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Casais trocam monotonia e estabilidade no Brasil para viverem viajando pelo mundo

Nomadismo virou opção para quem gosta de viajar e conhecer novas culturas

O casal Vinícius Teles e Patricia Figueira estão desde 2010 vivendo como nômades digitais pelo mundo - Arquivo Pessoal
João Victor Marques
São Paulo

A rotina pode fazer com que casais caiam na mesmice. Trabalhar, ir para casa, assistir a um filme, descansar e assim sucessivamente, dia após dia. Mas alguns casais não se contentam em seguir isso à risca e buscam mudanças –bruscas ou não– para agitar suas vidas.

Uma opção que tem se mostrado viável e rentável para alguns é se tornar um nômade digital, atividade que surgiu em meados de 2005 como alternativa àqueles que gostam de viajar, trabalhar e, ao mesmo tempo, sentir-se livre pelo mundo.

Nômades digitais são pessoas que normalmente têm profissões que permitem fazer todas as tarefas de forma remota, dependendo somente de internet para se conectar ao trabalho. Sem ter uma base fixa, esses profissionais podem trabalhar de suas casas, de um café, de um coworking ou de onde quiserem.

Escritores, designers, fotógrafos, desenvolvedores de software são algumas das profissões que possibilitam esse trânsito entre países, sem atrapalhar a produtividade e, principalmente, o ganho de dinheiro para sobreviver no final do mês.

Em 2010, Vinicius Teles, 43, e Patricia Figueira, 46, resolveram se aventurar no nomadismo digital. O casal carioca, que atuava como desenvolvedor de software e fotógrafa, respectivamente, percebeu depois de uma viagem para Buenos Aires, em 2009, que poderiam trabalhar de outras cidades, fora do Rio de Janeiro. 

Desde então, a dupla considerada o primeiro casal nômade digital do Brasil já morou em 67 países e passou por mais de 400 cidades. A chave principal para eles venderem tudo o que tinham em Niterói (RJ) e embarcar rumo ao mundo, foi o gosto por viajar e a busca por sempre se sentir livre.

"Vimos essa possibilidade de viajar por um período indeterminado e pensamos: 'Pô, vamos lá. Isso nos motivou”, conta Teles, que diz que só percebeu que eles era nômades digitais ao se deparar com o conceito em uma reportagem na qual apontava empregos flexíveis, ganho de renda online e gosto por mudança como características. 

Morando, em média, por dois meses em cada cidade, o casal conta que ser nômade é diferente de ser turista. São trabalhadores que exercem suas funções em diferentes cidades e casas, mas que só a novidade de estar em um novo local e a existência da possibilidade de se deparar com algo diferente já torna toda a rotina muito mais legal.

"Nosso trabalho é a nossa rotina, mas, como mudamos de tempos em tempos, isso não enjoa. Isso traz sempre novidades para as nossas vidas, vemos coisas que nunca imaginamos bem na porta de casa", conta Figueira.

Os apartamentos em que eles moram nas cidades por onde passam são alugados pelo Airbnb, aplicativo de hospedagem. O casal diz gostar desse modelo de aluguel pela facilidade de se mudar "quando der na telha". "Dá muita leveza para nossas vidas porque a gente pode mudar, ir para qualquer outro lugar realmente no estalar de dedos porque a gente não tem o que se preocupar para carregar. Só temos que levar nossas malas."

Além do benefício de viajar, de se sentir livre e estar em diferentes locais num curto período de tempo, a parte mais incrível, na visão deles, é que o nomadismo torna o trabalho e a vida muito mais produtivas. Comparando a vida profissional que tinham no Brasil à nômade, a segunda opção é mais viável.

"A gente curte muito viver assim, amamos trabalhar do jeito que a gente trabalha", conta Vinícius, que afirma que nesse estilo de vida é possível conhecer mais lugares e perceber que a dimensão do ser humano em relação ao mundo. "O mundo é gigantesco. Quando mais você viaja, mas você se dá conta de que você não sabe de nada mesmo. Em relação a tudo."

AJUDANDO OUTROS CASAIS

O casal Vinicius Teles e Patricia Figueira resolveu ajudar outras pessoas a se tornarem nômades digitais - Arquivo Pessoal

Vivendo uma nova rotina a cada dois meses, a maioria dos casais que são nômades digitais compartilham fotos, vídeos e experiências em perfis que fazem em conjunto nas redes sociais. Vinicius Teles e Patricia Figueira decidiram trabalhar juntos em uma nova empreitada parecida com essa: a de ajudar, dar dicas e auxiliar novos casais e pessoas que topassem se aventurar pelo mundo como eles.

Dessa vontade, nasceu o “Casal Partiu”, uma plataforma na web que dá treinamentos para os interessados no tema. Usando como suporte para postagem o YouTube, o casal publica vídeos sobre os temas mais variados possíveis que os praticantes do nomadismo devem saber.

Os treinamentos vão de questões pontuais para resolver perrengues durante as viagens até treinamentos completos de imersão, que falam sobre cada etapa deste novo modo de vida, como, por exemplo, a criação de uma empresa online para fonte de renda; auxílio na negociação de apartamentos mais baratos nas cidades que passarem, e assim por diante.

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