Saiu no NP

Canibal e Ceifador aterrorizam 2º capítulo dos crimes do século

Como surge um assassino em série? Às vezes vemos, ouvimos ou lemos casos de assassinatos brutais cometidos por criminosos que criam sua "marca", seu jeito próprio de matar, e pensamos o que leva uma pessoa a cometer esses tipos de atrocidades.

A seção "Saiu no NP" traz hoje mais duas releituras de textos publicados na série "Crimes do Século", publicada pelo jornal "Notícias Populares" em setembro de 1993. E, em uma dessas histórias, você, leitor, conhecerá a receita macabra para "produzir" um serial killer.

3 - O CANIBAL AMERICANO

Crédito: Folhapress
O 'Notícias Populares' contou o caso de Jeffrey Dahmer, o canibal americano, no dia 12 de setembro de 1993

Um rapaz negro, completamente nu, corre pelas ruas da cidade de Milwaukee, no Estado de Wisconsin (EUA), até alcançar uma viatura policial.

Aparentemente sob o efeito de drogas, ele consegue convencer os policiais a acompanhá-lo até um bloco de apartamentos ali perto. Algo de muito macabro estava para ser descoberto naquele 22 de julho de 1991...

Os oficiais chegaram até o conjunto habitacional e ao se aproximarem do apartamento 213, onde a vítima nua, Tracy Edwards, dizia ter sido atacada, sentiram um odor terrível, forte como carne podre.

Lá dentro encontraram Jeffrey Dahmer, que tentou convencê-los de que tudo não passava de um mal-entendido. Mas o cheiro e as moscas que empesteavam o ambiente o contradiziam. Os policiais repararam que nas paredes haviam fotos de corpos desmembrados. Dahmer foi preso.

O apartamento estava repleto de restos humanos, com cabeças na geladeira e vários pênis espalhados pelo local, inclusive um dentro de uma chaleira, além de um tambor com produtos químicos, onde o que sobrava dos corpos era colocado para ser dissolvido.

O sanguinário assassino seduzia suas vítimas (a maioria negra, gay), as levava até o seu apartamento e lá oferecia bebidas misturadas com pílulas para dormir. Com a vítima já praticamente inconsciente, fazia sexo com ela, depois a matava, esquartejava e a comia, mas sem o requinte de Hannibal Lecter, personagem de "Silêncio dos Inocentes" (1991), interpretado por Anthony Hopkins.

Em 1992, em seu julgamento, o canibal americano, assim como passou a ser conhecido, confessou ter matado 17 pessoas, mas alegou insanidade. O júri não aceitou a alegação e o condenou a 15 prisões perpétuas. No dia 28 de novembro de 1994, Jeffrey Dahmer acabou morto na prisão por Christopher Scarver, que dizia ter recebido uma ordem de Deus.

4 - O CEIFADOR

Crédito: Folhapress
No dia 15 de setembro de 1993, o 'Notícias Populares' contou a história de Henry Lee Lucas, que disse ter matado 360 pessoas

Henry Lee Lucas, o caçula dos nove filhos de Viola, uma prostituta, alcoólatra e violenta, mulher de Anderson Lucas, um homem que perdeu as duas pernas em um acidente numa linha férrea e que, como seu filho mais novo, sofria com a violência doméstica de sua esposa, é o personagem principal dessa história.

A vida da família era muito complicada. Os EUA sofriam com o efeito da Grande Depressão (crise econômica que perdurou de 1929 até o início da Segunda Guerra), e o nascimento de Lee (1936) –indesejado por sua mãe, Viola– agravou mais ainda a situação.

Anderson, o pai do garoto, não suportava mais os maus-tratos recebidos e, atirando-se na neve para morrer de pneumonia, deu um fim a seu sofrimento e tornou a criança o maior alvo da fúria descabida de sua mulher.

O menino, além das torturas às quais era submetido, foi obrigado a se vestir de menina e ir à escola dessa maneira durante três anos. Outro fato marcante em sua infância foi ver a mãe matar sua mula de estimação a pauladas. Em uma das surras que levou de sua progenitora, ficou três dias em coma.

Aos 13 anos, Lee já fumava e bebia muito, tinha relações sexuais com animais mortos (que ele mesmo matava) e com um meio-irmão, o qual lhe furou um olho com uma faca. O descaso de sua mãe, que não quis saber do ferimento, fez com que ele perdesse o órgão, e no lugar teve que usar uma prótese de vidro.

Em 1960, aos 23 anos de idade, o jovem, totalmente perturbado e cansado das agressões feitas por sua mãe, explodiu em uma onda de ódio e a matou a pancadas e facadas. Não satisfeito, ainda estuprou o cadáver de Viola.

O rapaz acabou sendo condenado a 40 anos de prisão, mas alguns anos depois foi transferido para um hospital psiquiátrico, onde permaneceu por seis anos. Em 1970, conseguiu liberdade condicional, mas o próprio alertou às autoridades de que ele não estava apto a sair –ele não foi ouvido.

Alguns anos depois, Lee casou-se com Betty Crowford (viúva de um primo dele) mas o relacionamento durou pouco, até ele ser acusado por ela de violentar suas duas filhas de seu casamento anterior.

Expulso de casa e com o pé na estrada, o aspirante a serial killer iniciaria sua "obra maligna". Ele percorreu as rodovias do sul do país, dando carona às suas futuras vítimas e cometendo insanidades, como dirigir por três dias seguidos, sem parar, e com uma cabeça apodrecendo no banco do passageiro.

Em uma dessas viagens, o maníaco, bissexual, conheceu seu par perfeito: Ottis Toole, homossexual e assassino. Os dois tornaram-se amantes e, juntos, cometeram várias barbaridades. Toole, inclusive, comia algumas de suas vítimas.

Um dia, o personagem principal dessa história conheceu a prima de seu parceiro, Frieda "Becky" Powel, na época com 13 anos. Ele se apaixonou por ela e abandonou seu cúmplice. Os dois foram morar juntos. A relação fez com que Lee parasse de matar e o tornou religioso.

Mas, em 1982, quando Becky ainda tinha apenas 15 anos, uma discussão entre o casal fez com que seu espírito assassino fosse reanimado. Na briga, a jovem desferiu um tapa no rosto do maníaco, que revidou com facas e depois fez sexo com o seu corpo.

Crédito: Folhapress
Ilustração representa o último crime cometido por Lucas

Tempos depois, o assassino esfaqueou uma idosa de 80 anos, desenhou uma cruz no peito dela com uma faca e abusou sexualmente de seu cadáver. Em 1983, foi preso por porte ilegal de arma. Toole, seu parceiro, estava preso por outros crimes, mas a polícia já atribuía algo em torno de cem mortes aos dois.

Henry Lee Lucas confessou mais de 360 assassinatos, mas nunca foi comprovado se o número de pessoas mortas por ele era esse mesmo. Ele acabou condenado à pena de morte, mas essa virou perpétua após ser comutada pelo então governador do Texas, George W. Bush, em 1998.

Lee morreu na cadeia, em março de 2001, em razão de complicações cardíacas. Já o seu parceiro, Ottis Toole, acabara vítima da cirrose, também na prisão, cinco anos antes.


Na próxima semana, você confere a terceira parte da série "Crimes do Século", com o palhaço assassino e a chacina no restaurante chinês.
Caso não tenha visto o primeiro capítulo, acesse http://folha.com/no1491131

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