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'Éramos Seis' mostra que mulher de 1920 tinha menos liberdade de escolha', diz Maria Eduarda

Atriz afirma que outro desafio de interpretar Olga é o sotaque do interior de SP

Éramos Seis - Clotilde ( Simone Spoladore ) e Olga (Maria Eduarda Carvalho)
Clotilde (Simone Spoladore) e Olga (Maria Eduarda de Carvalho) - Raquel Cunha/TV Globo
São Paulo

Se hoje as mulheres ainda precisam lutar para ter os mesmos direitos e salários que os homens, nos anos 1920 e 1930, quando se passa "Éramos Seis", novela da faixa das seis da Globo, a situação era muito pior.

Trabalhar, ter realização profissional e ser independente eram objetivos inimagináveis para a maioria das mulheres da época. Para a atriz Maria Eduarda de Carvalho, 36, se colocar nessa posição de não ter a liberdade de escolher o próprio caminho é um dos desafios ao interpretar a mandona e divertida Olga. 

"Muitas vezes eu fico até penalizada por conta da perspectiva feminina da época. As mulheres tinham pouca oportunidade de lutar. Dificilmente, ela pensaria que ela mesma poderia se dar um futuro promissor, isso estava muito ligado ao casamento", afirma a intérprete de Olga. 

Nesse sentido, diz a atriz, Olga --que quer ser rica e ter um futuro confortável –sabe da importância de fazer "um bom casamento", o que significa ter um marido "endinheirado". Daí veio a sua hesitação em se casar com Zeca (Eduardo Sterblitch), mesmo sendo apaixonada por ele. Apesar de suas dúvidas, grávida, ela se casou com o caipira no capítulo da última segunda (4) e já formou uma família numerosa. 

"Acho isso [essa falta de perspectiva] muito cruel e triste", diz. Apaixonada pelo seu trabalho como atriz, Maria Eduarda afirma que não consegue imaginar como seria depender de outra pessoa para ter esse tipo de realização pessoal."Fico pensando como seria, onde você encontra esse prazer? É só na família? Nesse sentido a Olga é frustrada."

Outra personagem que sofre ainda mais com a situação feminina da época é Clotilde (Simone Spoladore), irmã do meio de Olga e Lola (Gloria Pires), que se apaixona por Almeida (Ricardo Pereira). Ela, porém, não vai conseguir viver esse amor por um fator que pode parecer absurdo nos dias de hoje, mas que tinha grande relevância há quase cem anos, quando se passa a trama: ele era desquitado. 

"Ela vai abrir mão desse amor por conta do olhar dos outros, já que um homem desquitado era mal visto pela sociedade. Se é difícil hoje ser mulher, imagina naquela época", diz.

EMOÇÃO

Para Maria Eduarda de Carvalho, que é carioca, outro desafio ao interpretar Olga é o sotaque do interior de São Paulo. "Antes de começar a gravar, vi cenas de Denise Fraga e do Osmar Prado, que interpretavam a Olga e o Zeca, para entender principalmente o sotaque. Fiquei atenta para ver como os dois faziam. Mas a verdade é que é a prática que faz a gente entender ali na hora qual é o melhor caminho." 

Apesar dos desafios, Maria Eduarda conta que fazer "Éramos Seis" tem sido emocionante. Primeiro, porque ela ser fã da versão de 1994, do SBT, e adorava a personagem Olga, na época interpretada por Fraga. Além disso, a novela a faz se lembrar dos seus avós. 

"Eu assistia essa novela quando criança com a minha avó e o meu avô, que foram pessoas fundamentais na minha formação. Eu me lembro de momentos com eles por conta da novela, e a dinâmica do Zeca e da Olga em algum aspecto me lembra a dinâmica deles", diz. 

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