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Chegada da terceira temporada de 'O Conto da Aia' é convite a ler romance dos anos 1980

Futuro ainda mais sombrio no clássico futurista

Cena da temporada 3 da série "The Handmaid's Tale"
Cena da temporada 3 da série "The Handmaid's Tale" - Divulgação

Há exatos três anos, quando fui à livraria procurar o livro "O Conto da Aia"  (R$ 44,50; 368 págs., Rocco) , uma indicação do meu querido amigo Henri, tomei um susto: o exemplar, escrito pela canadense Margaret Atwood, que foi lançado em 1985, estava totalmente esgotado. 

Quando fiquei sabendo da temática da obra, um romance distópico (passado geralmente em um futuro apocalíptico), ficou mais fácil entender por que a narrativa até hoje é extremamente atual e teve um boom nas livrarias de todo o mundo. Ainda hoje está na lista dos mais vendidos e é a pedida da semana.

Futurista, sanguinolenta, feminista, revolucionária (e adaptada pela TV lá fora pela plataforma Hulu e aqui pela Paramount) a temática da obra realmente estava à frente de seu tempo, o que que fez com que ela voltasse a ser atual e discutida a ponto de exigir mais exemplares da editora.

Assustadoramente atual, a história nos faz refletir sobre a crise política no Brasil e o comportamento perigoso do presidente americano Donald Trump ao narrar um futuro imaginário e opressor, mas não tão distante assim.

No livro, um Estado teocrático e totalitário acaba com a Constituição e passa a controlar os cidadãos como bem entende. E o elo mais fraco são as mulheres, divididas, entre outras categorias: férteis e inférteis –depois que uma catástrofe tornou diversas pessoas estéreis. Aquelas que não se submetem a passar seus dias tentando engravidar de altos comandantes são condenadas a viver com homossexuais, viúvas e feministas em locais com alto índice radioativo.

Narrado pelo ponto de vista da mocinha Offred (Elisabeth Moss), uma dessas mulheres férteis, "O Conto da Aia" aprisiona o leitor ao apresentar a realidade pouco a pouco, conforme os pensamentos sufocantes e as lembranças torturantes da personagem se desenrolam. É, sem dúvida, uma tentativa de reproduzir uma vida em um lugar sem liberdade, onde a maior forma de manipular é o medo.

A dica dessa semana volta a ser "Conto da Aia" por conta da recente estreia da série no Hulu e no Paramount da terceira temporada e, pasmem, ela é um exemplo de continuação que estrapolou o livro. Caso de ficção que saiu da alça que a carregava nas páginas de Margaret para ganhar forma própria e revolucionária no audiovisual.

Se a primeira temporada é bastante fiel aos principais acontecimentos do livro, como a prisão de Offred e sua revolta por ter de servir como reprodutora para um casal abastado e cruel, na segunda temporada, pontos esquecidos da narrativa do livro original são abordados, como o retorno de Emily (Alexis Bledel) à trama central, uma das melhores personagens da trana por sua coragem e ingenuidade ao mesmo tempo.

O enredo explora ainda outros pontos relevantes do romance de Margaret Atwood não mostrados na primeira fase. Entre eles, a vida nas colônias. O desfecho do segundo livro não deixa dúvidas de que a coragem da heroína estruturará a terceira temporada 

E é isso o que acontece. Offred volta com sangue nos olhos: eles escorrem das páginas do livro e ganham as telas. Vale a pena. "The Handmaid’s Tale" será exibida no Paramount Channel a partir do dia 18 de agosto. O canal já havia disponibilizado a série em seu serviço de streaming Paramount+ desde o dia 15 de junho. Até lá, leia o livro. Última dica: o Submarino está com uma promoção por R$ 19,99.


Os mais vendidos

FICÇÃO
1    "Dear Heart, Eu Odeio Você!", de J. Sterling (Faro)
2    "Mister", de E.L. James (Intrínseca)
3    "O Conto da Aia", de Margatet Atwood (Rocco)
4    "Textos Cruéis Demais Para Serem Lidos Rapidamente - Onde Dorme O Amor: 2", TCD (Globo)
5    "F*Ck Love - Louco Amor", de J. Sterling (Faro)

NÃO FICÇÃO
1    "Autismo - Coleção Síndromes & Distúrbios", (Alto Astral)
2    "Reeducação Alimentar - Col. Vida & Equilíbrio", (Alto Astral)
3    "Sucos Detox - Col. Vida & Equilíbrio", (Alto Astral)
4    "A Elite Do Atraso - Da Escravidão A Bolsonaro", de Jessé Souza (GMT)
5    "Uma Breve História do Tempo", de Stephen Hawking (Intrínseca)

AUTOAJUDA
1    "A Sutil Arte De Ligar O Foda-Se", de Mar Manson (Intrínseca)
2    "O Milagre Da Manhã", de Hal Elrod (Record)
3    "Ansiedade - Como Enfrentar o Mal do Século", de Augusto Cury (Saraiva)
4    "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie (Cia. das Letras)
5    "Nunca Foi Sorte", de Adriana Sant'Anna (Buzz)

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Vivian Masutti, 34, é jornalista formada pela Cásper Líbero e bacharel em letras (português e francês) pela USP (Universidade de São Paulo), onde também cursou a Faculdade de Educação e obteve licenciatura plena em língua portuguesa. No Agora, é coordenadora da Primeira Página.

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