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The Voice+: Toni Garrido cita misticismo na escolha de alguns candidatos

'Vem um espírito na minha mão e bate', brinca o novo jurado do reality

Toni Garrido João Miguel Júnior/Globo

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São Paulo

Há 20 anos, o cantor Toni Garrido, 54, estreava como apresentador no Fama (Globo), um dos primeiros reality shows brasileiros voltados a encontrar um novo talento da música. Agora, ele participa de uma atração que tem objetivo semelhante, mas em função bem diferente: é um dos técnicos da segunda temporada do The Voice+, que estreia neste domingo (30).

Ao contrário do Fama em que não tinha responsabilidade direta pela trajetória dos candidatos, no The Voice+ é ele —ao lado de Fafá de Belém, Carlinhos Brown e Ludmilla— quem tem o poder de definir logo no início quem segue ou não no programa.

Com a experiência inicial de ter gravado quatro audições às cegas, Toni Garrido conversou com o F5 na quarta-feira (26) e afirmou que o momento mais dramático para ele é justamente não virar a cadeira para um dos artistas concorrentes.

O que leva à pergunta: Quais são os critérios que utiliza para selecionar os candidatos? Há, respondeu ele, a avaliação técnica e racional: como é a voz, a afinação, como ele se sai em determinada parte da música.

Mas há também, disse o cantor, algo místico em algumas escolhas. É o que ele denomina de "batida espírita". Explica: "O cara começa a cantar, pown, vem um espírito na minha mão e bate [o botão para virar a cadeira]. Você não pensa em nada. É um chamado", relatou.

Pior do que não virar, completou Garrido, é a angústia de ver que nenhum dos outros técnicos escolheu o participante e a música está acabando. "A primeira coisa que você quer nesta hora, o seu desejo maior é que o seu colega vire", disse.

"É aquela agonia, agonia, agonia... Por duas vezes a gente ficou nessa... e aí veio o espírito de novo, pegou na minha mão e bateu. Mas aí era uma opção minha de, pô, não vou deixar essa pessoa ir embora. Esse é o pior momento que também pode se transformar no mais legal", analisou.

Toni Garrido disse que já se arrependeu de não ter virado a cadeira para uma das concorrentes. "Eu queria voltar atrás, porque ela não tinha o canto necessariamente, mas ela tinha o envolvimento com a música desde que nasceu e era a pessoa mais importante de música na região do Brasil em que ela mora", explicou.

Assim como na primeira temporada, ele já adianta que o The Voice+, que é exclusivo para talentos a partir de 60 anos, terá momentos muito emocionantes. Um deles foi vivido por ele. Depois de selecionar uma candidata, quando ele virou a cadeira, veio na sua mente a imagem da sua irmã mais velha, Marisa, que morreu há quatro anos.

"Aquela pessoa ali na minha frente tinha a mesma vibração da minha irmã que foi a responsável por me apresentar todos os códigos da minha cultura, que me ensinou o preto que eu sou. Não dá para ficar normal diante disso."

FAMA E THIAGUINHO

Toni Garrido afirmou que o The Voice+ é diferente de outros programas do gênero em que é preciso "criticar, falar mal e discordar" como parte da dinâmica. "O primeiro papo que eu tive com o diretor [Creso Eduardo Macedo], ele falou assim: 'Toni, presta atenção numa coisa que é muito importante: aqui a gente não fala e não nos interessa coisas que não sejam boas e lindas. A gente só exalta as coisas boas de cada apresentação, de cada candidato'", relembrou.

O cantor também foi só elogios para os seus colegas. De Fafá de Belém que, assim como ele, estreia como jurada, ele revelou que nove entre dez candidatos declaram a importância da cantora em suas vidas. Já de Carlinhos Brown, seu amigo pessoal, Toni salientou que o artista sabe transformar tudo em poesia.

Por fim, destacou que Ludmilla tem a sabedoria do "silêncio". "Ela fala com emoção, verdade, mas ela não desperdiça palavras, não desperdiça tempo. Eu, que sou prolixo, estou aprendendo com ela. Olho e penso: garota esperta, ela sabe das coisas."

Da época do Fama, Toni Garrido afirmou que guarda um aprendizado que serve para o The Voice+: o que é para ser está escrito. Para exemplificar, ele contou uma história vivida com o cantor Thiaguinho, que participou do reality da Globo em 2002, no início da sua carreira.

Antes das apresentações, Toni costumava cumprimentar os candidatos. Naquele dia, porém, não iria fazer isso, mas acabou encontrando Thiaguinho, então um jovem anônimo de 19 anos em início de carreira, chorando muito no camarim. O então candidato não estava feliz com a música que deveria cantar. Era "Tempo Perdido", do Legião Urbana, que não tinha nada a ver com o repertório dele, todo voltado para o samba.

"Eu falei para ele: 'Isso aqui é um programa de televisão e você veio para fazer o seu melhor. Mas é só um programa de televisão, Thiaguinho, o que é teu está escrito, o que tiver de acontecer com você, vai acontecer, então, vai fazer o seu programa e vai nessa", recordou o cantor.

Thiaguinho foi o quarto eliminado no Fama (a vencedora foi Vanessa Jackson), mas no ano seguinte virou vocalista do Exaltasamba e é hoje em dia um dos artistas mais bem-sucedidos do Brasil.

"Para quem está em casa, a mensagem do The Voice+ vai além, porque as pessoas entendem que não importa a idade, não acabou. Pelo contrário, está começando."

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