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Meteorito de 1,3 kg atravessa o telhado e cai na cama de mulher canadense

'Minha cara ficou coberta com os restos do gesso da parede', disse ela

Meteorito que atingiu casa de Ruth Hamilton no Canadá - Ruth Hamilton/The New York Times
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John Yoon Vjosa Isai
The New York Times

Ruth Hamilton estava no mais profundo sono na província canadense da Colúmbia Britânica, mas acordou com os latidos de seu cachorro, seguidos por “uma explosão”. Ela se levantou correndo e acendeu a luz, e percebeu que havia um buraco no teto. Segundo o relógio, eram 23h35.

Inicialmente, Hamilton achou que uma árvore tinha caído sobre sua casa. Mas não: as árvores continuavam em seus lugares. Ela telefonou para os serviços de emergência e, enquanto estava ao telefone, percebeu um grande objeto de cor cinza carvão no meio de seus dois travesseiros florais.

“Oh, minha nossa”, ela se lembra de ter dito ao telefonista. “Tem uma pedra na minha cama”. Mais tarde ela foi informada de que se tratava de um meteorito.

A rocha de 1,3 kg, do tamanho de um punho masculino cerrado, havia atingido a cama bem perto da cabeça de Hamilton, deixando “minha cara coberta com os restos do gesso da parede”, ela disse. O momento de grande perigo pelo qual ela passou na noite de 3 de outubro a deixou abalada, mas cativou a internet e ofereceu aos cientistas uma oportunidade incomum de estudar uma rocha espacial que caiu na Terra.

“Parece algo muito surreal”, disse Hamilton em entrevista na quarta-feira (13). “Mas volto lá para conferir meu quarto e, sim, continua a haver um buraco no teto. Sim, aconteceu mesmo".

Meteoroides atingem a Terra a cada hora, dia após dia. Se forem grandes o bastante, sobrevivem à passagem pela atmosfera terrestre e atingem a superfície, se tornando meteoritos. Pessoas os colecionam. Alguns vão parar em museus. Outros são vendidos no eBay. Em fevereiro, a casa de leilões Christie’s realizou uma venda recorde de meteoritos raros, e arrecadou mais de US$ 4 milhões (R$ 22 milhões).

Na noite em que o meteorito interrompeu o sono de Hamilton em Golden, uma cidade de 2.700 moradores cerca de 700 quilômetros a leste de Vancouver, outros canadenses ouviram dois estrondos ruidosos e viram uma bola de fogo cortando o céu. Alguns registraram o fenômeno em vídeo, de acordo com pesquisadores das Universidade de Calgary.

Depois que Hamilton ligou para o serviço de emergências, o policial que foi à sua casa sugeriu inicialmente que a rocha poderia ter se originado de uma explosão em uma obra rodoviária em uma estrada próxima. Mas os operários não tinham realizado qualquer explosão naquela noite. Em seguida, o policial arriscou um novo palpite. “Acho que um meteorito caiu na sua cama”.

Hamilton não conseguiu mais dormir naquela noite, disse, e ficou sentada em uma cadeira, tomando chá, enquanto o meteorito continuava em sua cama. Ela disse a veículos locais de notícias que inicialmente guardou a informação para si, mas posteriormente relatou o episódio a pesquisadores da Universidade de Ontário Oeste, onde o professor Peter Brown confirmou que a rocha era um meteorito, “de um asteroide”.

Hamilton, que é aposentada e costumava ser gerente da câmara de comércio local, também contou sobre o acontecido a parentes e amigos. “Minhas netas agora podem dizer que a avó quase foi morta na cama por um meteorito”, ela disse.

Meteoritos já atingiram casas e jardins de outras pessoas, no passado. Em 1982, uma pedra de 2,7 kg atingiu uma casa em Wethersfield, Connecticut, perfurando o telhado e o teto do segundo e do primeiro andar, e rolou pela sala de visitas, ricocheteando e passando por uma porta, antes de parar na sala de jantar. Em 2020, um fabricante de caixões indonésio passou por um grande susto quanto um meteorito de dois kg atravessou seu telhado.

A probabilidade de que, em qualquer dado ano, um meteorito atinja a casa de alguém e caia em uma cama é de cerca de um em 100 bilhões, disse Brown.

A rocha que atingiu a casa de Hamilton foi um dos dois meteoritos que caíram em Golden naquela noite. Pesquisadores a cerca de 260 km a oeste da cidade, em Calgary, disseram ter viajado a Golden para encontrar a segunda rocha, em um campo a cerca de 1,5 km da casa de Hamilton, depois de triangular sua localização com base em fotografias e vídeos enviados por diversas pessoas da área.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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