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Gordura trans deve ser banida até 2023; veja artistas que já aderiram

OMS faz campanha para acabar com gordura trans em todo mundo

Bianca Quitério Guariglia com a mão no queixo posa com frutas
Bianca Quitério Guariglia começou a se alimentar de forma mais natural após criar intolerância a lactose - Jardiel Carvalho/Folhapress
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Descrição de chapéu Agora
Fabiana Schiavon
São Paulo

Apesar de muitos produtos estamparem em suas embalagens que não possuem gordura trans, nem todo o mundo ainda sabe do que se trata e os malefícios que ela causa à saúde. No mês passado, a OMS (Organização Mundial da Saúde) lançou uma campanha com a intenção de eliminar a gordura trans do mundo até 2023.

Existe uma lista de países que conseguiram se livrar desse ingrediente, mas o Brasil não figura nela. De qualquer forma, há quem já tenha mudado seus hábitos individualmente, de olho na saúde e com a intenção de evitar doenças cardíacas.

A gordura trans é usada para aumentar a validade do produto, melhorar seu sabor e dar crocância. “Esse tipo de gordura é três vezes mais prejudicial à saúde do que o pior tipo de gordura natural, que é a saturada”, alerta Daniel Magnoni, nutrólogo do Hospital do Coração.

O problema é que as pessoas já estão habituadas a produtos industrializados –com altas dosagens de gordura trans. O caminho para evitá-la é simples: buscar alimentos naturais. “As pessoas já sabem que é preciso optar por produtos não processados, por frutas e pelas gorduras presentes nas nozes e no abacate. O difícil é controlar os desejos”, diz Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês.

"Quando você consome muito açúcar, por exemplo, nunca mais vai conseguir se satisfazer com a fruta, porque o cérebro vai entender que ela não é doce o suficiente", diz ele.

Esses maus hábitos também descontrolam o metabolismo e o apetite real. “Quem consome muita gordura animal processada pode criar mais gordura intramuscular. Com o passar dos anos, essa pessoa pode seguir se alimentando da mesma forma, mas tende a engordar, porque o excesso de carboidrato e de gordura no organismo destrói o controle de apetite no cérebro e reduz a velocidade do metabolismo.”

Segundo a OMS, a Dinamarca é o exemplo a ser seguido quando o assunto é gordura trans. O país baniu esse ingrediente de seus produtos em 2003. Campanhas e muitas outras iniciativas são necessárias para mudar a cultura de um país em relação à alimentação, segundo especialistas. “A comida ‘in natura’ é mais cara, e o fast-food é mais gostoso. Tem países que sobretaxam o refrigerante, por exemplo, porque já se sabe que o produto processado é mais barato. As pessoas precisam ter um motivo para trocar a bolacha doce por uma fruta", afirma Zilli.

O cantor Bruno Araújo, 34, conta que baniu a gordura trans de sua alimentação. "Faço dieta há um bom tempo, e a decisão de tirar a gordura trans foi motivada pela qualidade de vida e pela estética. Embora nosso corpo precise consumir uma pequena quantidade de gordura, a do tipo trans não é bem digerida, e grande parte dela fica armazenada no organismo. Eu me sinto muito melhor evitando", diz Araújo, que vê a decisão com simplicidade.

"Basta evitar produtos industrializados. Alguns alimentos nem precisa de rótulo, porque só de olhar a gente sabe que fazem mal: batata frita, salgadinho, frituras, sanduíche fast-food ”, afirma Araújo.

A pesquisa A Mesa dos Brasileiros, divulgada pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) há 20 dias, aponta essa mesma contradição. “O brasileiro sabe exatamente o que é preciso para ter uma vida saudável. Ele cita os exercícios físicos, a alimentação saudável, mas ainda tem dificuldade de colocar isso em prática”, afirma Antônio Carlos Costa, gerente do departamento do agronegócio da Fiesp.

A boa notícia é que, com a crise, o brasileiro vem consumindo menos pratos prontos. “O preço, a segurança e esse momento de gourmetização, que incentiva homens e mulheres a cozinhar, contribuíram para isso. A pesquisa mostra que esse é um hábito que o brasileiro pretende manter”, diz Costa.

Segundo a Abia (Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação), foi firmado um acordo com o Ministério da Saúde em que ficou estabelecido o prazo de dois anos para reduzir o máximo possível a gordura trans na indústria.

A arquiteta Bianca Quitério Guariglia, 26, passou um ano na Europa e engordou sete quilos. “Voltei doente, criei uma intolerância a lactose, problemas no estômago e refluxo. Nunca mais comi industrializados e perdi uns dez quilos”, afirma ela.

Bianca conta que, em festas e viagens, come normalmente, mas ficou mais atenta ao dia a dia. “Claro que não é superprático, mas há opções baratas. Tem gente que quer comprar um produto sem glúten, por exemplo, que é industrializado e caro. Não adianta muito. Eu como cenoura picada à tarde. Tenho de ir ao mercado, comprar a cenoura e picar. Dá um certo trabalho, mas é barato”, ensina.

CONSEQUÊNCIAS

A ingestão exagerada de gorduras, principalmente a gordura trans, aumenta a produção de LDL (conhecido como o colesterol ruim), pode causar inflamação no organismo e levar a infartos e derrames. Há estudos que relacionam a gordura trans ao câncer de mama.

Para o cardiologista João Vicente da Silveira, do Hospital Sírio-Libanês, é urgente que sejam feitas campanhas orientando a população. “O que mais mata homens e mulheres são as doenças do coração. Ou seja, é preciso combater suas causas” diz Silveira.

O médico lembra que, antigamente, os humanos usavam gordura animal, conhecida como banha, para cozinhar. “O mundo cresceu, veio a industrialização e a geladeira. Para que os produtos ficassem mais gostosos e durassem mais foi criada essa reação físico-química que é a gordura trans, muito maléfica ao organismo. Além disso, antigamente, a gente andava, corria. Agora, o único movimento é mudar de canal e clicar no celular."

A cantora Rita Garcia, 49, tomou um susto ao passar por um câncer de mama e teve de mudar sua vida. “Eu sempre comi de tudo um pouco. Com o decorrer do tempo, percebi que deveria mudar meu hábitos. Foi exatamente quando tive um câncer de mama e, por orientação dos médicos e vontade de ter uma vida mais saudável, eu me adaptei”, diz ela, que vê como cultural a má alimentação do brasileiro.

"Se desde criança tivéssemos nas escolas, para todos, um pouco de educação alimentar, hoje as pessoas seriam mais saudáveis. Melhorei muito com minha mudança, não só minha saúde, mas tive ótimo reflexo na disposição, nos cabelos, na pele, nas unhas”, afirma Rita, que passou a preferir frutas, verduras e produtos integrais.

A cantora sertaneja Marilia Mendonça também emagreceu 15 kg ao mudar os seus costumes. “A minha dieta não é voltada para a eliminação de alimentos específicos, como a gordura trans, mas em reeducar os meus hábitos. Antes de fazer dieta, eu sofria muito com colesterol alto, gordura no fígado, hormônios desregulados, insônia, gastrite e imunidade baixa”, conta a artista.

ÓLEO OU AZEITE?

Já se sabe que as frituras não são saudáveis e devem ser evitadas. Agora, na hora de refogar um prato, a condição pode ser outra. “Azeites e o óleo de girassol são utilizados para cozimento rápido em baixas temperaturas. Se avaliarmos a composição, o azeite de oliva é melhor, porque é rico em gordura monoinsaturada e pobre em saturada, o que favorece o controle do colesterol”, avalia a nutricionista Evelyn Teixeira.

Ela explica que é importante respeitar o chamado ‘ponto de fumaça‘ de cada óleo. “Quanto mais longe do ponto de sair fumaça, mais seguro será. Acima disso, o óleo sofre modificações químicas e passa a produzir substâncias tóxicas, como acontece quando fritamos batata.”

A verdade é que o melhor é sempre usar o óleo sem submetê-lo ao aquecimento, segundo a nutricionista Roseli Ueno Ninomiya. “Ao serem aquecidas, as estruturas moleculares dos óleos mudam e formam aldeídos. Os aldeídos têm sido relacionados a doenças do coração e a câncer.”

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