Helen Mirren durante Festival de Cannes Johanna Geron - 07.jul.21/ Reuters

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Kyle Buchanan
The New York Times

Disparem as petições. Alertem os lobistas. Quando o 10º filme da série “Velozes e Furiosos” for rodado, tenho uma sugestão, ou na verdade uma exigência: Vin Diesel, 53, e Helen Mirren, 75, têm de se beijar.

Foi minha primeira impressão ao assistir o mais recente filme da franquia, “Velozes e Furiosos 9”, no qual Mirren e Diesel participam de uma cena de perseguição de carros e exibem muito mais química do que qualquer outra dupla no filme. No final da sequência, em que Queenie (Mirren) transporta Dom Toretto (Diesel) pelas ruas de Londres em seu carro, minha esperança era de que ela se virasse para ele e beijasse o nosso herói.

E por que não? No filme anterior da série, Diesel beijou outra ganhadora do Oscar, Charlize Theron. Imagine como seria divertido ver Diesel beijando outras ganhadoras do Oscar de melhor atriz. Depois de Mirren, talvez possamos ter um enrosco romântico entre Diesel e Frances McDormand! (Com certeza a parceira romântica de Diesel na série, Michelle Rodriguez, liberaria a cena.)

Às vezes você precisa ser a mudança que deseja ver no planeta, e foi por isso que marquei uma conversa por vídeo com Mirren este mês, para sugerir diretamente a ela a ideia de um romance para seu personagem.

Sua cena com Vin é a melhor do filme, e fica bem claro que ele a adora. Mas eu tenho uma queixa: vocês deveriam ter se beijado, não acha?
Um beijo muito casto seria bacana, sim.

Tudo bem, eu me conformaria com isso. Talvez parte do que me entusiasma sobre esse casal é que é raro ver Vin Diesel rodando no assento de passageiros de alguém.
Eu sei, é verdade. É uma honra ser a motorista dele, mas também me intimida um pouco. Não é que Vin me intimide –ele é uma pessoa com quem é muito fácil trabalhar, um sujeito adorável—, mas a tecnologia dessas filmagens é muito complexa, e esse é um mundo que eu não conheço nem um pouco. Por isso foi muito agradável ter um amigo no banco do lado, com certeza. E ouvir aquela voz!

Fale mais sobre isso.
A voz de Vin é incrível. Eu fico toda derretida quando o ouço falar. Aquela rouquidão grave em meu ouvido é uma experiência fabulosa, por um ou dois dias. É como ouvir o motor mais bem azeitado do planeta funcionando.

Você sempre teve uma boa química nas telas com os astros de ação carecas –Vin, Jason Statham (especialmente em “Velozes e Furiosos: Hobbs e Shaw”), Bruce Willis (“Red – Aposentados e Perigosos” e outros filmes.) Você tem alguma coisa como atriz que funciona especialmente bem contracenando com heróis de ação estoicos?
Pode ser que sim! Acima de tudo, eu chego a esse tipo de projeto com muito respeito por caras como eles, porque o que eles fazem é muito diferente de tudo que fiz em minha carreira. A dedicação deles e o conhecimento profundo que têm de como esses filmes funcionam é muito impressionante. Sempre acho que tenho o que aprender com eles. Talvez seja o fato de que realmente trago muito respeito por eles que faz com que a coisa funcione, mas acho que são todos ótimos.

Mas ainda assim, o clima entre você e Vin fica acima de todos os outros.
Acho que é porque somos tão opostos em quase todos os níveis. Mas ao mesmo tempo existe muito respeito, de parte a parte. E eu conheci a mãe de Vin, que é adorável, e acho que isso também faz diferença. Vin obviamente a ama. Ela é adorável, muito doce e gentil. Muito diferente de Vin, mas ele a adora!

E seu personagem parece amar Vin, ou pelo menos sentir algum afeto por ele. Estou pensando no seu último diálogo com ele, quando ele sai do carro. “Não deixe que o matem, OK? Você é meu americano favorito”.
Ele não é meu americano favorito. Meu americano favorito é meu marido, Taylor Hackford. Depois dele, os filhos de Taylor. Mas logo depois vem Vin.

É o seu terceiro filme na franquia, depois de “Velozes e Furiosos 8” e “Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw”, mas é o primeiro em que você participa de uma perseguição de carros. Por que a demora?
Oh, meu Deus! Era por isso que eu queria fazer esses filmes! Na verdade, eles escreveram cenas muito boas para mim, e fui parte da criação da personagem desde o começo –eu escolhi o nome Queenie, e ela vem de um tipo de família do East End de Londres que conheço bem—, mas acima de tudo eu queria estar ao volante de um carro, e isso terminou não acontecendo nos dois outros filmes. Dessa vez, eles conseguiram, o que foi fantástico.

Você pressionava pela cena a cada novo convite?
Eu aceito o que me dão. E resmungo um pouco, choramingo, reclamo, e em geral isso funciona.

E vocês filmaram a sequência em Londres, certo?
O fato de que tenha sido nas ruas reais de Londres, a cidade onde nasci, foi extraordinário para mim. Ver Vin naquele contexto era surreal: a elegância e a familiaridade de Londres, e lá estava Vin, muito contraditório. Mas fiquei muito feliz por a sequência acontecer no coração de Londres, e mal pude acreditar que eles fecharam o “mall” [importante avenida de Londres], que leva ao palácio. Tenho certeza de que a rainha estava lá de binóculo, você não acha? De uma janela lá no alto, perguntando “meu Deus, o que eles estão fazendo?”

Ou dizendo: “Mirren de novo?”
“Mirren de novo, mesmo? Aquela mulher nunca vai me deixar em paz?

Quanto tempo a filmagem levou?
Minha parte durou três ou quatro dias, mas depois tivemos todos as sequências filmadas com os motoristas de ação, todos muito experientes. Eu apoio muito, aliás, que esse pessoal tenha uma categoria no Oscar. Acho que deveria haver uma categoria de melhor dublê, porque a contribuição deles para muitos filmes hoje é imensa, extraordinária.

Sua família cinematográfica cresceu muito, na série, com Jason Statham, Luke Evans e Vanessa Kirby interpretando seus filhos. Você já imaginou quem eles podem escalar como seu ex-marido?
Não sei se posso falar a respeito, mas aparentemente Vin pensou em Michael Caine. Poxa, não seria fantástico? Seria cool e absolutamente perfeito. Mas veremos.

Vamos colocar essa ideia em circulação, então. E enquanto ainda estamos aqui, vou voltar ao meu primeiro pedido: se meu pedido de um beijo casto puder ser organizado para o próximo filme, você toparia?
Em Vin? Oh, meu Deus, com certeza. Mas só se ele falar comigo antes e depois, porque é a voz dele que realmente me aquece, de verdade.

Traduzido originalmente do inglês por Paulo Migliacci

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