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Morre Alberico de Sousa Cruz, ex-diretor de jornalismo da Globo

Jornalista comandou a área desde a eleição de Fernando Collor até 1996

Alberico de Sousa Cruz, ex-diretor de jornalismo da Globo - Reprodução Globo Memória

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Morreu nesta terça-feira (10), aos 84 anos, o jornalista Alberico de Sousa Cruz, ex-diretor de jornalismo da Globo. Mineiro de Abaeté, ele recebeu diagnóstico de leucemia há dois anos e meio. Há uma semana, com a piora da doença, foi internado na Clínica São Vicente, na Zona Sul do Rio, onde morreu.

Sousa Cruz assumiu o jornalismo da Globo logo após a eleição de Fernando Collor de Mello para a presidência da República, em 1990. Sucedeu Armando Nogueira (1927-2010), que atribuía a Sousa Cruz, subordinado seu, a responsabilidade sobre a polêmica edição do último debate entre Collor e Lula no Jornal Nacional da véspera do pleito.

A edição reforçava a boa performance do então candidato do PRN sobre os piores momentos do candidato do PT. Nas palavras de Nogueira, o debate poderia ser comparado a um jogo de futebol em que Collor venceu Lula por 3 x 2, mas a edição do JN exibiu um compacto que se traduzia em 3 x 1.

Esse episódio foi alvo de vários debates internos no jornalismo da Globo e em faculdades e simpósios de jornalismo a respeito dos critérios que devem reger um trabalho como aquele. A própria emissora revisitou o assunto no livro "A Notícia Faz História", em comemoração aos 35 anos do Jornal Nacional, onde Nogueira, Sousa Cruz e outros profissionais da época falam sobre o caso.

Nogueira afirmou, na ocasião, que Roberto Marinho e João Roberto Marinho haviam concordado em manter no JN a mesma edição que foi ao ar no Jornal Hoje, mas nem pai nem filho reprovaram, à época, a reedição exibida no horário nobre.

"O episódio representou uma deslealdade de um escalão abaixo da minha direção. Eu tinha um diretor chamado Alberico de Sousa Cruz que, à minha revelia, juntamente com um editor chamado Ronald de Carvalho, deformou a edição que nós tínhamos exibido no jornal Hoje, versão inclusive aprovada por João Roberto Marinho", disse Nogueira no livro. "Aquilo foi um caso típico de deslealdade profissional desse rapaz, que era uma pessoa de minha confiança e que nega até hoje e vai continuar negando até o juízo final. Mas eu, no juízo final, continuarei a responsabilizá-lo por isso", concluiu.

O fato é que Nogueira deixou o cargo e Sousa Cruz foi alçado ao posto. E nunca mais houve edição de debate eleitoral em telejornal da emissora.

Sousa Cruz ficou no comando do departamento até 1995, quando a direção de jornalismo da Globo foi assumida por Evandro Carlos de Andrade (1931-2001), egresso do Jornal O Globo.

Alberico de Sousa Cruz começou a trabalhar no ramo ainda em Abaeté, nos anos 1950, no Jornal da Cidade, no Binômio e na versão mineira do Última Hora. No Rio, atuou no Jornal do Brasil, revista Manchete, na Veja. Em Brasília, atuou na sucursal de Brasília do Última Hora e em O Jornal, do grupo Diários Associados.

Chegou à Globo em 1980, convidado por Armando Nogueira, inicialmente como editor regional da emissora em Belo Horizonte. Dois anos depois, em 82, tornou-se diretor de telejornais comunitários da Globo no Rio. Em 1987, assumiu a direção dos telejornais de rede.

Em sua gestão na direção geral, iniciada em 1990, acompanhou grandes coberturas, como a Guerra do Golfo e a Rio 92, conferência mundial do clima. Sua saída do cargo marca também o fim da era do JN com apresentação de locutores, à época, com Cid Moreira e Sérgio Chapelin. A troca dos dois por jornalistas seria a primeira grande mudança apresentada pelo novo chefe, Evandro Carlos de Andrade, em 1996, com a chegada de William Bonner à bancada, então acompanhado por Lillian Witte Fibe.

Sousa Cruz foi também o primeiro diretor de jornalismo da RedeTV!, a partir de 1999, permanecendo no cargo até 2002, quando se aposentou.