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Paulo Betti se defende e diz que mensagem foi vazada para Milton Gonçalves 'fora do contexto sindical'

'Falávamos de como iríamos enfrentar a chapa de Milton', diz ator

Milton Gonçalves move processo contra Paulo Betti e o acusa de racismo
Milton Gonçalves move processo contra Paulo Betti e o acusa de racismo - Reprodução/Agnews
Lucas Rezende
São Paulo

Paulo Betti, 66, afirmou que a mensagem que motivou a ação judicial movida contra ele por racismo é fruto de um vazamento e está fora do contexto da disputa pela presidência Sindicato dos Artistas do Rio de Janeiro.

À Folha, o ator afirmou ainda que Milton Gonçalves, que move o processo, não estava no grupo. "Interpelação é uma coisa muito vaga, mas que tem uma gravidade para mim, e vou responder judicialmente. A mensagem está dentro do contexto da disputa sindical e foi enviada há quatro meses."

Ele afirma que as trocas de mensagens ocorreram dentro de um grupo de WhatsApp que discutia a eleição e que haviam outras ideais sendo debatidas no mesmo círculo. "O contexto era o de montarmos uma chapa para concorrer com a do Milton [presidente atual do sindicato]. E estávamos falando de como iríamos nos preparar para enfrentá-la. É uma questão muito delicada. Minha primeira peça profissional como diretor foi com Ismael Ivo, ele ator. Meu filme 'Cafundó', com Lazaro Ramos", disse, referindo-se aos dois artistas negros.

Para Betti, o diálogo tinha como objetivo a escolha de nomes para compor sua chapa, que conta com a composição de Tonico Pereira, Zezé Polessa, Júlia Lemmertz entre outros. O ator, contudo, diz não ter mais a sequência da conversa, pois já teria deletado de seu celular. 

O ator disse ainda que não sabia quem ou o motivo que teria levado alguém de seu grupo a compartilhar esse diálogo com integrantes da chapa concorrente. O pleito para a presidência do Sindicato dos Artistas acontecerá em três datas: 29 e 30 de junho, e 1º de julho. 

ENTENDA A ACUSAÇÃO DE RACISMO

Os atores Milton Gonçalves, 85, e Jorge Coutinho, 85, são autores de uma ação que está na 33ª Vara Criminal do Rio de Janeiro no qual acusam Paulo Betti de racismo. Em 16 de abril deste ano, Betti publicou mensagem em grupo no WhastApp, batizado de "Profissão Artistas”, dizendo que "a atual diretoria do sindicato está lá há muito tempo e tem uma forte representação negra com Jorge Coutinho e o grande Milton Gonçalves, além do querido Cosme, isso complica bastante a luta, pois pode confundir as coisas". ​

No processo, a defesa de Milton e de Jorge afirma que as falas de Paulo Betti possuem "ambiguidade e dubiedade", e denotam interpretação imprópria. Diz ainda que a declaração é "infeliz ao fazer distinção entre negros e brancos, e são insinuações evidentemente maledicentes."

O juiz Daniel Werneck Cotta determinou que Betti apresente sua defesa em até 15 dias, a contar do último dia 13 de junho. A defesa se apoia no artigo 144 do Código Penal, no qual diz que, se Betti se recusar a dar explicações em juízo, ou o juiz entender que as explicações não são satisfatórias, ele deve responder pela ofensa. Caso condenado, Betti pode pegar de um a três anos de prisão, mais multa.

Milton Gonçalves e Jorge Coutinho querem que Betti esclareça em juízo o que quis dizer com suas declarações e responda a pelo menos três perguntas: "Que complicador seria o levantado por Betti diante o fato de Milton e Jorge terem forte representação negra? O que poderia “confundir as coisas”? Que coisas seriam essas? Que luta seria essa?"

"Embora não reste dúvidas quanto à hostilidade das palavras prolatadas por Betti, há real possibilidade de se aferir a prática de crime de injúria preconceituosa, dependendo do que declarar o interpelado”, diz a petição inicial. 

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