Viva Bem

Gastar pouco, reaproveitar materiais e valorizar a natureza são tendências de decoração para 2020

Cores da natureza, verde e marrom estão em alta afirmam especialistas

Ambiente

Ambiente "Varanda Amazônia", montado pela designer de interiores Elaine Vilela Divulgação

São Paulo

Uma casa renovada, cheia de luz e natureza está entre as tendências de decoração para 2020. E com esses conceitos, vêm as propostas de reaproveitamento de materiais e personalização da decoração. Buscar móveis antigos ou criar as próprias peças com material reciclável pode repaginar uma casa sem que seja necessário gastar uma fortuna. 

“A presença de cores que remetem à natureza e ao aconchego serão uma das tendências na decoração para 2020. O verde, o marrom e o azul terão destaque nas residências, para levar essa sensação de bem-estar. Além disso, algo que vemos com muita força é o paisagismo dentro das casas, mesmo em ambientes pequenos, visto que cada vez mais as pessoas buscam a casa como refúgio”, diz Tássia Pereira, designer do TT Interiores.

O arquiteto Artur Caveiro aposta na utilização de todos os tipos de plantas, e em todos os cômodos, até mesmo no banheiro. "Nós viemos da natureza e quando nos reaproximamos dela nos reencontramos conosco. Por isso plantas e peças em madeira dão essa sensaçao de aconchego e paz". Há quem seja contra o uso de plantas preservadas [plantas naturais que passam por processo de estabilização], mas elas podem ser utilizadas como alternativas em ambientes onde não sejam possíveis se manter plantas vivas" completa.

As cores e texturas traduzem sentimentos de euforia, alegria e diversão, lembra a arquiteta Lucilla Mesquita. Isso explica a seleção desses tons naturais para o verão. "As cores têm efeito psicológico e nos afetam de diversas formas sensoriais e interpretativas."

A palha, o linho e os tecidos ecológicos são exemplos que Mesquita dá para criar um espaço calmante, relaxante e organizado. "O verão é uma fase de renovação, porque a presença do Sol nesta época influencia positivamente na rotina das pessoas."

Ela afirma ainda que os tons verde-menta, azul- ​turquesa, coral, mostarda, tons terrosos, todos os tons de verde, rosa queimado, além das cores cítricas ou neons devem permanecer até a próxima virada de tendências. "As bases continuarão com os mais variados tons de cinza. Por enquanto, realmente o bege deu um tchau para nós."

Natural, sustentável e barato, outra prática sustentável é a reutilização. "Portas antigas se transformam em bancadas, palets viram estantes, tudo pode ser aproveitado", lembra Caveiro. E, com essas ideias, ainda é possível aproveitar outra tendência que é a personalização.

"Quando você compra arte, muita gente vai ter uma igual. Já uma peça criada por você, será diferente, porque terá a sua personalidade. Pinturas, colagens e adesivos simples podem virar novas peças de decoração", afirma o arquiteto.

A cantora Lilian Estela, 30, diz acreditar que as plantas dão beleza e a sensação de aconchego, por isso mantém diversos exemplares em seu apartamento. "É um ritual gostoso cuidar das plantas. No começo, eu não sabia muito, mas agora já entendo melhor quais precisam de mais ou de menos luz." 

Estela também divide suas ideias sustentáveis com a prática do crochê. Ela afirma que a mãe fazia muita roupa, mas "eu prefiro decorar a casa com tapetes e suportes para plantas". "Uso fio de malha, que são sobras da indústria têxtil e rebarbas de tecido. "De uns cinco anos para cá, a indústria difundiu sua produção e é um material muito legal para fazer tapetes, cestos, revestir poltronas."

Arquitetos compartilham algumas de suas ideias. Um quarto de bebê tem uma árvore na parede feita de pedaços de madeira (troncos) e de caixas de pizza brotinho embaladas com tecido, ideia da dupla Camilla Passos e Lúcia Vale. A cortina do mesmo quarto foi feita com pedaços de fita pendurados.

Calças jeans velhas podem virar almofadas, e uma escada inutilizada pode se transformar em uma espécie de mancebo para pendurar roupas e bolsas (veja abaixo a galeria Faça Você Mesmo). Seguindo esse conceito de reaproveitamento, o arquiteto Fabricio Forg conta que é preciso ter paciência para que certos objetos apareçam em sua vida.

"Tenho peças de uma viagem ou outra, por exemplo, e coisas que ganhei e elas foram se espalhando pela casa", diz o arquiteto. Ele fez montagem de pratos e ilustrações, por exemplo. "Nem é preciso que essas peças tenham o mesmo estilo, mas pode ser combinada por cores, por exemplo", afirma ele, que misturou obras de grafite com artes mais clássicas. 

Até a sala de jantar ganhou um ar de personalidade. "A mesa da sala de jantar é acompanhada de um banco de madeira e seis cadeiras diferentes porque eu gosto de cadeiras, e é como se a gente pudesse ter uma obra de arte em casa, mas que também é útil”. Forg conta que tem cadeiras que lembram sua infância, por exemplo. “Tem peças que ganhei e outras que comprei."

O verde também está presente na casa do arquiteto. "Planta traz um frescor absurdo para a casa. Além da questão visual, uma boa quantidade de vasos realmente renova o ar do ambiente."

 

COMO ESCOLHER AS PLANTAS NATURAIS?

Natureza não é questão de tendência, defende a paisagista Neide Braga. "Oxigênio e bem-estar não saem de moda. Não há tempo para ter plantas em casa."

Um de seus últimos projetos, por exemplo, é um jardim sensorial com móveis de madeira que ela fez para acomodar uma idosa em início de Alzheimer. "O ambiente pode ajudá-la a resgatar memórias e histórias de família", afirma Braga. 

E não precisa ter quintal para ter plantas. Todo cômodo da casa poder ter verde, mas é preciso escolher o tipo de planta que vai em cada lugar. "O ponto de luz é fundamental para qualquer espécie sobreviver, as plantas são como seres humanos que precisam de sol. Mas há plantas que toleram um pouco mais de tempo sem iluminação adequada, como a bromélia fireball, de uma jiboia, e de alguns tipos de filodendro”, explica a paisagista Neide Braga.

Para quem gosta de flores, a luz solar é ideal, diz a paisagista. "Se a planta ficar em um lugar com pouca luz, ela não vai florescer ou terá suas cores afetadas. Quem tem uma janela para o norte, que dá mais tempo de sol durante o dia, pode ter mais flores e as folhas ficam mais verdes", explica Braga. 

“As plantas têm a função de purificar o ar, trazer frescor, eliminar o gás volátil. Uma planta sozinha não consegue fazer isso, mas várias no mesmo ambiente ganham força, mas uma só já traz um cenário mais positivo, mesmo que só haja uma parede”.

Velas, leds e luminárias feitas em casa pode ajudar a compor o ambiente, principalmente quando é pequeno. “Fiz um jardim com garrafas de vinho autoirrigáveis”, exemplifica. 

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem