Saiu no NP

'Mortos-vivos' ressuscitam nas páginas do 'Notícias Populares'

O inacreditável e o inusitado marcaram edições do "Notícias Populares" ao longo dos 38 anos de existência do jornal, que circulou entre 1963 e 2001, vide os casos incomuns como os do "Bebê Diabo", do "Monstro da Billings" ou ainda o do "Pênis Voador" –já contados nesta seção.

A morte também foi temática constante no "NP", fosse causada por homicídio, suicídio ou acidental. Mas ela chamou mais atenção quando se tratava de casos de "ressurreição" e de pessoas que reapareceram depois de terem sido consideradas mortas.

Três desses casos tiveram grande repercussão.

Crédito: Folhapress
Em 1973, a história de três operários que foram dados como mortos motivou investigação das autoridades

O primeiro deles foi registrado pelo "NP" em 31 de agosto de 1973, quando o jornal apresentou o caso de três operários de uma galeria de esgotos de Belo Horizonte (MG) que haviam sofrido desmaios por causa do vazamento de gases na galeria onde trabalhavam. Levados para um Pronto Socorro da capital mineira, foram declarados mortos pelos médicos.

Transportados para o IML (Instituto Médico Legal) da cidade e colocados sobre lajes frias onde seriam autopsiados, os três "cadáveres" - para espanto de um dos funcionários do necrotério - começaram a gemer. Dado o alarme, um legista correu até os corpos e, após examiná-los, constatou que os trabalhadores estavam "mais vivos do que nunca".

O caso teve tanta repercussão que as autoridades se viram obrigadas a apurar as falhas. A princípio a Corregedoria de Polícia de Belo Horizonte descobriu que, logo depois de os operários serem examinados no Pronto Socorro, onde foram tidos como mortos, foi fornecida aos bombeiros uma guia para que recolhessem os "cadáveres" ao necrotério. Por outro lado, o médico legista João Bosco Nacif, que, juntamente com doutora Joana Darc Lima, examinou os operários, defendeu-se dizendo que os operários apresentavam batimentos cardíacos e movimentos respiratórios, "o que evidencia a vida e nega a morte".

Casos como este não eram exclusividade brasileira. Tanto que, em 1980, o "Notícias Populares" relatou uma história ocorrida em Martinbsburg, no Estado da Virgínia (EUA), a de um "morto" que acordou dentro da geladeira de um necrotério de um presídio e deixou os funcionários do local "de cabelos em pé".

O cadáver da vez era Charles Herrell, então com 56 anos, que havia sido encontrado inconsciente por policiais dentro de seu carro, estacionado em frente a uma prisão. Socorrido, Herrell foi rapidamente conduzido para a enfermaria do presídio. "Ele estava de fato morto. Nem respirava. E isso foi atestado por um legista que estava de plantão no local e assinou o atestado de óbito de Herrell", relatou o jornal em 24 de maio de 1980.

Após ser dado como morto, o rapaz foi colocado dentro de um caixão e levado para a geladeira do necrotério da prisão. Minutos depois, um dos funcionários do local resolveu dar uma espiada no "cadáver" e, para seu espanto, notou que Herrell estava respirando.

Crédito: Folhapress Em 24 de maio de 1980, o caso de Charles Herrell chamou a atenção da mídia nos EUA
Em 24 de maio de 1980, o caso de Charles Herrell chamou a atenção da mídia nos EUA

Ainda na geladeira, o americano acordou, abriu o caixão, levantou-se e deu alguns passos em direção ao legista que o tinha declarado como morto, afim de cumprimentá-lo. "Este, por sua vez, quase morreu de susto", contou o "NP". Herrell saudou também o funcionário que havia decidido checar o seu corpo.

Após a confusão, exames mostraram que Charles Herrell sofria de hipoglicemia - distúrbio causado pela baixa concentração de glicose do sangue - o que ocasionou a paralisação temporária de alguns órgãos vitais de seu corpo, finalizou a reportagem.

Quando não são legistas os responsáveis por confundir vida e morte, parentes da suposta vítima podem também protagonizar caso semelhante, como em 9 de fevereiro de 1988, quando o "Notícias Populares" contou a história de Adevaldo da Silva Ribeiro, 18, morador de Osasco (SP), na reportagem "Morto aparece vivo no próprio velório".

Adevaldo havia desaparecido no início de fevereiro daquele ano, e logo a família recebeu a informação de que havia um corpo com as mesmas características do jovem no IML da cidade. O pai do rapaz, Amando Ribeiro dos Santos, e sua filha, Doracy Ribeiro Morales foram até o local para o reconhecimento do cadáver e confirmaram que o homem que jazia na geladeira era mesmo Adevaldo.

Horas mais tarde, depois de acertados todos os trâmites para o funeral, o suposto corpo fora levado até a residência da família e colocado sobre uma mesa no meio da sala, onde seria velado. "Não demorou, no entanto, para que Adevaldo, em carne e osso, entrasse repentinamente no local", informou o "Notícias Populares". Surpreso e um tanto assustado ao perceber que na mesa da sala havia um caixão ladeado por quatro velas, logo perguntou: "Quem foi que morreu?".

Crédito: Folhapress
Em 9 de fevereiro de 1988, o "Notícias Populares" contou a história de Adevaldo da Silva Ribeiro, então com 18 anos

A partir daí um verdadeiro corre-corre tomou conta da casa, afinal, como descreveu a reportagem do jornal, "todos velavam um corpo que pensavam ser o de Adevaldo". Apavoradas, algumas pessoas pensaram se tratar da alma ou do espírito do jovem. Somente horas depois o falso cadáver fora identificado como sendo do jovem Adriano Gomes, de 17 anos, morto na Vila Pestana, em Osasco.

O pai de Adriano, Agenor Estelita Gomes, porém, já havia prestado queixa ao delegado Adilson José Vieira Pinto, sobre o desaparecimento do corpo do filho, que se encontrava no IML de Osasco. Acompanhado do escrivão Isaac Minichillo de Araújo, o delegado dirigiu-se ao necrotério para dissipar o mistério.

Ao tomar conhecimento do equívoco, os familiares do verdadeiro morto, conforme descreveu o "NP", partiram para a casa de Amando, onde o corpo de Adriano era velado. Amando, por sua vez, mesmo feliz com a volta do filho Adevaldo à casa, quis cobrar do pai do verdadeiro morto todo o dinheiro gasto com o funeral do rapaz. "Mas tudo acabou resolvido da melhor maneira", esclareceu o delegado Vieira Pinto ao jornal. E o corpo de Adriano pôde ser sepultado pela família.


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Então acesse:

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