Televisão

Nem frágil nem heroína, Taís Araujo diz que 'Amor de Mãe' quer humanizar mulher

Novela da Globo retorna com episódios inéditos nesta segunda

Taís Araujo em cena da novela

Taís Araujo em cena da novela "Amor de Mãe" Divulgação

São Paulo

Guerreiras e superprotetoras, mas também cheias de falhas. Assim são Lurdes (Regina Casé), Thelma (Adriana Esteves) e Vitória (Taís Araujo), protagonistas da novela “Amor de Mãe” (Globo), que volta com episódios inéditos nesta segunda (15).

A trama foi suspensa há quase um ano, por causa da pandemia da Covid-19, e voltará com novidades. O tempo vai saltar seis meses e os personagens também estarão convivendo com os medos e incertezas da doença, além da morte que ela traz.

A história, no entanto, continua focada nas três protagonistas. Não fortes, não heroínas, mas humanas, afirma Taís Araujo, 42. “Queremos desconstruir a ideia de sexo frágil, que nos definiu por tanto tempo, mas também a de superfortes. Queremos humanizar a mulher”, diz a atriz.

“Essa imposição de ter que ser forte é meio injusto”, continua Clarissa Pinheiro, 38, que volta à trama como Penha e promete reviravoltas. “Penha, especificamente, é guerreira. Começou injustiçada e teve a chance de colocar para fora esse grito entalado, das minorias, das pessoas menos privilegiadas.”

As atrizes participaram de uma conversa virtual com a imprensa sobre o retorno da novela no último dia 25. Por suas semanas, o telespectador pôde ver a retrospectiva dos 103 episódios que já tinham sido transmitidos. A partir dessa segunda começam os 23 inéditos, todos já gravados.

Malu Galli, 49, que interpreta Lídia, afirma que sua personagem começou muito afastada de sua essência, mas que encontrou uma rede de proteção através de outras mulheres, após o divórcio, a perda do filho, Vinícius (Antônio Benício), e o alcoolismo.

“A sororidade é importante na novela. Chega um momento em que precisamos umas das outras. Até entre Thelma e Lurdes vai ter um embate forte no final pelo amor do filho, mas a luta é com dor, porque elas se amam”, afirma Adriana Esteves, 51.

Adriana complementa dizendo que o amor e o apoio de mulheres são importantes também em sua vida pessoal. “Cresci com ideias como a de que meninas competem, e é tão lindo que a gente tenha se libertado disso. Poder gostar e admirar é uma coisa que me fortalece.”

“Muito da minha trajetória foi com um pouco de solidão. Faltou esse lugar de mulheres juntas que podem se admirar. Minha vida ficou mais gostosa na fase adulta, o trabalho também. Quando vou trabalhar, não encontro pessoas para competir, mas para amar, dar as mãos.”

E A TRAMA CONTINUA...

Apesar das dúvidas e até resistência da equipe em um primeiro momento, “Amor de Mãe” terá sim Covid-19 afetando a vida dos personagens nesse retorno. Para a autora, Manuela Dias, 43, medida necessária para implantar as medidas de segurança.

Apesar disso, a busca de Lurdes por Domênico continuará, agora pela internet, com vídeos e mensagens, além de algumas escapadinhas da personagem que irão preocupar os filhos. Thelma, por outro lado continuará a dificultar as buscas da amiga, inclusive como novos crimes.

Após matar Rita (Mariana Nunes), no final da primeira fase, para manter em segredo que seu filho, Danilo (Chay Suede), é na verdade Domênico, Thelma não medirá esforços para manter o jovem sob suas asas, e voltará a matar já nos próximos dias.

“Eu tenho a impressão que não largamos a novela nesse período em casa, guardamos o personagem com a gente e voltamos com mais vontade de colocar para fora, de dar um desfecho”, afirma Adriana Esteves, que se disse satisfeita com o final de Thelma.

“O final, final mesmo, era o que eu imaginava. Fiquei bem satisfeita e me emocionou muito. Não posso falar, senão vou dar spoiler e vou me emocionar. Fica bonito. Ela é doida e vilã, mas tem também uma coerência e beleza no final, bem no final.”

Já Taís Araujo conta que se surpreendeu com o que veio pela frente na história de Vitória, que parecia estar concluída ao término da primeira fase. “Eu achei que minha história já tinha acabado. Queria um filho, já tenho três. Parecia final de filme, conto de fadas”, brinca ela.

“Mas quando chegaram os capítulos novos fui me surpreendendo. Teve uma relação dela, uma história da Vitória, que Manuela [Dias, autora] tirou da cartola, uma coisa que tinha que falar ainda”, afirma Taís, sem dar spoiler sobre a trama.

Uma coisa é certa e a própria atriz já adiantou. "Essa profissional renasce de um lugar muito bonito, que eu vou dar um spoiler: é defendendo as mulheres que estão sofrendo violência doméstica, o que aumentou muito durante a pandemia", disse Taís em entrevista ao programa Roda Viva.

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem