Celebridades

Carol Garcia, de 'A Dona do Pedaço', diz não ter preconceito com mulheres que se prostituem

Atriz interpreta a personagem Sabrina, 'sugar baby' de Otávio (José de Abreu)

Sabrina ( Carol Garcia )
Sabrina ( Carol Garcia ) - Globo
Cris Veronez
Rio de Janeiro

De garota de programa a “sugar baby” do empresário Otávio (José de Abreu), a cômica Sabrina, interpretada por Carol Garcia, 29, ganha cada vez mais espaço em “A Dona do Pedaço”, novela das 21h da Globo.

“Essa relação é baseada em acordos claros, e não em prostituição. A sugar baby é uma acompanhante, e o sugar daddy paga as coisas para ela. Está tudo certo e ninguém é enganado nessa relação. Ela ganha um flat, uma mesada, caviar…”, explica a atriz.

Nos últimos capítulos da trama, Vivi Guedes (Paolla Oliveira) acabou descobrindo o caso da jovem com seu pai, o que culminou no fim do casamento dele com Beatriz (Natália do Vale). Tudo isso por causa de uma armação da ardilosa Fabiana (Nathalia Dill).

Desde que recebeu a missão de interpretar Sabrina, Garcia passou a questionar mais os próprios arquétipos. “Não tenho preconceito algum com uma mulher que escolhe se prostituir. Quando não é uma escolha é muito perigoso, e aí a gente abomina. Mas quando ela escolhe, é a história dela, o corpo dela, e ela faz com ele o que quiser. Se ela puder ganhar dinheiro com isso, por que não?”, reflete.

A atriz afirma que, em sua atual condição de vida, não se prostituiria: “Eu não faria porque tenho outras possibilidades na minha vida, mas se eu vivesse a realidade difícil de muitas mulheres com as quais conversei, não sei o que eu faria”.

Para construir a personagem, Garcia visitou a rua Augusta, uma das mais famosas quando o assunto é a diversão noturna de São Paulo. Ela conversou com prostitutas de rua e garante que o sofrimento não é uma regra para elas.

“Tem gente que ama fazer aquilo, e faz com a maior alegria. Mas tem muitas mulheres que falaram que a maioria das prostitutas de rua, como a Sabrina, trabalham muito para ajudar a família, e que são renegadas quando descobertas. Elas têm muita dor nesse momento, porque estão fazendo tudo em prol da família. Acho que a Sabrina tem esse vazio também, por isso que ela não quer contar para os familiares. Embora todo mundo saiba, ela mente até o fim, por causa do medo, do preconceito.”

Garcia afirma que uma das histórias que ouviu das garotas de programa da Augusta lhe tocou de maneira especial: a de uma mulher que era formada em gastronomia, trabalhava como esteticista e ainda assim se prostituía durante a noite para conseguir pagar as contas.

“Ela disse que tinha o desejo imenso de sair da prostituição um dia. Isso me tocou. Ela tem faculdade, trabalha durante o dia e ainda assim não consegue pagar o aluguel, a escola do filho dela, ajudar a mãe que estava doente… Isso tudo mexeu muito comigo.”

A atriz, que fez parte do elenco do canal “Parafernalha” (Youtube) por quatro anos, diz que tem recebido muito carinho do público da TV.

“Quando eu trabalhava na internet, recebia coisas horrorosas. Inclusive eu quase processei um cara. Agora é o oposto. As pessoas elogiam o jeito da Sabrina, dizem que ela é divertida e que aprendem com ela, repetem os bordões... Nesse lugar, a TV é diferente da internet. Eu recebia muitas mensagens por celular, agora recebo nas ruas e em todos os lugares.”

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