Zapping - Cristina Padiglione

APCA elege os melhores de 2022: confira a lista dos vencedores em TV

'Pantanal' levou três dos sete prêmios: Isabel Teixeira foi unanimidade entre os críticos

Isabel Teixeira como Maria Bruaca em 'Pantanal' - João Miguel Junior/Globo

Continue lendo com acesso ilimitado.
Aproveite esta oferta especial:

Oferta Exclusiva

6 meses por R$ 1,90/mês

SOMENTE ESSA SEMANA

ASSINE A FOLHA

Cancele quando quiser

Notícias no momento em que acontecem, newsletters exclusivas e mais de 200 colunas e blogs.
Apoie o jornalismo profissional.

São Paulo

Os membros da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA), nos segmentos de música, cinema, teatro, artes plásticas, arquitetura, literatura e TV (que embora nem sempre pareça, também é arte) se reuniram na noite desta segunda-feira, finalmente em reunião presencial --o que não ocorria desde o final de 2019 para discutir e definir quem foram os melhores de cada área em 2022.

Cada segmento contempla apenas sete criadores. Em televisão, área que compete a esta colunista, membro da associação, houve apenas uma unanimidade e ela atende por Isabel Teixeira, a Bruaca do remake de "Pantanal".

A novela "Pantanal" também foi premiada como a melhor do ano, com troféu destinado ao autor, Bruno Luperi, eixo central da proposta de fazer uma grande homenagem ao avô, Benedito Ruy Barbosa, autor da versão original. A iniciativa de um tributo era também o propósito da Globo, que recusou o projeto 32 anos antes e viu em 1990 a saga se transformar em um divisor de águas da teledramaturgia em outro canal, no caso, a Manchete.

Ainda de "Pantanal", o troféu de melhor ator ficou com Osmar Prado, pelo Velho do Rio. Derrotou seu filho na trama, José Leôncio, vivido por Marcos Palmeira.

Em TV, a APCA premiou ainda o Altas Horas como melhor programa de variedades do ano. Além da percepção de que a arena de Serginho Groisman honrou a volta da produção presencial com grandes musicais e ótimas conversas, o título se notabiliza ainda mais neste momento pela capacidade de se garantir por conta própria, com repertório nacional, sem formatos importados. E de resistir bravamente à ditadura dos algorítimos que têm contaminado conteúdo de todas as áreas, não só na TV, sem perder o encanto da audiência.

Em um ano com tantos documentários, ficamos com "Escola Base -- Um Repórter Enfrenta o Passado", de Valmir Salaro, com direção de Caio Cavechini e Eliane Scardovelli, no GloboPlay. Essa foi a categoria que mais dividiu os jurados, mas entendemos que a produção vai além da qualidade técnica que mensura pesquisa e realização, itens também presentes nos seus concorrentes. A revisão do repórter de um caso emblemático tem valor inestimável para um momento em que o jornalismo exibe a capacidade de autocrítica e de zelar pela informação com responsabilidade, o que tem faltado aos inimigos do ofício e a quem confunde a profissão com os corneteiros do WhatsApp e do Twitter.

Em comédia, ficamos com "Encantado's", série idealizada e escrita por Renata Andrade e Thaís Pontes, com texto final de Antonio Prata e Chico Mattoso para o GloboPlay. O enredo aborda o quase invisível Carnaval do 4º grupo de escolas de samba do Rio, longe dos holofotes da Sapucaí, sendo a primeira criação de duas roteiristas negras no Grupo Globo, maior produtor nacional. Esse conjunto da obra traz para a esfera das grandes produções um universo pouco explorado (porque até então desconhecido) pela indústria do audiovisual.

Contemplamos ainda a 2ª temporada de "Manhãs de Setembro", bela produção da O2 Filmes vista pelo Prime Video, com Liniker e Seu Jorge, na categoria de série dramática. Mas é preciso dizer que a 5ª temporada de "Sob Pressão" só ficou de fora do debate porque a série já foi contemplada em outras ocasiões pela associação, ganhando quase um status de hors concours.

Votaram na categoria de TV os críticos Edianez Parente (que se absteve só na categoria de documentário), Leão Lobo, Fabio Maksymczuk, Tony Góes, que é meu colega de Folha, e eu.