SPFW

Lab colocou simplicidade da roupa da periferia na passarela da SPFW

Desfile da marca LAB na São Paulo Fashion Week N44
Desfile da marca LAB na São Paulo Fashion Week N44 - Miguel Schincariol / AFP PHPTO


Selo SPFW

No backstage, ao entrevistar Evandro Fioti, idealizador da Lab ao lado de seu irmão e cantor Emicida, ele conta que essa é sua coleção mais comercial até o momento. As peças são, de fato, simples. O que vem com elas, no entanto, é bem diferente do que costumamos ver na semana de moda paulistana.

A simplicidade da qual estamos acostumados é mais distante, europeizada, até. Roupas minimalistas não têm vez na coleção a —LAB isso porque elas não têm espaço na periferia. E é essa moda que vem do gueto que faz a marca dos irmãos tão especial.

"Através das metáforas de voo, escrita e canto, os três pilares da coleção, nós fizemos peças modernas que trazem ao nosso público uma sensação de liberdade", explica Fióti.

O nome desta coleção é "Avuá", uma alusão ao voo dos pássaros e ao futuro que isso representa. Liberdade é a palavra mais importante para falar deste desfile. Liberdade de ser, de ter, de vestir o que quiser. "Essas foram as possibilidades que o hip hop trouxe para as periferias de todo o mundo", explica.

Desfile da marca LAB na São Paulo Fashion Week N44
Desfile da marca LAB na São Paulo Fashion Week N44 - Miguel Schincariol / AFP PHOTO

São calças largas, shorts e blazeres de moletom, parkas de náilon com estampas de nuvens e jaquetas jeans com pinturas de penas. Tops transparentes com aplicações de patches, croppeds e até um ensaio de beach e underwear cruzaram a passarela. Tudo com um styling que vem da rua, com correntes de ouro e grandes pingentes, brincos com o logo da marca, mochilas douradas e bolsas que lembram sacolas de feira com a estampa da coleção.

Nada é novo, mas, ao mesmo tempo, é. Enquanto Emicida e Fióti contavam com a direção criativa de João Pimenta, que ajudou a marca a chegar em um patamar alto na SPFW, as peças tinham um DNA fashionista bem marcante. Hoje, apesar de comercial, a LAB apresentou sua verdade mais pura.

As peças são simples, nada novo, mas o clima que a marca de Emicida e Evandro Fíóti coloca na passarela é bastante complexo. Ao chamar cantores como Rael, Drik Barbosa, Kamau e Coruja, os irmãos —que também caminharam na passarela cantando versos de rap—, se firmam como um dos poucos representantes da moda não elitizada do evento. Um sopro de ar fresco bem-vindo— vide os aplausos de pé poucas vezes vistos durante a SPFW.



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