difícil conseguir tentar me me explorar em outros lugares", comenta.

Apesar de ter saído com as portas abertas para trabalhos com contrato por obra —nesse modelo, ele já gravou uma temporada da série sobre Chitãozinho e Xororó para o Globoplay—, é difícil imaginar que na TV aberta ele consiga participar de montagens tão ousadas quanto as de Barcelos, um dos fundadores do grupo Dzi Croquettes, que teve espetáculos censurados durante a ditadura militar.

Pegando emprestado um pouco do espírito contestador do diretor, Simas não se furta de falar sobre política. "Fico muito feliz de conseguir estar no palco, fazendo arte, em pleno 2022, nesse ano caótico", comenta. "É um ano difícil, não só por causa das eleições, mas porque a pandemia mudou a vida de muita gente. Tenho esperança de que as coisas vão melhorar. Temos menos de um mês pela frente para isso e podem contar com o meu voto para mudar."

Mudança, aliás, tem sido a palavra de ordem na vida do ator, que platinou e raspou as laterais do cabelo para a peça. "Foi uma vontade que partiu de mim", revela. "Acho que me leva para um lugar diferente da imagem que fazemos do Hamlet, né? E eu também amei me ver num lugar diferente, acho que me ajudou no processo. Depois dessa experiência, vou querer sempre fazer cabelo diferente."

Como o texto também agrega elementos do conto nórdico "Amleth", que seria a inspiração direta de Shakespeare para a tragédia narrada em sua obra, a encenação ganhou cenários, figurinos e adereços inspirados nos vikings. A produção de arte é assinada por Claudio Tovar.

Em um dos momentos mais dramáticos em termos estéticos, Simas aparece em cena apenas com uma espécie de tapa-sexo de couro preto, que representa um cinto de castidade. "É uma metáfora da liberdade do personagem de se permitir o prazer", explica o ator, que diz não se importar com a nudez em cena quando ela está dentro de um contexto. "Quando faz sentido, não tem problema nenhum."

Assim como o intérprete, o personagem consegue se desfazer dessa amarra que o impede de explorar outras possibilidades. "Metaforicamente, sim", adianta Simas. "Ele ganha essa liberdade, consegue se libertar desse aprisionamento."

"PRAZER, HAMLET"

  • Quando Sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h (até 6/11)
  • Onde Teatro Itália Bandeirantes (avenida Ipiranga, 344 - República)
  • Preço De R$ 40,00 (meia) a R$ 80,00 (inteira)
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Rodrigo Simas
  • Direção Ciro Barcelos
  • Link: https://teatroitaliabandeirantes.com.br/detalhe/prazer-hamlet
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