Tony Goes

Na briga com as operadoras, SBT, Record e Rede TV! mostram uma concepção antiga de TV

Silvio Santos em seu programa
Silvio Santos em seu programa - Divulgação


Em 1º de abril, quando foi desligado o sinal analógico de TV na Grande São Paulo, SBT, Record e Rede TV! sumiram do cardápio de quase todas as grandes operadoras de TV paga da cidade.

Aproveitando uma brecha na legislação, as três emissoras formaram a Simba Content, uma joint venture cujo principal objetivo era forçar as operadoras a remunerá-las, como já remuneram a Globo, a Band e centenas de canais fechados.

Mas Sky, Net, Oi e Vivo disseram não (a Claro fechou um acordo por fora). Alegaram que, para pagar a Simba, esta precisava oferecer mais do que apenas seus canais abertos. A Band, por exemplo, traz consigo também a BandNews, a BandSports e o Arte1, entre outros; a Globo investe há mais de 20 anos na Globosat, com dezenas de canais de todos os gêneros.

Já a Record tem a Record News, que é aberta. O SBT, nadica de nada. E a Rede TV!, menos ainda: nem mesmo sua grade inteira a emissora consegue preencher com programação própria.

A Simba chegou a cogitar um canal no estilo do Viva, que basicamente exibe reprises da Globo. SBT e Record de fato têm acervo para tanto. Mas surgiu um problema: as autorizações e o pagamento de direitos autorais para que esses programas antigos pudessem voltar ao ar.


O impasse parece estar chegando ao fim. A campanha feita pela Simba, para que o público cancelasse suas assinaturas de TV paga, não deu certo. E as três emissoras viram despencar tanto suas audiências quanto suas receitas publicitárias. Agora elas vêm dando a entender que poderão aceitar até mesmo centavos por cada assinante para poder voltar o quanto antes ao line-up das operadoras paulistanas.

E vão voltar a seco, do mesmo jeito que estavam antes. Os novos canais ficaram para um futuro indefinido. No frigir dos ovos, o embate serviu para mostrar como as cúpulas das emissoras da Simba ainda estão presas a uma maneira de assistir TV que está em franca extinção.

O público ama Silvio Santos, mas não está disposto a qualquer sacrifício para continuar sintonizando-o. Também gosta das novelas bíblicas da Record, mas sabe que existem muitas outras opções (fora que elas vivem sendo reprisadas, os fãs mais empedernidos já devem conhecê-las de cor).

Nessa nova realidade, todas as emissoras, abertas e fechadas, estão correndo atrás do espectador, que se enfronhou na internet. A Globo agora aposta pesado na GloboPlay, sua plataforma de streaming, onde disponibiliza temporadas inteiras de séries que ainda nem foram ao ar. É uma tentativa se encaixar nos novos hábitos de consumo de conteúdo, que vêm se libertando dos horários fixos e dos intervalos comerciais.

Record, SBT e Rede TV! já permitem que sua programação seja assistida online, e de graça. É um avanço e tanto, mas ainda é pouco. Para atingir essa nova audiência, precisam ampliar e variar tanto o que oferecem quanto a maneira como oferecem, e rápido.

Caso contrário, perigam seguir o caminho da Manchete, da Tupi, da Excelsior e de tantas outras emissoras que não existem mais.

Tony Goes

Tony Goes tem 56 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.blogspot.com

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