Música

Anitta compara funk a bossa nova e diz que fama internacional reduz preconceito

Cantora, que está em Miami, lança 'Girl From Rio' nesta quinta

Anitta em cena do clipe "Girl From Rio" Mar+Vin

São Paulo

Das comunidades cariocas aos palcos internacionais. Essa pode ser a descrição da trajetória da cantora Anitta, 28, que lança nesta quinta-feira (29), às 19h, o single “Girl From Rio”, voltado ao público internacional, mas também a história do próprio funk.

A nova música, primeira do quinto álbum da artista, vem com a proposta de mostrar sua cidade natal, a partir de mais de um ângulo. O Rio de Janeiro que a Bossa Nova mostrou ao mundo na década de 1950 contrastando com o da infância e da adolescência de Anitta.

De um lado, roupas clássicas, carro de luxo e até um sample da música “Garota de Ipanema” (1962), clássico de Tom Jobim, enquanto do outro aparece a sensualidade dos biquínis cavados, a simplicidade do Piscinão de Ramos e os ônibus de viagem.

Apesar de aparecer pouco no clipe, o ônibus usado pela cantora já conseguiu viralizar antes mesmo do lançamento do vídeo, trazendo várias referências de sua vida, como o ano de seu nascimento e o Piscinão de Ramos, onde fez seu primeiro grande show.

Anitta reverteu o valor que recebeu pelo marketing da música “Girl from Rio” em doações à ONG carioca Voz das Comunidades, que presta serviços sociais a várias comunidades do Rio de Janeiro, em especial ao Complexo da Alemão.

“Quero mostrar ainda mais nossa pluralidade internacionalmente. O Rio de Janeiro não se limita às suas belezas naturais e mulheres e homens padronizados”, diz a cantora, que está atualmente em sua casa em Miami devido aos compromissos profissionais.

Em conversa com a imprensa, Anitta afirma que sua ideia de internacionalização visa inclusive a redução do preconceito e compara o funk a bossa nova. "Foi só quando o exterior abraçou que começaram a respeitar no Brasil, acredito muito nisso."

Como desenvolver essa estratégia, no entanto, é um pouco mais complicado. “A grande dificuldade é mostrar a identidade brasileira, mas voltada ao público internacional e que, ao mesmo tempo, atraia o público brasileiro”, afirma ela, que já soma dez anos de carreira.

“Combinamos de nunca comparar nosso trabalho com o de outros por causa disso. Não dá para nos comparar com um latino, por exemplo, que está trabalhando há mais tempo com isso e não precisa se dividir entre vários públicos. É tudo muito único.”

Mesmo com as dificuldades, Anitta afirma que 2021 será totalmente focado no público externo. “Girl From Rio” tem apenas um trecho em português, mas os próximos singles não terão nada no idioma original da cantora.

Anitta afirma, no entanto, que seu objetivo é maior que cantar em inglês e fazer sucesso no exterior, a ideia é apresentar ao mundo a cultura brasileira, o que ela diz fazer com sua música e suas redes sociais.

“Só vir aqui e cantar em inglês não é o que eu quero, seria até um caminho mais rápido para emplacar nas rádios, mas não teria propósito. Eu nem tenho ambição mais, quero menos negócio, quero relaxar, então a ideia é trazer a cultura do Brasil”, diz.

A cantora, que tem 53 milhões de seguidores no Instagram, afirma que 30% dessas pessoas não são brasileiras. “É um grande público não brasileiro que segue a gente, então achamos importante apresentar alguma coisa do Brasil, para fazer sentido.”

“Já sou uma artista nova, com uma proposta nova. Se eu chegar com um idioma novo, não vai dar certo. Primeiro a gente tem que fazer as pessoas se acostumarem com a proposta para depois colocar o batidão, e então músicas todas em português. Tem que ser aos poucos, comendo pelas beiradas.”

Seu próximo álbum, também intitulado “Girl From Rio” e ainda sem data de lançamento, não terá o idioma português, mas Anitta promete mais duas referências clássicas, além de “Garota de Ipanema” —uma brasileira e outra de reggaeton.

Se seguirem os parâmetros de “Girl From Rio”, os fãs podem esperar grandes produções. Segundo a cantora, o clipe de “Girl From Rio”, que será lançado nesta sexta-feira (30), às 10h, teve um orçamento que poderia bancar um filme.

“Rolou um super barraco, porque era um orçamento ainda alto. Eu falei: ‘acham que meu dinheiro é capim, nasce em árvore?’, dava para gravar cinco clipes”, recorda Anitta, aos risos, que promete um making of bem engraçado aos fãs.

AMAZÔNIA E FESTA JUNINA

Apesar de não estar mais à frente de seus negócios, Anitta, que hoje tem equipes focadas em sua carreira tanto no Brasil quanto no exterior, afirma que já tem ideias para trabalhos futuros e, justamente, com essa ideia de mostrar mais do Brasil.

Uma delas é uma parceria com o colombiano Maluma, 27, em que ela pretende mostrar ao mundo mais sobre as festas juninas brasileiras. “Até já expliquei para ele o que é festa junina, é o que quero mostrar, só vamos esperar a pandemia passar”, diz.

Entre seus projetos está também a Amazônia, afirma Anitta. “Já falo sobre ela em entrevistas, até porque me perguntam muito sobre política e eu falo porque o que estão fazendo com a Amazônia hoje é preocupante para o Brasil e para o mundo.”

Por enquanto, a cantora está focada em “Girl From Rio”, em sua casa em Miami, apesar de ser categórica ao dizer que não se mudou para lá. Segundo ela, a pandemia e a necessidade de quarentena a cada viagem a fizeram passar esse tempo nos EUA.

“Estou vacinada, praticamente todos que conheço estão, o que é legal e triste ao mesmo tempo. Infelizmente nosso país fez escolhas muito ruins. É louco, porque aqui também estava muito ruim, mas assim que trocou de presidente [saiu Donald Trump e entrou Joe Biden] as coisas andaram.”

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