Aviso
Este conteúdo é para maiores de 18 anos. Se tem menos de 18 anos, é inapropriado para você. Clique aqui para continuar.

Zapping - Cristina Padiglione

Diretor da Globo é afastado após investigações sobre denúncias de racismo

'O elenco da novela tem todo o meu respeito', diz Vinicius Coimbra sobre queixas em 'Nos Tempos do Imperador'

Vinicius Coimbra dirige cena com Selton Mello e Mariana Ximenes em "Nos empos do Imperador" - Paulo Belote/Divulgação
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

São Paulo

Como antecipou a coluna de Mônica Bergamo em 3 de fevereiro, o departamento de compliance da Globo, responsável por apurar condutas imorais e criminosas no ambiente de trabalho, recebeu queixa de suposto racismo nos bastidores da novela "Nos Tempos do Imperador", exibida até o dia 5 de fevereiro.

Diretor artístico da novela, Vinicius Coimbra vinha cuidando de "Mar do Sertão", próxima trama das seis, de Mario Teixeira, mas, em meio às investigações sobre as denúncias de suposto racismo, foi afastado do cargo e substituído por Allan Fiterman, como noticiou a colunista Carla Bittencourt no site Notícias da TV nesta quinta-feira (17), com confirmação desta coluna.

As queixas contra Coimbra foram apresentadas pelas atrizes Roberto Rodrigues, Dani Ornellas e Cinnara Leal, e vários atores e profissionais da produção têm sido chamados a testemunhar sobre o caso. Procurado por esta coluna a se manifestar, Coimbra diz que não pode se pronunciar sobre as acusações porque as investigações no compliance o impedem de falar.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o diretor enviou a seguinte nota: "O elenco da novela tem todo o meu respeito e admiração. Sou a favor do diálogo e acredito que todas as discussões sobre o tema são necessárias."

A Globo avisa que não comenta investigações internas. As atrizes teriam se queixado à Globo de diferenças no tratamento dado ao elenco negro e ao elenco branco da produção.

Em seu perfil no Instagram, a atriz Roberta Rodrigues publicou longo texto há seis dias, lembrando de sua estreia em "Cidade de Deus", filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund que a lançou nas telas, em 2002, como "primeiro filme com 99% do elenco preto, como nos chamam".

"Tentaram me fazer desistir nesses últimos meses, mas eu fui criada na favela do VIDIGAL, formada pelo NÓS do MORRO @gruposnosdomorrooficial, filha do Adilson Rodrigues (mecânico) , filha da Eliane de Jesus Rodrigues Silva (costureira), irmã do @brucerodrigues , neta da Carmelita de Jesus e componente de uma família PRETA muito fodarastica", escreveu a atriz.

"Tem uma música que define tudo que eu vivi", diz ela, citando a canção de Belchior regravada por Emicida no álbum "Amarelo": ‘Tenho sangrado demais / Tenho chorado pra cachorro / Ano passado eu morri / Mas esse ano eu não MORRO'".

Roberta não gravou o desfecho de sua personagem, Lupita, na novela. E desmentiu que sua ausência tenha sido em função de Covid, como chegou a ser noticiado. No dia 4, um dia após a informação da coluna de Mônica Bergamo, a assessoria da atriz disse ao F5 que ela não poderia se pronunciar sobre os reais motivos de sumiço em cena, mas falaria sobre o assunto em breve.

A Globo pede aos envolvidos em denúncias ao compliance que mantenham sigilo sobre os temas lá tratados, até que a empresa conclua as investigações internas.

Cinnara Leal também deu pistas de que o clima nos bastidores da novela não foi dos melhores. Em entrevista a Zeca Camargo no UOL, a atriz falou que o espaço dado aos negros na trama foi "conquistado" por eles, e não "cedido". "Foi uma luta diária, particular e coletiva", afirmou na ocasião.

De Thereza Falcão e Alessandro Marson, "Nos Tempos do Imperador" foi acusada nas redes sociais, com apoio de parte do elenco, de propagar o suposto "racismo reverso" logo no primeiro mês de novela, quando Samuel (Michel ​Gomes) diz que Pilar (Gabriela Medvedovski) poderia sofrer segregação na comunidade Pequena África por ser branca. O racismo que de fato um casal inter-racial sofreria nos anos 1800, no entanto, jamais havia sido mencionado até ali, como se fosse comum um negro circular pelas ruas do Rio de Janeiro com uma branca, sem sofrer qualquer ataque.

A partir da reação do público nas redes sociais, historiadores e militâncias negras, a equipe da novela fez uma revisão minuciosa do texto, com ajuda da pesquisadora Rosange Borges, da USP, e consultoria de Nei Lopes, que já estava no time, e chegou a regravar várias cenas, inclusive com a princesa Isabel (Giulia Gayoso), que mais tarde assinaria a Lei Áurea.

Confira abaixo o desabafo de Roberta Rodrigues:

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

Final do conteúdo
  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Comentários

Ver todos os comentários Comentar esta reportagem