Saiu no NP

SAIU NO NP: Maior galã de Hollywood morre, mas muda história da Aids

No último dia 2 de outubro, há 30 anos, com 62 filmes em sua carreira, morria aos 59 anos em sua residência, em Bervelly Hills, na Califórnia (EUA), o galã que contracenou com as mais belas atrizes de Hollywood.

O ator Rock Hudson se tornava a primeira grande celebridade cinematográfica a morrer de complicações decorrentes da Aids (Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida), pejorativamente classificada na época como "a peste gay".

Notícia em todo mundo e, de certa forma, dando cara à doença, no dia 3 de outubro de 1985, o "Notícias Populares" publicou "Peste-Gay mata o galã Rock Hudson".

Crédito: Universal Pictures/Divulgação
O galã Rock Hudson posa para foto nos estúdios da Universal Pictures em 1951

Em uma mensagem antes de morrer divulgada em um jantar para angariar fundos para esclarecimento da doença, o ator disse lamentar ser uma vítima da Aids, mas, ao mesmo tempo, estava alegre pelo fato de poder ajudar outras vítimas menos famosas.

Isso vinha acontecendo desde que esse fato se tornou público no último mês de julho de 85, quando Rock Hudson esteve em Paris, tentando submeter-se a um tratamento no Instituto Pasteur.

Após sofrer uma crise no Hotel Ritz, na capital francesa, e ser diagnosticado com um mau funcionamento do fígado, o último dos mocinhos românticos tradicionais foi hospitalizado em um dos principais centros mundiais para o tratamento da Aids.

"Peste-gay ataca o ator Rock Hudson", do dia 24 de julho de 1985, foi a primeira de 20 manchetes relatadas no "Notícias Populares" sobre o astro de cinema, nascido a 17 de novembro de 1925 em Minnetka, em Chicago, no Estado de Illinois (EUA).

De acordo com Yanou Collart, assessora e amiga íntima do ator, em 1984, ele viajou a Paris para consultar essa enfermidade com especialistas franceses, fato que foi destacado no "Notícias Populares" em 26 de julho de 1985, com o título "Peste-gay tomou conta de Rock Hudson há um ano".

Submetido a um tratamento da HPA-23, Rock Hudson ou Roy Harold Scherer Jr., filho único cujo pai abandonara quando ele tinha oito anos, recebeu uma droga experimental para tentar combater a mortal doença que elimina o sistema imunológico do organismo, outro fato publicado pelo "NP", em "Rock Hudson vira cobaia de droga nova contra peste-gay", no dia 27 de julho.

Crédito: Universal Pictures/Divulgação
Os atores Rock Hudson e Julia Adams contracenam em "Bando de Renegados" (1953), filme de Raoul Walsh

Em Paris, os médicos chegaram à conclusão de que o estado de saúde de Hudson não era compatível com o tratamento à base da nova droga e o autorizaram a regressar aos Estados Unidos.

De acordo com Dale Olson, porta-voz e relações-públicas do ator, "o senhor Hudson" estava voltando a Los Angeles por "própria vontade". "Penso que ele deve sentir-se em casa novamente", declarou.

Rock Hudson mudou-se com sua mãe para Los Angeles, em 1947, depois de ter deixado a Marinha, onde serviu como mecânico de aviões. Na costa californiana, tornou-se motorista de caminhão e fez diversas tentativas de ingressar no cinema, conseguindo uma ponta em "Esquadrão das Águias" (1948), filme de Raoul Walsh.

De Paris, no retorno a Los Angeles, Rock Hudson foi encaminhado ao Centro Médico da Universidade da Califórnia para dar continuidade aos cuidados da enfermidade. E no dia 2 de agosto de 85, em "Hudson com esperança de escapar a peste-gay", o jornal "Notícias Populares" destacou essa etapa da luta do ator.

Assim como, no dia 8 de agosto, em "Rock Hudson melhora e recebe Elizabeth Taylor", quando o jornal relatou uma reação de Hudson, provavelmente pela força de vontade do ator, que recebeu a visita de amigos no centro médico de Los Angeles.

Crédito: Warner Bros/Divulgação
Rock Hudson e Liz Taylor em cena de "Assim Caminha a Humanidade" (1956), filme de George Stevens

Certamente, Hudson fez grandes amigos, e sua boa aparência, com uma estatura de 1,93 m também ajudou a ser uma das principais bilheterias dos Estúdios da Universal, tendo sido escolhido galã das atrizes de prestígio, como Jane Wyman em "Sublime Obsessão" (1954).

Em relação a Liz Taylor, Rock Hudson atuou pela primeira vez com sua amiga em "Assim Caminha a Humanidade" (1956), filme em que lhe rendeu a indicação ao Oscar e, segundo os críticos, um dos melhores papéis da sua carreira.

Mas, entre todas as estrelas com quem contracenou, Doris Day foi o casamento perfeito e ajudou a definir seu estilo em "Confidências à Meia-Noite" (1959), "Volta Meu Amor" (1961) e "Não Me Mandem Flores" (1964), três comédias românticas que fizeram juntos com grandes êxitos e o colocaram entre os astros mais rentáveis do cinema nos anos 60.

Na companhia de amigos e após sua melhora desde a internação há 26 dias, "Hudson sai do hospital e volta de carro para casa", era a manchete no "NP" de 26 de agosto de 85, que dizia que o ator receberia atendimento domiciliar.

Crédito: Universal Pictures/Divulgação
Doris Day faz o par romântico com Rock Hudson na comédia "Confidências à Meia-Noite" (1959), de Michael Gordon

Rock Hudson estava na batalha contra a Aids, e a doença se tornava primeiro plano na indústria do cinema, levantando temores de que haveria contágio de infecção no estúdios e trazendo discriminação contra os homossexuais. O "Notícia Populares" relatou esse momento em 26 de setembro "Peste-gay deixa os astros do cinema cheios de pavor".

Nesse mesmo período, Rock Hudson fez uma doação de US$ 250 mil para a criação da American Foundation for Aids Research. Enquanto isso, as amigas Liz Taylor e Doris Day iniciaram a organização de um jantar de gala, levantando mais de US$ 1 milhão.

O dinheiro arrecadado foi destinado a uma campanha para a AIDS Project Los Angeles gastar em pesquisas e buscar esclarecimentos sobre a doença, pois nos últimos quatro anos, nos EUA, mais de 6.000 pessoas tinham morrido vítimas da doença.

Infelizmente, Rock Hudson, que nunca assumiu publicamente a homossexualidade —em 1955, para evitar que isso fosse divulgado, foi obrigado a se casar com Phyllis Gates, secretária de um dos seus empresários— estava entre esses números ao morrer às 9h do dia 2 de outubro de 1985, em sua casa. As causas exatas da morte não foram reveladas, mas, segundo seu médico oficial, houve duas complicações: o Sarcoma de Kaposi (uma espécie de câncer de pele) e a destruição do fígado.


Três horas depois de sua morte, Rock Hudson foi cremado e, atendendo a um de seus últimos pedidos, as suas cinzas foram jogadas no oceano Pacífico, numa cerimônia alegre e festiva, com muito champanhe e caviar, a bordo de um iate com muitos amigos.

A manchete do "Notícias Populares" em 5 de outubro destacava "Uma festa no adeus a Rock Hudson". Era o fim de uma história em que o mocinho corajoso, no melhor papel de sua carreira, morre no final, mas deixou que seu diagnóstico modificasse no país a consciência da epidemia do vírus HIV.

Se estivesse vivo, no próximo dia 17 de novembro, Rock Hudson (cujo apelido foi dado pelo agente Henry Wilson para que fosse como sólido como a rocha de Gibraltar e constante como o rio que corta Nova York) completaria 90 anos.

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