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Tony Goes

Festival Eurovision confirma previsões e dá vitória arrasadora à Ucrânia

Edição de 2023 do evento deverá ser no país, ainda em guerra com a Rússia

Banda ucraniana Kalush Orchestra posa com o troféu da vitória do Eurovision 2022
Banda ucraniana Kalush Orchestra posa com o troféu da vitória do Eurovision 2022 - Marco Bertorello/AFP
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Não deu outra. Há pelos menos três meses, as casas de apostas e os especialistas em Eurovision vinham apontando a vitória da Ucrânia na edição deste ano. Na grande final realizada na noite deste sábado (14) em Turim, na Itália, a canção "Stefania", defendida pela Kalush Orchestra, venceu com um total de 631 pontos, somados os resultados dos júris especializados e do voto popular – 165 pontos de vantagem sobre a segunda colocada, "Space Man", do britânico Sam Ryder.

Foi uma virada e tanto. O festival sempre divulga antes os favoritos dos júris de cada país concorrente, que manifestaram uma preferência clara pela candidata do Reino Unido. Mas o público não quis nem saber. Votando por telefone, SMS ou aplicativo, espectadores do mundo inteiro – e não só da Europa – deram mais de 400 pontos aos ucranianos.

É claro que há uma onda enorme de simpatia pelo país, invadido covardemente pela Rússia e, há quase três meses, palco do conflito mais sangrento em solo europeu desde o final da Segunda Guerra Mundial. Mas isto não desmerece a qualidade musical de "Stefania". A canção é uma interessante combinação de sonoridades do folclore da Ucrânia com rap. E a letra, uma homenagem à mãe de um dos integrantes da Kalush Orchestra, acabou ampliando seu sentido no contexto atual e virou um tributo à pátria-mãe dos ucranianos.

Agora o Eurovision tem um abacaxi nas mãos. Esta é a primeira vez, nos mais de 60 anos de história do festival, que a vitória vai para um país em guerra com um de seus vizinhos. Pior: um país que está tendo boa parte de sua infraestrutura estruída pelos russos, e de onde, segundo a ONU, já fugiram mais de seis milhões de pessoas.

Pela tradição, o país vitorioso no Eurovision hospeda a edição do festival no ano seguinte. Mas o que terá sobrado da Ucrânia em 2023? Kiev terá condições de receber um evento deste porte, e garantir a segurança de todos os visitantes? A guerra já terá acabado até lá?

São perguntas impossíveis de serem respondidas neste momento. O lado bom é que este triunfo ucraniano também é um abacaxi para os russos, que se retiraram ofendidos da União Europeia de Radiodifusão depois que vários países ameaçaram boicotar o Eurovision se eles participassem do festival de 2022.

Foi uma noite de inegável caráter político para um evento que sempre tentou se manter neutro em tudo. O festival não aceita canções de protesto, e desclassificou a Geórgia em 2009 depois que a pequena nação do Cáucaso inscreveu a música "We Don’t Want Put In", uma óbvia crítica ao mandatário da Rússia.

Este ano, a política se fez presente, ainda que de maneira suave, já no número de abertura da grande final. Numa praça em Turim, dezenas de músicos e cantores interpretaram "Give Peace a Chance", o hino pró-paz imortalizado por John Lennon.

Mais tarde, ao terminar sua apresentação, o próprio vocalista da Kalush Orchestra, pediu – em ucraniano – que o público se lembrasse de Mariupol, a cidade portuária ucraniana que está sendo arrasada pela Rússia.

Foi um resultado histórico para um festival que sempre primou pela alienação e pelo divertimento fugaz. Mas agora o Eurovision tem poucos meses para resolver onde e como será realizada a edição do ano que vem.

Tony Goes

Tony Goes tem 60 anos. Nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em São Paulo desde pequeno. Já escreveu para várias séries de humor e programas de variedades, além de alguns longas-metragens. E atualiza diariamente o blog que leva seu nome: tonygoes.com.br

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