Música

BTS estreou 4º álbum no topo da Billboard, mas com menos segurança que o último

Grupo de k-pop está chegando ao seu pico: o que virá a seguir?

Da esq. para a dir.: J-Hope, SUGA, Jungkook, Jimin, RM, V, e Jin do grupo de k-pop BTS
Da esq. para a dir.: J-Hope, Suga, Jungkook, Jimin, RM, V, e Jin do grupo de k-pop BTS - Dia Dipasupil/Getty Images/AFP

“Map of the Soul: 7”, o quarto álbum em coreano do fenômeno pop BTS, estreou no final de fevereiro no topo da parada da Billboard, ainda que isso seja apenas um dos indicadores do domínio cada vez maior exercido pelo grupo.

Nos últimos anos, o BTS se tornou o porta-estandarte mundial do pop puro. Os sete membros –J-Hope, RM, Suga, Jungkook, V, Jin e Jimin— são carismáticos, ágeis e, o que é mais importante, determinados a manter o ritmo de trabalho e a ambição requeridos para serem populares em seu país, nos Estados Unidos e em praticamente todos os outros lugares do planeta.

O BTS está "voando alto", e por isso pode não parecer, superficialmente, que esteja navegando por águas turbulentas. Mas o sucesso incansável do grupo obscurece o fato de que ele está à beira de duas transições cruciais: uma dependência menor do hip-hop e um flerte cada mais claro com colaboradores famosos do mundo de fala inglesa.

“Map of the Soul: 7” acaba sendo uma espécie de referendo sobre a espécie de megafenômeno pop que o BTS está se tornando, e sobre o que o grupo pode ter de deixar no caminho.

Como um todo, “Map of the Soul: 7” é um disco forte, mas nada selvagem, e mostra menos segurança que “Love Yorself: Tear”, o álbum anterior do grupo, de 2018, e o primeiro álbum de k-pop a estrear no topo da parada de álbuns da Billboard.

“Love Yourself: Tear” mostrava o BTS como um grupo ambicioso e inclusivo, com uma zona de conforto muito ampla: pop-EDM, hip-hop no estilo do sul dos Estados Unidos, R&B ao modo da década de 1990, e os temas de dança de batida forte que o gênero privilegia.

Depois de demonstrar suas amplas capacidades, o BTS estreita o foco no novo álbum. Por um lado, o grupo é camaleônico –em “Boy With Luv” eles se unem a Halsey para uma aventura açucarada em estilo neodisco; “Make It Right” é uma parceria com Ed Sheeran e faz um bom trabalho ao combinar a energia exuberante do BTS a um dos pacotes de ritmo característicos de Sheeran; “Louder Than Bombs”, uma canção lenta, sombria, quase gótica, e uma das melhores do disco, foi composta em parceria com Troye Sivan, Allie X e Leland.

O vocal na paciente balada “00:00 (Zero O’Clock)” impressiona. E, como sempre, os rappers do BTS brilham em “Map of the Soul: 7”: Suga lidera a banda em “Interlude: Shadow”, com toques fortes de Drake, e a faixa de J-Hope, “ Outro: Ego” , pulsa com a energia aeróbica de uma big banda jubilosa.

A melhor faixa do álbum talvez seja “Ugh!”, que destaca RM, J-Hope e Suga e parece uma mistura acelerada do som da era do Outkast com o impressionismo silábico de Travis Scott.

Essa fluência ecoa o que se tornou claro no momento em que os membros do BTS começaram a cruzar fronteiras em suas colaborações solo –por exemplo RM em “Seoul Town Road”, um remix de “Old Town Road” de Lil Nas X, ou a atualização por J-Hope, com Becky G, do hit protoviral “Chicken Noodle Soup”, de Webstar e Young B (com um vídeo exuberante).

Nem todas as canções de “Map of the Soul: 7” são efetivas, especialmente a frouxa “Moon” e a caótica “On”. Mas o disco novo, em geral, captura um grupo seguro de seu lugar na hierarquia do pop, e começa a parecer irrequieto sobre o que fazer a seguir –o que não surpreende, porque o BTS está chegando a um ponto de autoconsciência a que todos os astros um dia chegam, mas que muitas vezes pode se manter oculto, no mundo altamente estilizado do K-pop.

No episódio recente de “Carpool Karaoke” com o grupo, o BTS cantou com competência sucessos de Post Malone e Bruno Mars, mas também houve momentos de tensão brincalhona, com Jin zoando ligeiramente o apresentador James Corden e o colega de banda RM. Sabemos de onde o BTS veio e o que se tornou, mas mal estamos começando a ver aquilo que ele ainda pode ser.​

The New York Times

Com tradução de Paulo Migliacci

Final do conteúdo

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem