Colo de Mãe
Descrição de chapéu Agora

Em um ano tão difícil, a maternidade suporta o mundo

A única certeza é que o sorriso de um filho é o elixir contra as dores

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O poeta Carlos Drummond Andrade traduziu, há anos, o sentimento de mundo que paira sobre os seres humanos em tempos difíceis. “Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança”, diz o escritor, no poema “Os ombros suportam o mundo”.

Sempre pensei na mão leve de uma criança trazendo todo o peso da responsabilidade da vida, mesmo antes de me tornar mãe.

Hoje, duas filhas depois, muitas dores na bagagem, com modificações profundas na minha maternidade, entendo que quem realmente suporta o mundo são as mães. E, para nós, ele se traduz no sorriso de uma criança. Ver um filho feliz é tudo o que se quer.

É o maior sentimento de quietude que paira em nossos corações. Em um ano tão insano, só as mães conseguem aguentar e sorrir, e seguir em frente. Só as mães aconselham, se desdobram, tentam proteger os filhos e, ao mesmo tempo, salvar a humanidade.

Sabemos que a maternidade é uma construção social, o que quer dizer que o nível de dedicação de uma mãe varia conforme a era histórica que a humanidade está vivendo.

Certamente as mães das cavernas eram muito diferentes, assim como na Idade Média, nos tempos de colonização e nos idos das revoluções que mudaram o mundo, mas eu acredito que o sentimento de amor incondicional está dentro de toda mãe.

É visceral. Não tem como ter um filho, parir, carregar no ventre —ou adotá-lo— e não ser tomada por uma vontade enorme de dar o seu melhor pelo novo ser.

Acho que é esse sentimento que nos move e nos tem feito aguentar. Eu tento suportar a pandemia sem pirar. Às vezes de forma rude, colocando ordem na casa, cobrando dedicação aos estudos, participação na rotina doméstica e compreensão com a quarentena.

Outras vezes sigo de forma dócil, acolhendo, aconselhando e mostrando que, haja o que houver, caia quem cair, com ou sem vacina, eu vou dar o meu melhor pelo sorriso delas.

Os meus ombros maternos têm suportado do mundo e a pandemia, têm carregado as minhas filhas, acolhido os meus amigos e celebrado com meus familiares.

Meus ombros maternos carregam o mundo, que pesa muito mais que a mão de uma criança, mas é o esteio da minha verdade materna. Não sou santa para suportar tudo, sem reclamar, mas sou firme para não me render.

Agora

Colo de Mãe

Cristiane Gercina, 41, é mãe de Luiza, 13, e Laura, 8. É apaixonada pelas filhas e por literatura. Graduada e pós-graduada pela Unesp, é coordenadora-assistente de Grana do jornal Agora, empresa do Grupo Folha. Quer ver o desenho do seu filho publicado na coluna? Envie-o para o e-mail colodemae@grupofolha.com.br com nome completo e idade da criança, nome e celular do responsável.

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