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Bonecas sexuais que falam, um remédio para a solidão na China

Elas podem manter conversas profundas e ajudar com as tarefas domésticas

Trabalhador prepara bonecas de silicone em uma fábrica da Exdoll, localizada na cidade portuária de Dalian
Trabalhador prepara bonecas de silicone em uma fábrica da Exdoll, localizada na cidade portuária de Dalian - Fred Dufour-1°.fev.2018AFP

Joanna Chiu

As bonecas sexuais da "nova geração" falam, tocam música e colocam para funcionar uma máquina de lava-louças se for pedido. Na China, com muito mais homens do que mulheres, uma empresa oferece mulheres feitas de silicone para solteiros e idosos que sofrem de solidão.

Os corpos nus das bonecas estão alinhados na oficina da empresa especializada Exdoll, localizada na cidade portuária de Dalian (nordeste). "Como você se chama?", pergunta o programador de jaleco branco a uma loira com camisola transparente.

"Me chamo Xiaodie, mas você pode me chamar de 'baby'", responde ela em mandarim com voz de robô. O engenheiro pede que toque uma música. Dito e feito. A boneca emite uma balada tradicional.

A Exdoll se baseia nos progressos da inteligência artificial para criar bonecas capazes de se expressar. Seu objetivo é combater a solidão dos solteiros, idosos e deficientes. 

Na China, o desequilíbrio entre homens e mulheres é enorme: 33,6 milhões a mais de homens do que mulheres em uma população de 1,4 bilhão de habitantes. Isso se deve à chamada política do filho único que, entre os anos 1970 e 2015, proibia que a maior parte dos casais tivesse mais de um descendente.

MINISSAIA E SILICIONE

A preferência pelos homens --que transmitem o sobrenome e quando adultos fornecem mão de obra à família-- levava alguns casais a recorrer a abortos seletivos. Atualmente, no país nascem 114 meninos a cada 100 meninas, uma defasagem muito maior em relação à média mundial. O envelhecimento rápido da população leva a um grande número de idosos viúvos.

"A China tem uma escassez de mulheres. É um fator que alimenta a demanda de nossos produtos. Mas nossas bonecas não se limitam a propor sexo", explica Wu Xingliang, diretor de Marketing da Exdoll.

Sentado entre duas bonecas --uma com minissaia e outra com uniforme de aluna japonesa--, Wu  está convencido de que a empresa para a qual trabalha pode resolver alguns problemas sociais.As bonecas inteligentes "podem manter conversas profundas e ajudar com as tarefas domésticas. No futuro, inclusive, poderão prestar assistência médica", afirma.

Xiaodie está equipada com uma função Wi-Fi similar ao sistema Siri dos iPhones. Pode navegar pela Internet, ser controlada via smartphone e responder às ordens vocais.A  moça virtual, que custa 25 mil iuanes (cerca de 3.200 euros, US$ 4.000), também liga e desliga eletrodomésticos conectados, como as lava-louças.

"MAIS EXCITANTE"

A empresa, que emprega 120 pessoas, começou a desenvolver as bonecas-robôs em 2016 e sairão à venda nos próximos meses. A cada mês o grupo também fabrica cerca de 400 bonecas "tradicionais" sob medida. Os clientes podem escolher a altura, o tamanho dos seios, a quantidade de pelo púbico, a cor da pele, dos olhos e do cabelo.

A Exdoll confia em melhorar seus modelos no futuro, acrescentando reconhecimento vocal, expressões faciais complexas e a capacidade de seguir o usuário visualmente. "Queremos um robô com o rosto mais bonito possível e o corpo mais excitante possível", resume Qiao Wu, diretor de Desenvolvimento da empresa.

Segundo ele, as primeiras bonecas com inteligência artificial ultrarrealistas estarão disponíveis daqui a dez anos.

A China fabrica mais de 80% dos brinquedos sexuais produzidos no mundo. O setor emprega um milhão de pessoas no país e representa 6,6 bilhões de dólares em volume de negócio. O curioso é que estas bonecas-robôs não desagradam os defensores chineses dos direitos das mulheres.

"Um grande número de homens espera o mesmo das mulheres: sexo, tarefas domésticas, filho. Não as consideram indivíduos", declara a militante feminista Xiao Meili. "Se todos estes desgraçados comprarem uma boneca, livrarão um certo número de mulheres destes tipos".

AFP
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