Estilo

Inspirada por amiga deficiente, estilista lança coleção inclusiva e emociona Preta Gil

Estilista abusa dos zíperes e botões para facilitar dia a dia do deficiente

Preta Gil com modelo cadeirante em desfile inclusivo em São Paulo
Preta Gil com modelo cadeirante em desfile inclusivo em São Paulo - Divulgação

Fernanda Pereira Neves
São Paulo

A passarela que apresentou a nova coleção da estilista Andressa Salomone é um pouco diferente da de outros desfiles. Teve, sim, tops famosas, como Isabella Fiorentino, e personalidades marcantes, como Preta Gil, mas entre elas estavam tantos outros modelos sobre cadeira de rodas e usando pernas mecânicas. 

A novidade não surpreendeu quem acompanhou a apresentação da coleção intitulada La Dolce Belle, afinal, nada mais normal do que colocar pessoas com deficiência para apresentar roupas inclusivas. Quem olha de longe nem percebe, mas a diferença está nos detalhes, como nos botões e zíperes que facilitam o colocar e tirar das peças. 

Salomone, que começou sua marca há cerca de um ano e meio, com a coleção La Dolce Vita, conta que toda inspiração para os novos modelos,—seus primeiros inclusivos— foi sua amiga de infância, Izabelle Marquez, que nasceu com uma má-formação na coluna vertebral e, apesar de superar todos os prognósticos pessimistas, depende hoje da cadeira de rodas. 

“Depois que lancei a coleção La Dolce Vita, Belle começou a comprar mil vezes a mesma peça. Era preta, branca, de todas as cores, e eu não sabia o porquê. Eu achava que vivia o mundo de Belle, mas nunca vivi. Nunca tinha ido comprar roupa com ela. Não sabia que ela precisava da mãe e demorava até uma hora para colocar uma calça.” 

Foi assim que Salomone começou a coleção. “Tudo que eu via era estética e nada de inclusão. Quando soube falei: ‘Belle, você é um gênio, vamos lá’. Agora, ela e mãe colocaram a calça em dez minutos e Belle tirou sozinha, em cima da cadeira, no meu ateliê, em oito minutos”, conta a estilista. 

O desfile de apresentação da coleção aconteceu na quarta (6), na zona sul de São Paulo, e trouxe modelos cadeirantes e portadores de deficiências físicas ao lado de personalidades como Preta Gil, Isabella Fiorentino, Di Ferreiro, Arlindo Grund e Giane Albertoni. Preta Gil não conteve a emoção e fechou sua participação na passarela em lágrimas. 

Segundo a estilista, todo o dinheiro arrecadado com a venda das peças, que têm valor diferenciado às pessoas com deficiência, será doado à AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). 

FUTURO

Voltada a uma moda mais confortável, Salomone afirma ser fã dos jeans e moletons. "É o carro-chefe da minha marca. Penso na moda como atemporal, não voltada a um clima. Até porque o público está sempre viajando, um dia em Aspen, outro na Bahia, outro aproveitando o Carnaval do Rio de Janeiro".

"O chique confortável não existe. As pessoas falam: 'Ah!, Mas e a Givenchy?'. Mas é muito pontual, eles andam conforme a temporada. Você não entra na Givenchy  para comprar jeans e moletom. Para homem até vai, mas para mulher não. Você não tem um chique confortável", completa a estilista.

Já para o futuro, ela garante: “Terei duas peças, pelo menos, em todos os meus desfiles, voltados à moda inclusiva. Não adiante lançar essa cápsula e não continuar”. O preço diferenciado para deficientes também deve se repetir nas próximas coleções, afirma. 
 

Final do conteúdo

Últimas Notícias

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem