Celebridades

Julgamento do cantor R. Kelly tem início com seleção do júri nos EUA

Ele é acusado de abusar de seis mulheres, que permaneceram anônimas

O cantor R. Kelly em foto feita pela polícia - HO/Chicago Police Department/AFP
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Maggy Donaldson
Nova York
AFP

O julgamento de R. Kelly, 54, ex-astro do R&B que enfrenta uma série de acusações de abuso sexual em vários estados americanos, teve início nesta segunda-feira (9), com a seleção do júri em um tribunal federal do Brooklyn.

Vestindo terno azul-marinho, Kelly parecia resignado enquanto começava o interrogatório dos jurados. Ele enfrenta acusações de extorsão, exploração sexual de um menor, sequestro, suborno e trabalho forçado, que vão de 1994 a 2018.

O advogado de Kelly, Deveraux Cannick, mostrou-se reticente ao ser questionado pela AFP sobre como se sentia. Sorrindo, ele disse: "Só mais uma segunda-feira". O músico, que nasceu Robert Sylvester Kelly e se encontra detido em uma prisão federal do Brooklyn, negou todas as acusações.

Todos os jurados em potencial permanecerão anônimos e parcialmente isolados durante o processo. Os depoimentos estão programados para começar em 18 de agosto.

Nova York é o primeiro estado em que Kelly será julgado, em conexão com uma série recente de acusações estaduais e federais em quatro jurisdições diferentes. Ele é acusado de abusar de seis mulheres, que permaneceram anônimas.

Acredita-se que Jane Doe #1, conforme identificada nos documentos judiciais, seja a cantora Aaliyah, que morreu em um acidente de avião, aos 22 anos, em 2001.

A acusação alega que Kelly pagou um funcionário do governo de Illinois, em 1994, para obter uma identidade falsa para se casar com uma menina menor. Kelly se casou com Aaliyah quando ela tinha 15 anos, e ele, 27, uma união que mais tarde foi anulada.

A acusação de Nova York detalha afirmações segundo as quais Kelly operava uma rede criminosa que sistematicamente recrutava e preparava mulheres jovens para terem relações sexuais com ele. Elas eram trancadas em seus quartos de hotel quando ele estava em turnê e instruídas a chamá-lo de "papai". Muitas das "recrutas" tinham menos de 18 anos, dizem os promotores.

DOCUMENTÁRIO

A acusação também diz que parte do trabalho da rede consistia em isolar meninas e mulheres e torná-las "dependentes de Kelly para seu bem-estar financeiro".

A seleção do júri deve prosseguir amanhã, para completar 12 titulares e seis suplentes. Fato incomum em um processo midiático, o público e os jornalistas irão acompanhar o julgamento por vídeo em outras salas, onde será difícil ver os eventuais elementos de prova apresentados ao júri.

Durante décadas, Kelly enfrentou acusações relacionadas a pornografia infantil, sexo com menores, funcionamento de uma seita sexual e agressão sexual. Ainda assim, o cantor de Chicago manteve uma base fiel de fãs e seguiu com sua carreira musical.

Em janeiro de 2019, no entanto, o lançamento do documentário "Surviving R. Kelly" o encurralou. O artista de R&B é hoje acusado em quatro casos, em três estados (Illinois, Nova York e Minnesota). Os juízes federais de Nova York e Chicago negaram a Kelly a liberdade sob fiança, alegando risco de fuga, entre outros motivos.

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