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Descrição de chapéu The New York Times Séries

'Emily in Paris' volta com ainda mais moda fantástica

Série da Netflix é conhecida por abordagem irreal do vestuário francês

Lily Collins e Lucien Laviscount em cena de 'Emily in Paris' Stéphanie Branchu/Netflix

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Eliza Brooke
The New York Times

Depois que "Emily in Paris" chegou à Netflix no final do ano passado, a série –sobre uma jovem executiva prodígio de marketing que se muda para uma nova cidade e enfrenta diversos problemas– foi criticada por retratar uma versão fantasiosa da cultura francesa. Os parisienses se irritaram com as imprecisões e os clichês da trama, de pessoas fumando no escritório ao número de boinas vistas nas cenas.

"É a série que os franceses amam odiar", disse Marylin Fitoussi, a figurinista da série.

Mas o programa ainda assim ofereceu uma fuga bem-vinda para as pessoas confinadas em casa. Era como um banho quente para almas cansadas; uma aventura romântica, bobinha e colorida, em uma bela cidade intocada pela pandemia. E as roupas tinham um papel a desempenhar nisso.

Fitoussi originalmente tentou um visual realista, para certas roupas. No caso de Mindy (Ashley Park), herdeira que trabalha como babá para passar o tempo e se torna a primeira amiga verdadeira de Emily em Paris, o instinto dela foi escolher roupas confortáveis e tênis. Mas isso mudou depois de uma conversa com a consultora de figurino da série, Patricia Field, conhecida por seus figurinos fantásticos para a série "Sex and the City".

"Eles me disseram uma frase mágica: ‘Marylin, não queremos saber de realidade’", disse Fitoussi, com quem conversei via Zoom. (Ela estava usando um turbante preto, uma camisa de colarinho dourado e uma jaqueta estampada amarela, além de um conjunto de anéis enormes. "E esse é meu espírito na vida".

Para a temporada dois, que chegou na quarta-feira (22), Fitoussi e Field estavam determinadas a levar ainda mais longe a moda da série. Emily (Lilly Collins) está tentando navegar por um complicado triângulo amoroso, enquanto se acomoda à vida em Paris, e seu estilo se tornou mais sofisticado, ainda que continue a chamar a atenção. Mesmo a imperiosa chefe de Emily, Sylvie (Philippine Leroy-Beaulieu), está forçando os limites da moda de escritório francesa, usando tailleurs em cores metálicas e com bainhas franjadas dramáticas.

Como essas roupas demonstram, na Paris de Emily, mais é sempre mais.

UMA ESTAMPA OUSADA E UM CONJUNTO EXECUTIVO

Emily evoluiu para além da estampa de Torre Eiffel de um figurino da primeira temporada, mas o óbvio continua a ser sua assinatura. Para uma festa no Sena a fim de promover uma coleção de joias em forma de coração da Chopard, ela usa um vestido Anouki branco com estampa de corações vermelhos. Field não botou muita fé no vestido quando Fitoussi o comprou.

"No começo, eu não sabia como diabos o usaria, exatamente, porque parecia meio bobinho, de certo modo", disse Field em conversa por vídeo. "Mas então surgiu aquela cena".

Fitoussi disse que adorou as mangas bufantes. "Pat odiou as mangas, e eu disse que o vestido sem aquelas mangas era nada –só um tubo com estampa de corações", ela disse. (A jaqueta de listras vermelhas e rosa que Emily usa com o vestido teve de ser feita sob medida para acomodar as mangas.)

Mindy, enquanto isso, agora canta em uma banda, e exibe seu talento vocal nas ruas de Paris. (Park já foi indicada para um Tony e um Grammy.) As cenas de seus shows deram ao departamento de figurino a oportunidade de ousar ao máximo, com lantejoulas e penas.

Um exemplo: o terno verde Zadig & Voltaire que ela usa para cantar na noitada da Chopard, combinado a sapatos altos com strass da grife Roger Vivier.

"Estamos tão acostumados a ver Mindy parecendo muito sexy, muito feminina, muito ousada", disse Fitoussi. "E eu pensei comigo mesma: por que não um terno?"

Para dar a esse look "o toque Mindy", nas palavras de Fitoussi, eles elevaram o quociente de glamour com uma gargantilha vintage de pedrarias, que se estende decote abaixo.

UMA NOVA ABORDAGEM QUANTO AO ESTILO FRANCÊS

Sylvie é a primeira a criticar Emily por sua ignorância da cultura francesa e por sua arrogância americana, repreendendo-a por falar de trabalho em festas e por tratar Paris como "um parque de diversão pessoal". Mas embora a chefe de Emily seja de muitas maneiras a francesa arquetípica da série, Fitoussi não tinha interesse em vesti-la dessa maneira.

"Sei como criar um look para a ‘francesa perfeita’", ela disse, enumerando itens básicos "tediosos": jeans, camiseta, tênis brancos, blazer branco ou azul, "ou até bege, se estivermos loucos hoje".

Para a segunda temporada, Fitoussi selecionou para Sylvie diversos conjuntos vermelhos e um prateado. (O prateado ganhou o apelido de "tailleur Mick Jagger"). Um look vistoso que ela exibe no escritório inclui uma blusa dourada e decotada Saint-Laurent, saia preta Maje com recorte alto na coxa e cinto Alaïa.

"Essa é minha ideia de uma roupa de trabalho", disse Fitoussi. "Saia preta, mas em lugar de branco, preto ou azul marinho no top, você escolhe dourado".

O ESTILO DE UM NOVO PERSONAGEM

Alguns dos looks mais extravagantes da nova temporada pertencem a um novo personagem, o estilista Gregory Elliott Dupree (Jeremy O. Harris). Ele aparece inicialmente em Saint-Tropez, usando um casaco de pele falsa Casablanca verde e branco, pendurado dos ombros, e um chapéu Patou decorado com um alfinete de flores Dolce & Gabbana.

"A verdade é que, quando Jeremy O. Harris chegou, ele já veio vestido", disse Fitoussi. "Perfeito, não tenho trabalho nenhum a fazer, foi o que eu pensei".

Embora Fitoussi sinta uma afinidade especial por Gregory – ":se eu fosse homem, seria igualzinha a Gregory Dupree" -, ela se identifica muito com a sensibilidade de moda de Emily.

"Sou sempre muito colorida, e misturo padrões, porque fui projetista têxtil", ela disse. "Em Paris, as pessoas me chamam de papagaio ou de palhaço".

Para ela, o importante é que Emily retenha sempre sua sensibilidade audaciosa, mesmo quando começa a aprender o idioma e os costumes de sua nova cidade.

"Não quero que ela pareça uma garota francesa comum", disse Fitoussi. "Não quero que ela seja um clone daquilo que é ou deveria supostamente ser a moda francesa. Se isso acontecer, terei fracassado em minha missão".

Tradução de Paulo Migliacci.

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