De faixa a coroa

Géssika Motta vence concurso de miss após engordar 20 kg: 'Não achei que me encaixaria'

Goiana de 28 anos venceu o Miss Plus Models e representará o Brasil

Gessika Motta, que venceu o Miss Plus Models Brasil 2021 Instagram/gessikamotta

A modelo goiana Géssika Motta provou a si mesma, em janeiro deste ano, que seu corpo não a impede de conquistar seus sonhos, mesmo que ele seja maior do que as revistas e as redes sociais apontam como ideal. Arquiteta, de 28 anos, ela se destacou entre 130 candidatas e conquistou o título de Miss Plus Models Brasil 2021.

“Nunca havia pensado que um dia eu me encaixaria numa posição de miss, pensava ser algo fora da minha realidade. Diziam que eu era tão linda quando era mais magra. Já falaram que fui desleixada por me permitir engordar tanto, supondo que agora sou feia. Ouvi muitas coisas, mas isso não me afeta mais”, afirma à coluna.

Agora com a coroa em mãos, Géssika afirma que, mesmo sendo uma pessoa bastante otimista, não aplicava esse sentimento a assuntos que dependessem de algo relacionado a seu corpo. “O concurso com certeza é um divisor de águas na minha vida. Me sinto grata e realizada de desenterrar um grande sonho”.

Como tem acontecido na maioria dos concursos de beleza no último ano, por conta da crise sanitária da Covid-19, Géssika foi eleita de forma virtual. O júri da etapa avaliou fotos e vídeos enviados por cada uma das candidatas, no fim do ano passado.

Para balizar a decisão de forma justa, as misses foram colocadas em categorias de acordo com seu biotipo, e Géssika disputou na categoria curve. Esse tipo de corpo é considerado intermediário, nem magro nem gordo, e há algum tempo era esquecido no mundo da moda, com modelos que não se encaixavam em nenhuma categoria.

“Eu passei por situações complicadas, pois não sou considerada magra para fotografar para marcas e também não podia me rotular plus size, pois os clientes não consideravam meu corpo gordo suficiente. O concurso foi incrível por abrir uma categoria para um corpo intermediário. Hoje falo com orgulho que sou curves”, diz.

E não foi só a porta para o mundo da moda que se abriu para Géssika, mas também a de influenciadora Segundo conta, muitas meninas têm buscado se inspirar na sua história para correr atrás de seus objetivos. “Além de me proporcionar grande visibilidade na minha carreira de modelo, ser miss me fez enxergar meu corpo com mais amor e inspirar muitas mulheres a não desistir de seus sonhos”

A coordenadora do Miss Plus Models Brasil, Fabiane Niewierowska Mattos, afirma que esse era o objetivo do concurso. “Ele veio para valorizar as mulheres acima do peso, aquelas que vestem a partir do 42 e quebrar padrões destrutivos a elas, que arriscam a saúde em busca de um corpo mais magro. Queremos ajudá-las a se amarem em primeiro lugar, perceber o quanto são lindas e buscarem os seus sonhos”, diz.

COMA E SONHO CHIQUITITA

Se hoje Géssika é modelo curve com orgulho, há alguns anos ela ainda passava por um processo intenso de autoaceitação. Em 2016, a miss ficou cinco dias em coma após ter complicações devido à diabetes, e engordou 20 kg com a situação, mas o que parecia um problema tornou-se uma solução.

“Eu já não me aceitava do jeito que era, e depois que ganhei peso fiquei desolada. Mas foi só após isso que começaram a surgir muitos trabalhos de várias marcas, e aí comecei a ver que aquilo tinha sido bom para a minha carreira e pra minha vida pessoal. Então, no ano passado, veio o concurso e mudei totalmente a visão que tenho de mim e do meu corpo. Hoje eu me amo muito e me aceito”, relata.

Mas antes de buscar o reconhecimento no mundo miss, Géssika sonhava em ser atriz. Em 1999, quando tinha apenas seis anos, a goiana chegou a participar das seletivas para a primeira versão brasileira da novela “Chiquititas”, mas não foi aprovada para o elenco da produção do SBT.

“Eu era muito fã da novela, e sempre tive vontade de experimentar o mundo artístico. Foi isso que surgiu na época. Mas me lembro que, na seletiva, eu travei na hora de conversar e me expressar para os jurados. Eu sempre fui muito comunicativa, mas não consegui mostrar esse lado”.

Ainda criança ele tentou ingressar também na carreira de modelo, mas também não deu certo. “Além da minha família não ter dinheiro para bancar esse sonho, meu biotipo não correspondia ao que era esperado no mercado, que eram modelos altas e magras”.

RIFA PARA PUNTA CANA

Deixando esse passado para trás, Géssika agora se prepara para representar o país na etapa internacional do concurso, o Miss Curvy Queen Universe 2021. O certame está previsto para acontecer de forma presencial em abril, na cidade de Punta Cana, na República Dominicana.

Como ela não conta com o apoio de nenhuma agência ou patrocinador, vai precisar de ajuda para custear a viagem, o que a fez iniciar uma campanha na internet a fim de angariar doações. Ela calcula que deve gastar cerca de R$ 15 mil com todas as despesas, e a “vaquinha” virtual deve ajudá-la a completar esse orçamento.

“Estou fazendo uma rifa para uma estadia em um resort no interior de Goiás, e sigo em busca de parcerias ou patrocínios. O Miss Curvy Queen Universe tem uma inscrição no valor de US$ 1.800 (R$ 9.800). Esse valor inclui cinco diárias no hotel Hard Rock de Punta Cana, e uma equipe de treinamento para o concurso”.

Além desse valor, a miss também terá que arcar com as custas de passagem aérea, passaporte e translado, além do guarda-roupa, com os vestidos e a fantasia para representar a cultura do Brasil.

Para quem quiser ajudar, segue link da campanha: https://botanarifa.com/ymcwqknf

De faixa a coroa

Fábio Luís de Paula é jornalista especializado na cobertura de concursos de beleza, sendo os principais deles o Miss Brasil, Miss Universo, Miss Mundo e Mister Brasil. Formado em jornalismo pelo Mackenzie, passou por Redações da Folha e do UOL, além de assessorias e comunicação corporativa.
Contato ou sugestões, acesse instagram.com/defaixaacoroa e facebook.com/defaixaacoroa

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