Aviso
Este conteúdo é para maiores de 18 anos. Se tem menos de 18 anos, é inapropriado para você. Clique aqui.

Krishna Mahon
Descrição de chapéu Sexo

Guia básico da Phoda Madrinha para cantadas online

Não há nada mais broxante que emoji de berinjela

Guia básico da Phoda Madrinha para cantadas online
Guia básico da Phoda Madrinha para cantadas online - Intagram/ adrianna.eu
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Cansada de receber cantada cagada no Instagram, resolvi fazer da coluna de hoje um guia básico de boas práticas, o que fazer e, principalmente, o que evitar no mundo virtual, pra quiçá te fazer pontuar mais. Como homem tem duas cabeças e elas não costumam funcionar concomitantemente, vem botar a de cima pra pensar, que acho que a de baixo vai agradecer. Sim, a Phoda Madrinha quer que você transe mais e seja mais feliz.

Esse texto está muito hétero normativo? Sim, é que perereca normalmente vem com uma dose de bom senso, rs.

Nude não solicitado é assédio, como você aprendeu na minha coluna de estreia. O cara que manda isso sabe que não vai comer ninguém, né? Talvez um ou outro tenha a capacidade cognitiva da minha cachorra, a Aiaiai, ou dos cachorros que correm atrás da roda e, quando o carro para, não sabem o que fazer.

Tem emoji que é receber e broxar. Se você não conhece a mulher, não mande berinjela, água espirrando, carinha babando e diabinho. Dá no mesmo que chamar de tesão, gostosa, delícia e afins. Isso tudo é objetificação, mostra que você está tratando a mulher como um pedaço de carne ou, melhor, um buraco, e esse é o caminho para ficar só na punheta. Óbvio que depois que vocês se conhecem e tem uns tchararans a coisa muda.

O emoji de foguinho é polêmico. Tem mulher que gosta, mas como ele significa "chama", no sentido de "me chama que eu te como", eu mesma tenho horror. Botou foguinho eu nem curtida no comentário quero dar, imagina então a perereca. Pensa numa pessoa com horror de foguinho? Eu. Já não sou chegada em fogo na vida real, fico apavorada para ligar o forno quando não tem aquela faísca automática e, também, tenho pavor de panela de pressão. Devo ter morrido queimada em outra encarnação.

Nos milênios trabalhando em corporação americana aprendi um trem que vale para trabalho, família e krush: crítica no privado e elogio em público. Quem me segue no Instagram já sabe: amo curtidas e comentários no perfil. Tenho um ex-amigo, casado, que só elogiava no privado e de forma muito efusiva. Ah, mermão (licença pro carioquês)... Meio caminho andado pro ranço eterno.

Elogio feijoada, aquele que foca em partes determinadas do corpo, é bom evitar. Suas pernas são lindas, seu peito é perfeito, sua bunda é tipo aquela picanha que está uma beleza, nunca vi uma maminha tão boa, ô como queria provar sua chuleta. Talvez funcionem com krush que trabalha em açougue, ou é chegada no Jack, o estripador, que amava as mulheres em partes. Aliás, sexualizar demais causa repulsa e não atração.

Em um famoso texto de Freud chamado "A Negação", ao falar de uma função essencial do juízo, diz que este tem duas decisões a tomar, de modo que, "na linguagem das mais antigas pulsões orais", poderia ser dito assim: "isto eu quero comer ou quero cuspir", que depois Freud vai ampliando para "isto eu quero introduzir em mim e isto eu quero tirar de mim" e para "isto deve estar em mim ou fora de mim". Ou seja, com um mínimo de juízo, a cantada cagada, ao invés de causar "quero esse peru dentro de mim", causa "quero esse peru fora de mim, de preferência bem longe".

Na dúvida releia antes de mandar a mensagem, ou comentário, e se pergunte: minha irmã e minhas amigas gostariam de receber isso aqui de um estranho ou não? Bom senso ajuda todas as áreas da nossa vida, vai por mim; sou o resultado da falta dele. Mamãe não tinha, papai, se teve, perdeu e eu tenho só um tiquinho, bem pouquinho mesmo. Por isso falo as maiores barbaridades todos os sábados no SexPrivé Club da Band, conto "causos" cabeludos aqui na Folha e, no meu Instagram @krishnamahon, só falta colonoscopia.

Quase todo dia recebo "tem whatsapp?" ou "passa o zap", assim mesmo, sem oi, sem nada. Tem que estar matando cachorro a grito para dar mole a um sujeito que não se dá ao trabalho de ter um mínimo de educação, né? Aqui não estou falando de escrever corretamente, porque passei a trocar mensagens super profundas na DM com gente que, mesmo escrevendo com erros básicos de português, ainda assim conseguem gerar mais afeto do que quem chega mandando cantada sem erros ortográficos; e também tem os outros fofos que mandam áudio porque dizem que não sabem escrever. É, caro leitor, o Brasil profundo é foda e nosso abismo sociocultural tem aumentado.

Pesquisa que o Datafolha não fez, mas é batata: quem faz a lição de casa pontua mais. Uma olhadela rápida no Instagram da pessoa já dá para saber quais os interesses em comum: praia, cachorro, séries, filmes, literatura. Quem lê a informação da bio, LinkedIn, ou um Google básico é praticamente um Sherlock Holmes e provavelmente vai encontrar o tesouro.

Humor ajuda horrores, digo por mim e pelas amigas que consultei. Cantada podre, meme, zoeira dentro dos interesses em comum. Riu, pegou. Mais eficaz que humor só o amor. Falou com o coração, mais chance das pernas abrirem, porque afeto é uma maravilha. Já falei zilhões de vezes mas não canso de repetir: o bom é o encontro cabeça, coração e rabo, e a isca pro rabo é o coração, então use a cabeça e siga os conselhos da Phoda Madrinha, vai.

Krishna Mahon

Jornalista e cineasta indicada ao Emmy, é apresentadora do SexPrivé Club da Band. Foi produtora da Discovery e diretora de conteúdo do History.

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem