Humanos

Concurso elege 'looks' modernos do véu islâmico

"Cubra tudo, exceto mãos e rosto, e sua criatividade não vai ter limites", afirma a estilista americana Sarah Musa.

Ela venceu em Chicago, nesta semana, um concurso de criação de "looks" com o hijab, o véu islâmico.

Metade palestina e metade coreana, Musa era uma das participantes do American Hijab Design Contest, com a premissa de que "hijab é tão americano quanto jeans".

O evento foi organizado pela ativista americana Shaz Kaiseruddin, que pediu a estilistas que apresentassem trabalhos variando cores, camadas e texturas desse que é visto, no Ocidente, como um dos símbolos da opressão masculina contra a mulher.

"Percebi que toda a conversa sobre o hijab tinha um tom negativo", diz Kaiseruddin à Folha. "Quis, além de desfazer preconceitos, criar um furor em torno do véu."

Nascida e criada nos EUA, filha de imigrantes indianos, Kaiseruddin afirma ter como meta que "as mulheres que crescem no país não se sintam estrangeiras. Está na hora de libertar nossa imaginação e criar visuais de ponta".

A vencedora Musa diz à reportagem que quis "criar roupas que são confortáveis e, ao mesmo tempo, chiques".

"Eu faço roupas práticas que as mulheres possam usar para sair na rua", afirma. Ela viaja a Dubai, como parte de seu prêmio.

A estilista diz que "não há restrições" quando véu islâmico e moda se encontram na mesma cabeça. Basta que seja mantida uma regra: modéstia no modo de se vestir.


'PROFESSORA ESTILOSA'

Há outros eventos de moda voltados a muçulmanas além do American Hijab Design Contest, como o Fashion Fighting Famine, realizado nos EUA desde 2007.

Na internet, mulheres divulgam seus visuais e dividem dicas em sites como o Hijablog (thehijablog.com), da norueguesa Imaan Ali.

"Eu lancei o blog em 2008 a partir das dificuldades que tinha como uma mulher muçulmana --como me vestir com o hijab e parecer estilosa", afirma à reportagem.

Professora de ciência política na Universidade de Michigan, nos EUA, ela se orgulha de contar que seus alunos dizem, ao fim do semestre, "que sou a professora mais estilosa que eles já tiveram".

Mas, principalmente enquanto morou na Europa, diz, foi alvo de preconceito pelo modo como se vestia. "Não conseguia achar emprego."

NARRATIVAS

Ali afirma que a opressão, que de fato existe contra as mulheres, representa apenas uma das narrativas. "Sou uma vítima de pessoas me dizendo o que não vestir, e isso também é dominação", diz. "Não deveríamos encarar uma roupa como uma coisa naturalmente opressiva. Tudo tem seu contexto."

Ela também nota que, enquanto faz o doutorado, acha "interessante" ver como a tratam como uma "mulher não educada, que não entende bem o inglês" quando notam que ela veste o véu islâmico.

"Demorei anos para descobrir como me vestir como uma mulher muçulmana e, então, criar meu estilo. Queria uma coisa colorida, um pouco excêntrica. Adicionei peças étnicas e um jeito ocidental de combinar peças."

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