Celebridades

Marco Nanini diz temer por Regina Duarte e afirma que governo Bolsonaro é uma tristeza

'Desejo muito boa sorte para ela, mas não quero sair no pôster dela não'

Eusébio ( Marco Nanini ) em 'A Dona do Pedaço'
Marco Nanini como Eusébio em 'A Dona do Pedaço' - Globo/João Miguel Júnior
São Paulo

O ator Marco Nanini, 71, diz que vê com apreensão Regina Duarte, 73, como a nova Secretária Especial da Cultura, do governo de Jair Bolsonaro (PSL). Segundo ele, a atriz tem uma trajetória importante no cenário brasileiro da dramaturgia, mas vai entrar em uma seara absolutamente nova. "E cheia de tramas de verdade, não tramas que a gente pode controlar, porque já sabe o que vai acontecer como no caso de uma novela."

Nanini afirma que espera que Regina tenha forças e fôlego para enfrentar a função, especialmente sendo mulher em um governo que, a seu ver, é misógino. "Desejo muito boa sorte para ela (...) Mas não quero sair no pôster dela não", diz, em referência a foto que a atriz publicou em suas redes sociais com artistas que a apoiariam no cargo –a imagem causou polêmica, já que alguns atores, como Carolina Ferraz, pediram para ser retirados da publicação.  

O ator e Regina trabalharam algumas vezes juntos na televisão. A última delas foi quando a atriz fez participação como uma juíza em episódio de "A Grande Família" (Globo), de 2012 –na série, Nanini interpretava o pai de família Lineu, um de seus personagens mais populares. 

Para o ator, a administração de Jair Bolsonaro está assassinando a cultura. "É um desgoverno, não um governo, por termos uma pessoa autoritária, homofóbica, racista. É de uma tristeza profunda. É claro que no Carnaval, vai todo mundo sair e botar para fora, mas todos vão sofrer de alguma maneira."

Casado há 31 anos com o produtor Fernando Libonati, Nanini lamenta que ainda exista no Brasil muita violência contra homossexuais, contra a mulher e contra o negro. "É uma coisa impressionante, um problemaço."

O ator vê como algo positivo o fato de artistas, como Camila Pitanga, assumirem relações com pessoas do mesmo sexo. "Era algo proibidíssimo, mulher não podia olhar para o lado [no passado]. Acho que isso está florescendo, está bacana, é um movimento bonito. Cada um se expõe na hora que quer, acho importante. Foi bom para mim [assumir o relacionamento com Libonati], e eu falo por experiência própria, não por teoria."

Depois de estrelar em 2019 o filme "Greta" e a novela das nove "A Dona do Pedaço" (Globo), na qual interpretou dois papéis (os irmãos gêmeos Eusébio e Juninho), Nanini diz que está dando um respiro, "uma oxigenada na cabeça" para ver o que vai fazer. Além disso, ele conta que segue contratado pela Globo, no aguardo de uma nova proposta de trabalho. Atualmente, é possível ver o ator em "Brega & Chique", sucesso de 1987, que é reprisado no Viva. 

Questionado sobre como avalia o novo mercado para atores proporcionado pelas plataformas de streaming, como Netflix, Amazon e Globoplay, Nanini conta que ainda não "provou". O ator também comenta que não costuma ver séries. Assistiu "How to Get Away With Murder", que diz ter adorado. 

"Cinema também eu não consigo ver muito. Isso é uma falha, eu não falo me gabando não, acho que isso é uma falha de educação, de cultura", afirma. 

​Instagram, Facebook ou Twitter? Não espere encontrar Nanini compartilhando a sua vida nas redes sociais. "Dá muito trabalho. Não tenho essa curiosidade, não gosto de dedicar o meu tempo a isso", diz. Não que ele se incomode com quem usa, afirma. "Acho muito moderno e ótimo, só que não tenho jeito ainda."

Mas o ator conta que usa WhatsApp e diz que a internet é um bom espaço para fazer pesquisas. "Tem muita informação sobre qualquer assunto. Me comunico por email, por whatsapp...não fico carente não", conclui. 

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