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'Fim do clube do bolinha', diz brasileira Jade Catta-Preta ao assumir 'The Soup'

Comediante apresenta atração americana e quer fazer filmes em português

Jade Catta-Preta Instagram/jadecattapreta

São Paulo

O seriado de comédia americano "The Soup" está de volta após uma pausa de quase cinco anos. E vem com uma novidade importante, principalmente para o público brasileiro, que é Jade Catta-Preta no comando das tradicionais piadas e comentários ácidos do show.

A brasileira de 35 anos, que já levou papel molhado e garrafada de plástico no palco quando iniciou seus stand-ups, substitui agora Joel McHale, que apresentou o programa por 11 anos. Antes, Catta-Preta já tinha feito participações em séries como “Californication” (2007-2014) e “Modern Family” (2009-2020).

“Eu vejo esse programa faz tempo, foi um dos primeiros que vi quando vim para os Estados Unidos, eu tinha 12 anos. Então era um sonho ter um show assim”, conta Catta-Preta, que gravava o piloto para outra atração no canal E!, quando foi chamada para “The Soup”. “Estava no lugar certo, na hora certa”, diz.

A confirmação de que Jade Catta-Preta estaria no comando da nova temporada chegou em junho do ano passado, gerando, além da alegria, preocupação: “Eu não podia contar para ninguém até outubro, então eu não podia sair de casa porque eu tenho uma boca enorme, estava com medo de falar pra todo mundo.”

A estreia nos Estados Unidos aconteceu em fevereiro e deu um novo tom ao programa, que foi ao ar pela primeira vez ainda em 1991, sob o comando de Greg Kinnear e com o nome de "Talk Soup". Vieram depois outras temporadas, outros humoristas e algumas pausas esporádicas, até a chegada de Jade Catta-Preta.

Para a brasileira, é o fim do clube do bolinha, com meninos fazendo piadas de meninas, já que em mais de 20 temporadas, a apresentação foi predominantemente feita por homens. "Agora eu posso fazer diferente, as minhas piadas são diferentes. Gosto que minhas piadas falem de mim, em vez de gozar de outras pessoas”, afirma a atriz, que também já tem experimentado perucas, maquiagens e alguma performance, algo que até então não era muito comum no programa.

Até as críticas e comparações com Joel McHale estão superadas, diz a brasileira. "No começo as pessoas me escreviam perguntando do Joel, e eu respondia superdoce: ‘Ah! Eu não sei... hahaha’. Mas eu comecei a ter poder e me sentir no controle, aí comecei a falar ‘eu sou a capitã agora, sabe?!’”, brinca ela.

"As pessoas também começaram a ver que o meu estilo é diferente do dele, eu não posso ser ele, não posso ser outra pessoa, só posso ser eu mesma, tenho outro estilo. Acho que devagarzinho as pessoas foram vendo e eu fui achando o meu ritmo. Mas, enfim, dedos cruzados e a gente recomeça."

HUMOR MAIS SECO

Paulistana, Jade morava na rua Califórnia quando seu pai, nascido nos EUA e filho de diplomata, resolveu abrir um negócio no estado americano de Virgínia. Um cidade tão pequena, que pessoas não sabiam que idioma se falava no Brasil. “Uma pessoa perguntou ‘como é usar sapato agora?’”, recorda ela.

Mas para Jade, foi ali que tudo começou. "Foi uma estranha transição, mas acho que é por isso que eu faço comédia. Acho que a linguagem era uma coisa que eu não tinha no começo e, agora, a linguagem, como uma comediante, é o meu poder, então acho que o trauma me ajudou", avalia.

Apesar de gostar de fazer as pessoas rirem desde pequena e ter experimentado a dança por causa de sua escoliose, foi nos EUA que ela estudou teatro musical numa faculdade de Boston e trabalhou como apresentadora de um programa no YouTube da revista de comédia National Lampoon.

Ela também foi bartender do lendário Comedy Store, fundado em Los Angeles nos anos 1970 e casa de diversos comediantes em começo de carreira, como Robin Williams e Jerry Seinfeld. Foi lá que Jade se arriscar nos palcos, até começar a ser levada para a estrada por outros comediantes.

Com essa formação, Jade avalia que, apesar do coração brasileiro, tem um humor muito mais próximo do americano: bem mais seco, mais direto. Dois anos atrás, ela esteve no Brasil, chegou a abrir apresentações de Rafinha Bastos e viu que aqui a piada tem que ser mais explicada, tem mais cor, mais emoção.

"Mas eu acho que sou bem brasileira no meu estilo, eu gosto de falar de sexo, gosto de falar de relação e não tem nada que seja tabu pra mim. Gosto de falar o que eu estou sentindo no momento em que eu estou sentindo", afirma ela, que faz planos de trabalhar no Brasil, provavelmente como atriz.

"Meu sonho maior de todos é fazer um filme em português. Não tem muita atriz brasileira, não tem muita representação além de uma menina de biquíni. E eu queria muito ser essa pessoa a representar o Brasil. Por isso é muito importante que o show [‘The Soup’] esteja passando aí também, é muito importante."

‘SOPINHAS DE CASA’

Apesar de show novo no ar e planos para a carreira de atriz, Jade está no momento confinada em sua casa em Los Angeles, desde a suspensão do programa devido à pandemia do novo coronavírus. Isso não quer dizer que suas apresentações estão paradas, só estão restritas ao prazer de sua cachorrinha.

"Entre ser atriz e comediante, eu sou as duas coisas. É como um sanduíche completo, quero devorar ele todo. Mas confesso que não ter comédia nesse último mês está me deixando louca, estou fazendo comédia pro meu cachorro, coitadinha. Estou com muita saudade de ficar ligada, de interagir”, afirma.

Nas primeiras semanas, Jade ainda gravou cenas de “The Soup” de seu quarto: “Sopinhas de Casa”, brinca ela. “Mas agora não estamos gravando mais. Só faço zumba, limpo os armários sem parar, vejo TV, choro um pouquinho, acordo de novo. Então está meio estranho, momentos altos e momentos baixos”, afirma.

Hoje morando exclusivamente em Los Angeles, após manter por seis anos um apartamento também em Nova York, Jade afirma que está solteira, mas que adoraria encontrar um homem ou mulher brasileiros. Ela também não descarta a maternidade, e brinca: "Vou ensinar português aos meus filhos pra gente falar um monte de merda sem que ninguém entenda".

Aqui no Brasil, “The Soup” estreou no dia 1º de abril no canal E! e seguirá com episódios inéditos até o capítulo cinco. Com a suspensão das gravações, em maio, a emissora pretende passar as reprises nas quartas à noite. “Posso dizer que já estou pronta pra voltar”, afirma Jade.

"The Soup"

  • Quando Às quartas-feiras, sempre às 22h
  • Onde Canal E!
  • Classificação 14 anos
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