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'Felizes para Sempre?' e a escola 'soft porn' da HBO

29/01/2015 - 11h31

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Cinco casais vivem dilemas diferentes numa Brasília dividida entre construtores e políticos corruptos e estudantes revoltados. Dá pra resumir assim a trama de "Felizes para Sempre?", a minissérie em dez capítulos que a Globo estreou esta semana.

A emissora segue firme na proposta de mostrar que pode fazer séries tão boas quanto as americanas. A direção geral é de Fernando Meirelles, de "Cidade de Deus?". A fotografia meio cinza, esbanjando certa frieza nos apartamentos luxuosos. O elenco, sem reclamações. Adriana Esteves faz seu grande retorno depois de mais de dois anos de molho pra tentar o impossível: fazer o povo esquecer da inesquecível Carminha de "Avenida Brasil". Enrique Diaz como Cláudio, o irmão mais velho e mais corrupto, sempre mostra a falta que faz na TV.

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Parece que a tônica forte da série vai ser aquela boa dose de sexo que a Globo só se permite depois das 11h da noite - e aí parece que Meirelles e o autor, Euclydes Marinho, beberam muito na fonte da HBO, que há anos produz séries picantes pra classe média entediada. De "Hung" a "Girls" e "True Blood" nos EUA, passando por produções brasileiras como "O Negócio", o que não falta é aquele conteúdo "soft porn" que sempre dá o que falar. No segundo capítulo, a tentativa de ménage entre o casal Cláudio e Marília (Maria Fernanda Cândido) e a garota de programa Denise (Paolla Oliveira) deixou muitas possibilidades em aberto. A corrupção em Brasília é um subtexto interessante, mas claramente vai ser deixada em segundo plano.

O que falta ainda é a Globo se livrar um pouco da tradição das novelas nesses novos formatos. OK, a trilha sonora é menos xaropenta, não há closes constrangedores - mas conflito de casal é algo que as novelas já exploraram mil vezes, e fica difícil surpreender. E ainda dá tempo de tirar aquelas perguntas no final de cada capítulo - não acrescentam nada ao que a gente acabou de ver.

Resta ver como a série vai desenvolver o caso entre Norma, uma professora de sociologia nos seus 60 anos, e Guilherme, seu colega bem mais jovem. Pode ser com ousadia ou de um modo beeem conservador. Vamos torcer.

Thiago Stivaletti

Thiago Stivaletti é jornalista, crítico de cinema e noveleiro alucinado. Trabalhou no "TV Folha", o extinto caderno de TV da Folha, e na página de Televisão do UOL. Viciou-se em novela aos sete anos de idade, quando sua mãe professora ia trabalhar à noite e o deixava na frente da TV assistindo a uma das melhores novelas de todos os tempos, "Roque Santeiro". Desde então, não parou mais. Mesmo quando não acompanha diariamente uma novela, sabe por osmose todo o elenco e tudo o que está se passando.

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