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De Anitta a Matheus Mazzafera, famosos comentam Dia do Orgulho LGBTQIA+

Artistas citam resistência e conquista como parte da celebração

Artistas LGBTQIA+: Anitta, Gustavo Rocha e Nick Cruz Montagem

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São Paulo

Morte, intolerância, resistência e conquista. Palavras tão diferentes e com significados tão variados, mas todas usadas para definir a importância do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, criado no final da década de 1960 e celebrado ao redor do mundo nesta segunda-feira (28).

O movimento deriva da Revolta de Stonewall, ocorrida em Nova York, em 1969. Gays, lésbicas e travestis colocaram fim a agressões que sofriam em batidas policiais no bar Stonewall Inn. O grupo resistiu por três dias, e o ato virou um marco por mais igualdade de direitos, sendo lembrado desde o ano seguinte.

Mais de 50 anos depois, a comunidade LGBTQIA+ continua lutando. Segundo o Trans Murder Monitoring (Observatório de Assassinatos Trans, em inglês), o Brasil lidera os assassinatos de pessoas trans, com 124 casos entre janeiro e setembro de 2020, seguido por México (45) e Estados Unidos (24).

Para marcar a data, o F5 reuniu declarações de celebridades que integram a comunidade, convidados a responder à pergunta: "O Brasil passa por um momento mais conservador, com constantes ataques a comunidade LGBTQIA+. Por que é importante ter o Dia do Orgulho LGBTQIA+?". Veja os depoimentos:

Matheus Mazzafera, influenciador e youtuber

Esse dia reforça a importância de não calarmos nossas vozes. De nos empenharmos, cada vez mais, para que os nossos sejam vistos, acolhidos, respeitados. Não é apenas sobre uma data. É sobre vida, resistência e conquistas. Esse dia abre diálogos e traz luz para informações, e é isso que nos faz evoluir como sociedade

Anitta, cantora

O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo. Esse único dado já basta para que nós falemos com todas as letras que temos orgulho de ser quem somos, não só no dia 28 de junho, não só no mês do orgulho... mas durante todo o ano, todo dia.

Viver no Brasil (e em muitos países no mundo) sendo LGBTQIA+ já é por si só um ato político e de resistência. É necessário que pessoas dentro dessa comunidade se vejam representadas em todos os lugares e possam sonhar e se realizar. O dia do orgulho é uma data de luta pelos direitos que todos os indivíduos debaixo dessa bandeira de arco-íris.

Jared Amarante, jornalista e escritor

Esse é o país em que as vidas LGBTQIA+ são desprestigiadas e isso é, sim, reflexo de uma população desinformada, de um presidente com falas violentas e de uma ignorância coletiva. Então um dia como esse faz com que celebremos a vida, porque é isso que é mais tirado no Brasil. Uma data assim diz muito sobre ocuparmos espaços, termos protagonismo e, claro, conscientizar sobre a diversidade da vida, uma vez que estamos num Brasil com desejo de matar essa população

Nick Cruz, cantor

O Dia do Orgulho LGBTQIA+ é fundamental para dar visibilidade às questões de gênero, ampliar os debates sobre causas tão relevantes na sociedade atual e celebrar quem deve, sim, ter orgulho de suas lutas e trajetórias, que raramente são fáceis, já que o Brasil é o país em que mais se mata pessoas dessa comunidade no mundo.

Não podemos deixar para falar de pautas de tamanha importância apenas nesta data. Diferente de muitas pessoas trans, eu tive a oportunidade de seguir o meu sonho e conquistar o meu espaço no mercado. Me sinto muito privilegiado por poder representar a minha comunidade através da arte. O meu desejo é que cada vez mais pessoas LGBTQIA+ possam ter chances para seguirem seus sonhos e que os obstáculos e o preconceito que encontramos no caminho diminuam.’

Gustavo Rocha, influenciador

O Brasil está no topo da lista dos países que mais nos matam. Pode parecer inacreditável, mas existem países em que você pode ser morto por amar outra pessoa. Por isso a importância do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.

É importante para que as pessoas se informem e saibam que nós estamos aqui vivendo e resistindo. Ainda que não tenha pessoas LGBTQIA+ dentro da sua "bolha", ou seja, dentro do seu círculo social, não se informar sobre o que passamos a vida inteira é negar nossa existência dentro da sociedade.

Quantas pessoas se reprimiram a vida inteira, quantas vidas se foram por não poderem ser quem são… Não há nada pior do que isso! Espero que, nesse dia tão marcante para nós, haja uma grande reflexão sobre tudo isso. Só queremos viver com amor, respeito e felicidade.

Clarissa, atriz e cantora

Acho que esse tipo de data serve para levantarmos pautas e falarmos sobre a relevância da luta LGBTQIA+ no Brasil. Os números continuam alarmantes, a violência ainda nos cerca e isso precisa ser dito. É momento de sentirmos orgulho de quem somos, de reafirmar nossas identidades e gritar para o mundo que o amor não tem fronteiras, que a individualidade e especificidade de cada um é algo a ser celebrado, não oprimido.

Romero Ferro, cantor

É extremamente importante celebrarmos o mês do orgulho, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Valida e fortalece a luta por respeito a nossa comunidade! Mas é fundamental pensar que não somos, nem estamos apenas atidos a uma sigla, a um mês, a uma playlist, a um especial de TV.

Queremos respeito e orgulho todos os meses, nós temos o direito de ocupar todos os lugares, e ninguém tem que concordar com a nossa existência. A existência de cada um cabe apenas a si! Todes nós, LGBTQIAP+ ou não, somos diferentes, e consequentemente amaremos diferente. Precisamos naturalizar a vida humana independente de cor, forma, gênero e qualquer outra característica que tenhamos

Tiago Abravanel, ator

A importância de ter essa comemoração do Dia do Orgulho LGTBQIA+ está ligada, não só à celebração das conquistas nesses anos todos de dificuldade, mas também à luta pelo que a gente ainda precisa conquistar, que é o respeito, a igualdade, o amor e a representatividade.

Daya Luz, cantora

Infelizmente, estamos atravessando um momento de ameaça, de retrocesso e não podemos perder tudo que conquistamos até aqui. Datas como essa são necessárias para refletirmos nosso papel na sociedade e, também, é uma oportunidade para vermos quem são os nossos aliados. É tão importante ver como marcas, veículos de comunicação e entidades estão a cada ano planejando mais ações e investindo em uma agenda no mês do orgulho. O resultado de tantas ações é ver o movimento ganhando mais voz e sendo fortalecido. É algo extremamente essencial nesses tempos de tanta dor.

Tiffany Abreu, esportista

O Dia do Orgulho LGBTQIA+ é importante porque é uma data em que a gente mostra ainda mais para a sociedade o que nós passamos diariamente, e que necessitamos de mais apoio político, social e familiar. A gente está perdendo crianças, jovens, adolescentes por causa da LGBTQfobia. Então é muito importante reafirmar nossa existência e que vamos continuar lutando pelos nossos direitos sempre.

Chameleo, cantor

A importância do Dia Internacional do Orgulho LGBT no Brasil é falar sobre aceitação e representatividade. Não somos invisíveis e precisamos ser ouvidos, a sigla mostra essa nossa força. É importante ter um dia dedicado à comunidade para que saibam que somos grandes e, além disso, para que saibam que resistimos. A importância dessa data também é a nossa reivindicação para estarmos inseridos no mercado, na cultura e em todos os lugares que quisermos.

Urias, cantora

Ter uma data que simboliza toda a luta de um ano inteiro é essencial para que o discurso de ódio seja extinto e possa sempre prevalecer o amor e a compreensão, pois a diversidade deve ser respeitada por todos. A comunidade LGBTQIA+ nunca deixará de lutar por seus direitos e por dias onde não teremos mais que explicar que cada um merece seu espaço nesse mundo que é de todos.

Anne Mota, atriz e influencer

É importante ter o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ e também termos o Dia da Visibilidade Trans, em 28 de janeiro, porque precisamos falar dessas vidas que são muito invisíveis, principalmente quando falamos de mulheres trans, homens trans e travestis.

No Brasil, a expectativa de vida de uma pessoa trans é de 35 anos, somos o país que mais mata pessoas trans. Não é o país que mais mata pessoas LGBT cisgêneras, mas ele é o país que mais mata pessoas trans em um ranking mundial.

Então estar no Brasil, acordar sendo quem você é, ir para a padaria e fazer suas necessidades básicas sendo quem você é, é extremamente perigoso. No Brasil, é normalizado uma vida trans ser perdida todo dia. Tivemos recentemente o caso de uma mulher trans no Recife que foi queimada viva.

Só depois de muita guerra, depois de nós, pessoas trans, que começamos a tentar viralizar o caso para chegar nas mídias e autoridades, esse caso começou a ganhar uma certa notoriedade. Antes, ninguém sabia o que estava acontecendo, além da própria comunidade trans. Então somos só nós por nós, lutando por nós e isso é absurdo. Então precisamos de um dia para conscientizar a população.

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