Thiago Stivaletti

Um apelo: vejam 'A Regra do Jogo'

Eu sei, ninguém mais hoje em dia liga muito pra novela. Tá todo mundo vendo suas séries. Mas faço um apelo: assistam "A Regra do Jogo" (Globo). É a melhor novela no ar desde "Avenida Brasil", e teve uma semana eletrizante pra ninguém botar defeito.

"A Regra" já virou aquelas novelas que você não pode perder dois capítulos que já fica mais perdido do que cego em tiroteio. Se não estava em casa, é preciso dar uma passadinha no site da novela pra ver como terminou a coisa.

Na semana passada, Juliano (Cauã Reymond) peitou Romero (Alexandre Nero) e a máscara caiu. Tóia (Vanessa Giácomo) descobriu os dois grandes segredos da sua vida: Romero é filho de Djanira (Cássia Kiss) e ela é uma sobrevivente do massacre de Seropédica (por mim a novela podia ter esse título bizarro e maravilhoso: "Massacre em Seropédica"). Envenenada por Romero, terminou o noivado com Juliano. Atena (Giovana Antonelli) enfrentou pela primeira vez o poderoso Tio da Facção (Jackson Antunes).

Para terminar, Djanira, talvez a melhor personagem da novela, foi assassinada em pleno casamento (já abortado) de Tóia e Juliano, num tiroteio que envolveu a facção e os policiais de Dante (Marco Pigossi). Novela boa é assim: de vez em quando, tem que juntar quase todo o elenco numa grande cena-clímax onde tudo explode.

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Matéria importada do Spiffy News

Agora dá pra entender o que o Carneiro quis dizer quando falou que "A Regra" está mais próxima de "A Favorita" do que de "Avenida Brasil". Zé Maria (Tony Ramos) é a nova Flora (Patrícia Pillar) - parecia um inocente perseguido, mas revelou-se um bandido casca grossa. E a trama se concentra perigosamente (esqueça a verossimilhança) em apenas cinco personagens grudados: Romero, Tóia, Juliano, Djanira e Zé Maria - com Atena, Ascânio, Dante e toda a facção correndo por fora. Zé Maria, pai de Juliano, matou o pai de Tóia, que é irmã de Romero, que é pai do policial que persegue o Zé Maria, e assim por diante.

OK, os núcleos cômicos estão longe de ser muito engraçados. A família do Feliciano (Marcos Caruso) só arranca meios sorrisos, e aquele casal de classe média que mudou pra favela (Bruno Mazzeo e Monique Alfradique) é insuportável. O triângulo amoroso do MC Merlô (Juliano Cazarré) é um pouco melhor, mas o funkeiro vai ter que rebolar muito pra segurar uma novela inteira. Mas o bom é que os autores estão concentrando capítulos inteiros na ação principal, deixando de lado os núcleos cômicos.

Enfim, é preciso dizer: a Globo continua se esforçando em colocar às nove da noite uma trama interessante, com um mínimo de complexidade, personagens ambíguos, sem historinhas de amor melosas. Mas é só fazer uma consulta com amigos em volta para entender: o público que poderia gostar de "A Regra do Jogo" simplesmente não deu uma chance à novela. Enquanto isso, os cristãos de "Os Dez Mandamentos" continuam fiéis à Record. É uma pena, mas parece que à Globo não vai sobrar outra saída a não ser voltar a investir em historinhas bobas, água com açúcar, que não machucam ninguém.


Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

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