Zapping - Cristina Padiglione

'Um Lugar ao Sol': Lícia Manzo homenageia Joy e sua intérprete

Autora diz que personagem de Lara Tremouroux renderia uma novela só para ela

Joy (Lara Tremouroux) - Globo
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A despedida de Joy, personagem de Lara Tremouroux na novela "Um Lugar ao Sol", no capítulo de sexta-feira (28), motivou uma choradeira nas redes sociais. Houve também um misto de comoção e alívio no público que torcia o nariz para a personagem, sem tolerância para compreender esse universo de invisibilidade dos pichadores e de pessoas com o histórico da moça.

Em seu perfil no Instagram, a autora do folhetim, Lícia Manzo, publicou: "Queria escrever sobre a Joy. Sobre o alcance dessa vida invisível, torta, pequena. Se pudesse, escreveria outra novela, só sobre ela. Obrigada @laratremouroux @samanthajonesla @anjupaiva @aguiaruan @maitherodrigues.mai @yara_de_novaes Vocês fazem tudo valer a pena", disse ela, mencionando os demais atores envolvidos no núcleo de Joy.

Nos comentários, Lícia e Lara foram aplaudidas por Patrícia Pillar, Leila Pinheiro, Stela Freitas, Virginia Cavendish, Paulo Betti e Mônica Albuquerque, diretora da WarnerMedia responsável por produções realizadas na América Latina para os canais lineares e serviço de streaming da companhia, HBO Max.

"Parabéns, Lícia querida! Que cena linda! Histórica!", escreveu Mônica, que tem levado grandes grifes da dramaturgia da Globo para a HBO, como Silvio de Abreu, Camila Pitanga e as diretoras Joana Jabace e Flávia Lacerda.

"Grande Lara Tremouroux, um luxo!", disse Pillar.

Joy despenca de uma corda ao tentar deixar sua assinatura em um viaduto. Pouco antes, visitou o filho, o pequeno Francisco, em tom de despedida, atendendo à chantagem de Christian/Renato (Cauã Reymond), que lhe prometera uma mesada fixa,, desde que ela se afastasse de vez de Ravi (Juan Paiva).

Na verdade, Joy poderia ter continuado a extorquir o ricaço, que se faz passar pelo irmão gêmeo e não estaria em condições de exigir nada da moça. Ela, afinal, conhece o seu segredo e o tamanho do seu crime. Apesar da vida à margem dos códigos sociais aceitáveis, a pichadora, como a grande maioria das pessoas, não tem vocação para canonização. E tem suas ambições básicas, especialmente por ter sido privada de bens de consumo desde que nasceu.

As causas de protesto e rebeldia de Joy, em contraposição ao fato de não se ver como mãe, de extorquir alguém e abandonar o sujeito que melhor lhe acolheu na vida (Ravi/Juan Paiva) levaram parte do público a acentuar sobre Joy um julgamento que normalmente é infinitamente mais brando no caso de homens nas mesmas condições.

Daí a certeza de que a plateia a recebeu com boa dose de machismo. A despedida de Joy foi sucedida por uma apresentação poética do pichador e slammer Damón (Ruan Aguiar), com quem ela chegou a fugir, deixando o filho sob os cuidados do pai, como tantos homens fazem todos os dias com as mães de suas crias.

Intérprete da Dalva na novela, Ju Colombo sintetizou, também entre os comentários do post de Lícia, o valor de uma personagem como Joy e de uma abordagem como a que a autora alcançou em "Um Lugar ao Sol": "Essas narrativas --a visão de uma mulher sobre as questões das relações humanas; questões vistas pela lente de quem foi criada, organicamente, para colocar vidas no mundo, a visão de uma mulher-- atravessam a nossa humanidade! Sua capacidade de 'desenhar' os enredamentos que nos constroem; as tramas que nossas vidas traçam e depois precisam dar conta delas (sem julgamento, somente lidar com o que construímos. Saudável ou não…). Sua refinada percepção sobre as trajetórias cotidianas das pessoas é FENOMENAL!".

"Na minha forma de ver/sentir, aqui não importa se a narrativa é sobre cor, gênero, raça, status social, se gorda, magra, gostosa, sem gosto…não importa, porque é sobre ser HUMANO!", continua Ju. "Agradeço, DIARIAMENTE, por minha vida estar na construção dessa rede: elenco GIGANTE (minha @marietaseveroreal

Zapping - Cristina Padiglione

Cristina Padiglione, 50, é jornalista e escreve sobre assuntos relacionados à televisão. Ela cobre a área desde 1991, quando a TV paga ainda engatinhava. Ela passou pelas Redações dos jornais Folha da Tarde (1992-1995), Folha (1997-1999) e O Estado de S. Paulo (2000-2016), entre outras publicações. Ela também tem o blog Telepadi (telepadi.folha.com.br), hospedado no site da Folha.

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