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Famílias recorrem à tecnologia para driblar a saudade na Páscoa em meio à quarentena

Confira dicas para fazer vídeochamadas

A revisora de texto Patricia Calazans, 46, fará chamadas de vídeo com as sobrinhas
A revisora de texto Patricia Calazans, 46, fará chamadas de vídeo com as sobrinhas - Rivaldo Gomes/Folhapress
São Paulo

Reuniões familiares, beijos e abraços terão que ser postergados nesta Páscoa. A data que celebra a ressurreição de Cristo e a liberdade do povo judaico será comemorada dentro de casa e sem qualquer manifestação física de carinho.

Tudo isso por causa da pandemia do novo coronavírus, que pode ser transmitido por meio de gotículas de saliva. A tecnologia, contudo, possibilita encontros entre pessoas que se amam. Afinal, não faltam softwares e aplicativos para a realização de chamadas em vídeo.

A diretora comercial Audrey Alessandra Luz, 49, de Santo André (ABC), fará o almoço de Páscoa com os filhos, o designer João Felipe Dias, 29, e o estudante Gustavo Luz Dias, 21, mas estará longe dos pais, dos irmãos, dos cunhados e dos sete sobrinhos.

Para driblar essa quebra de tradição, a família Luz —que tem o costume de fazer festa toda semana e não se vê há um mês— já marcou uma vídeochamada. "Já estamos sentindo falta um do outro. O amor em preservar, no entanto, é maior do que ver e abraçar neste momento", diz Audrey.

Acostumada com encontros numerosos durante o Pessach (Páscoa judaica), a jornalista Raquel Budow, 57, passará a data apenas com o pai Gierszon Budow, 88, no apartamento dele no Bom Retiro (região central). É lá que os dois estão isolados. Como o encontro com os irmãos e cinco sobrinhos-netos ainda não tem data para acontecer, ela fará uma chamada em vídeo para dar um "alô" para as crianças.

"Estamos chateados. As tradições judaicas são riquíssimas e gostamos de celebrá-las em conjunto. Só que há uma pandemia. Podemos pular [a festa] neste ano para nos proteger e estarmos juntos em breve."

CRIATIVIDADE

A revisora de texto Patrícia Calazans, 46, moradora da Vila Madalena (zona oeste), montou uma operação que envolve até disfarce para entregar ovos de chocolate para as sobrinhas, de 6 e 2 anos. Ela pretende ir de carro até a casa das meninas, em Santo André, para deixar os presentes e vê-las a distância.

"Quero gravar [a cena] para ver a reação delas. Depois vou mostrar o vídeo para minha mãe, que também está sem vê-las." Para não correr o risco de ser reconhecida, Patrícia vai usar uma peruca da Janis Joplin. "Se elas me reconhecerem, vai ser difícil falar 'não' para um abraço."

O delivery de ovos de chocolate, aliás, é o que está salvando a Páscoa da confeiteira Adriana Uchiyama, 49, de Pirituba (zona norte). "As encomendas estavam paradas e tive a ideia de fazer uma parceria com um motoboy, que é meu vizinho. Desde então, tive um boom de vendas", conta. É a primeira vez que ela recorre a este tipo de entrega.

Para o médico infectologista Rafael Pardo, da SPDM (Sociedade Paulista de Desenvolvimento da Medicina), as famílias estão certas em recorrer à tecnologia. O especialista lembra que, mesmo que as mãos sejam lavadas com água e sabão ou higienizadas com álcool em gel, as visitas podem levar o vírus de diferentes formas —​não se sabe ao certo quanto tempo o coronavírus sobrevive em superfícies como maçanetas, por exemplo, mas alguns estudos mostram que pode viver até 72 horas em materiais como aço inox e plástico.

“Isolamento social significa que é para ficar em casa, sem receber ou fazer visitas. Isso diminui as chances de contágio”, diz.

Viagens de ônibus para visitar parentes? Nem pensar. “Durante a pandemia, o transporte público deve ser usado apenas em caso de extrema necessidade. E o almoço de Páscoa não parece ser o caso”, alerta o infectologista. Quanto às recomendações para as refeições, são bem parecidas com as boas regras de etiqueta. “Não divida talheres ou copos, nem pegue comida do prato de outra pessoa”, diz Pardo.

Ainda não há um antídoto ou a cura para a Covid-19, mas o distanciamento social tem mostrado que aqueles que se amam mesmo dão sempre um jeitinho de estar perto.


Dicas de como filmar

  1. Antes de começar uma chamada, limpe a câmera frontal do seu aparelho; isso possibilita uma transmissão de melhor qualidade.

  2. Procure enquadrar o seu rosto de modo que ele apareça totalmente na tela; evite segurar o aparelho na altura do queixo.

  3. Quando for fazer a vídeochamada, preste atenção ao seu entorno e dê preferência ao melhor cenário da casa.

  4. Escolha um local em que o wifi ou a internet móvel funciona bem, sem interrupções.

  5. Abaixe o volume de outros eletrônicos, como TV e rádio, ou desligue-os.

Aplicativos

Conheça programas para chamadas de vídeo*

  • WhatsApp Comporta chamadas de vídeo com até quatro pessoas de uma vez.

  • Google Hangouts permite chats com até dez usuários de contas gratuitas, como Gmail.

  • Skype, da Microsoft, recebe até 50 usuários por chamada.

  • Sucesso por disponibilizar brincadeiras em vídeo, House Party faz chamadas com até oito pessoas.


*todos estão disponíveis para celulares e tablets com Android e iOS

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